domingo, 9 de maio de 2010

Madre Dios do Rio Angu – Angustura

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



O grande sobrado, erguido para sediar o Conselho de Angustura, recebeu a visita do líder republicano Antônio da Silva Jardim, a convite do Dr. Joaquim José Álvares Santos Silva, Barão de São Geraldo e um dos fundadores do Partido Republicano Mineiro.
Foto acervo pessoal de Mauro Luiz Senra Fernandes

Quando a marcha da civilização alcançou as montanhas da antiga Madre Dios do Rio Angu, as terras do antigo Arraial e das fazendas agrícolas surgiram das sesmarias doadas. O espírito pioneiro desses desbravadores do sertão logo se faz sentir, por ser a região favorável ao plantio do café e de vários cereais. Trouxeram escravos negros e imigrantes: espanhóis, portugueses, alemães e italianos.
Prevaleceram nas terras do futuro arraial e adjacências os imigrantes espanhóis; daí, a razão de seu nome: Madre Dios do Rio Angu. O povoado foi modesto durante anos. O cemitério, a capelinha coberta de sapé, algumas casa humildes.
A fundação do povoado que denominou Madre Dios do Rio Angu se deu em 1827, com o desmatamento de uma das partes do povoado para a construção da escola primária.
Das que tomaram parte neste evento destacamos, dentre as ilustres famílias já radicadas na região, aqueles cujos chefes se tornaram líderes da nova comunidade: Cel. Manuel Gonçalves de Figueiredo Côrtes (natural de Barbacena, filho da viúva Luiza Thereza de Figueiredo Côrtes, radicado na Fazenda Serra Bonita), Cel. Joaquim Martins Ferreira (era filho de Gabriel Martins Ferreira, dono da sesmaria do Degredo e radicado na Fazenda do Macuco) e o Cap. Almindo Ribeiro (era natural do Rio de janeiro, radicado no Sítio da Boa Sorte).
A primeira escola primária do Arraial foi inaugurada em 11 de outubro de 1865, sendo a primeira diretora a professora Laura Olimpia Milliet. Veio a cavalo de São Paulo a Madre Dios, falecendo em 21 de janeiro de 1869, deixando na orfandade um casal de filhos.
Em 1870 outra comissão foi composta para a construção da Matriz: Coronéis Manuel Gonçalves de Figueiredo Côrtes, Joaquim Martins Ferreira, Militão José de Souza Ameno e o Capitão Almindo Ribeiro. Foram, então, escolhidos o engenheiro Francisco Sichierrolli; o mestre de obras Serafim José Pinto Fernandes e, como oficiais, Antônio Viana, Alexandre R. Couto, Fortunato Guimarães, Manuel Couto, José Sertório, Luiz G. da Costa (Minerva), José Rocha, Joaquim G. Lima, Manuel Maurício, entre outros.
Daquela notável comissão, dois membros se afastaram: o Cap. Almindo Ribeiro falecido em 1887, sendo substituído pelo Cel. Casemiro Villela de Andrade; o Cel. Manuel G. de Figueiredo Côrtes que, devido a uma piora em seu estado de saúde, veio a falecer um ano depois da inauguração da Igreja Matriz, em 30 de agosto de 1887.
Conforme se costuma relatar, mas ainda não se pôde ser confirmado, Madre Dios do Rio Angu, passou a chamar-se Mãe de Deus de Angustura porque, durante a Guerra do Paraguai, deste distrito saíram diversos voluntários e escravos em troca de alforria e um destes sobressaiu-se nas batalhas de Tuiuti e Angostura, sabendo-se que ele era filho de Madre Dios do Rio Angu. Por uma questão de semântica, o nome foi mudado para Mãe de Deus de Angustura, em vez de Angostura, em homenagem a esse herói angusturense.
Em 11 de outubro de 1886, ainda inacabada, a Igreja Matriz foi inaugurada com apenas dois membros na comissão: Cel. Joaquim Martins Ferreira e o Cel. Casemiro Villela de Andrade, sendo o vigário o Pe. Eduardo Giebeles, convidado pela comissão em 1884, para organizar a paróquia.
A visita do líder republicano Silva Jardim, em 14 de março de 1889, fez de Angustura um ponto de referência nas lutas progressistas do país. Houve a reação de fazendeiros adeptos do Império, utilizando seus empregados armados na tentativa de coagir o visitante.
Com a chegada do século vinte Angustura ganhou as definitivas feições de um núcleo do progresso. Tornou-se o primeiro distrito do Brasil na produção cafeeira. Até 1930, quando o ciclo começou seu período de decadência, fizeram-se, entre outras coisas, a primeira estrada de rodagem, ligando Angustura a Além Paraíba e Angustura a Leopoldina. Entrou em funcionamento o Grupo Escolar Barão de São Geraldo. A rede telefônica se expandiu e o abastecimento d’água foi criado. Instalou-se a energia elétrica. Os derivados do leite ganharam fábricas. Sem esquecer, também, que o transporte de passageiros, conseguiu sua primeira linha.
Fonte: Adaptação dos textos de “Madre Dios - 100 Anos”, de João Baptista Vidal e Thales Ribeiro Magalhães e Jornal Agora de 1982.

Prédio do Conselho de Angustura

Os mais significativos registros da história de Além Paraíba estão contidos na existência do prédio do Conselho Distrital da Vila de Angustura, inaugurado em 14 de setembro de 1896, quando a “Vila” possuía respeitável povoamento e poder de decisão no cenário político de Minas Gerais.
Este marco na historicidade do Município foi idealizado pelo grande empreendedor de Angustura do século dezenove, Cel. Manuel de Figueiredo Côrtes, que incentivou a construção do prédio do Conselho, mas não chegou a vê-lo de pé, pois faleceu no dia 30 de agosto. As obras foram somente em 1889. Cel. Manuel Côrtes transferiu para o vice-presidente da comissão da obra, o Cel. Joaquim Martins Ferreira, e deu explicações sobre a anunciada construção do prédio do Conselho, cujo patrocínio teria assumido anteriormente, sob a promessa de que as obras seriam iniciadas logo após o término da Igreja Matriz. Ainda, pedia ao doador do terreno para o prédio do Conselho a permissão para transferir seu compromisso de execução do empreendimento ao Governante do Município de então, Cel. Luiz de Souza Breves. Por sua vez, Souza Breves nomeou uma comissão de notáveis e bem considerados cidadãos de Angustura, para dar cumprimento à incumbência de levantar o casarão do Conselho.
Inicialmente, era formada pelos seguintes residentes de Angustura: Cel. Alfredo de Andrade Villela, Luiz Gomes da Costa, Cel. Valeriano Manso da Costa Reis, Cel. Leonardo Teixeira Marinho, Cel. Bernardo Manso da Costa Reis, Cel. Otoni Diniz Manso Monteiro, Cel. Brasiel Manso da Costa Reis, Cel. Severino Teixeira de Andrade e o farmacêutico Raimundo Augusto Pereira. Como patrocinador da obra, em substituição ao Cel. Manuel Côrtes, a comissão escolheu o nome do Dr. Joaquim José Álvares dos Santos e Silva, o Barão de São Geraldo.
Os trabalhos de construção do prédio público para abrigar o Conselho começaram a ser executados no ano de 1889 e concluídos em 1896, acontecendo a inauguração no dia 14 de setembro, com uma grande festa.
Em 1901, sendo governante municipal o Cel. Francisco Martins Ferreira, o prédio do Conselho foi cedido, provisoriamente, à Administração da Municipalidade, sendo utilizado pelo Conselho de Intendentes (vereadores). Esta situação foi acarretada pelo fato do prédio da prefeitura, localizado na sede do Município, encontrar-se em obras de melhoria. As reformas só terminaram em 1903, quando então retornaram à cidade as atividades dos intendentes.
Fonte: Adaptação dos textos de João Baptista Vidal

10 comentários:

  1. Silva Jardim (1860/1891), visitou o Arraial de Angustura em 14 de março de 1889, desembarcando na Estação Ferroviária do Pântano - atual Fernando Lobo.
    Foi oferecido pela Casa Paschoal ao grande líder republicano, um Banquete e Baile e nessa ocasião as obras do referido prédio já haviam sido iniciadas.

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  2. Angustura é distrito do Município de Além Paraíba. A fundação do povoado, então denominado Madre Dios do Rio Angu, deu-se por volta de 1810. A fundação do arraial, com o nome de Madre de Deus do Rio Angu, ocorreu em 1827.
    Nós alemparaibanos, estamos orgulhosos desse importante trabalho. Um historiador de formação e especialização. Parabéns Mauro Senra!!!

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  3. Olá...Boa tarde!Visitando os blogs de MG.Qual não foi a grata surpresa!Encontrei fotos de colegas do meu tempo de jovema.
    O que mais me emocionou foi a poesia eleborada pelo Dr. Octácilio Coutinho, onde fui sua funcionária em Além Paraíba. Trabalhei em seu consultório na déc. de 50. Também conheço a Vanda de Marca,ao participar de desfile beneficente ela nos orientou como desfilar no salão do Rex club.Isso no ano de 63. tive também a grata surpresa de ver em uma foto da Marocas lá de Fernando Lobo, lecionávamos em uma escolinha rural. Grata por sua atenção. Amélia

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  4. Ola boa dia!!!!
    Primeiro parabens pelo belo trabalho de resgate de nossa história ..... Estava navegando pela internet e nesse site http://ennan.multiservers.com/paulopes.geo/poetaromancista.htm li um referencia o pq do nome ter mudadado de Madre Dios do Rio Angu citando uma obra de Armelim Guimarães sobre Bernardo Guimarães
    A verificãção destas datas e de alguma publicação pode facilitar valeu e um abraço

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  5. Ola
    Muito Obrigada pelas as informacoes. Como voce sabe do Napoleao e Beatriz Gavioli? Napoleao Gavioli e o meu bisavo. Eu gostaria muito de saber onde o Napoleao nasceu na Italia assim posso it la e pegar a certidao de nascimento ou batisado dele. Eu moro somente a 2 horas da Italia. Voce teria mais informacoes ou saberia de alguem que possa me ajudar por favor?
    Muito Obrigada
    Priscilla Gavioli.

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    1. Priscila,
      embora não tenha Gavioli no nome,sou sobrinho de José Gavioli neto de Napoleão.Consta-me que ele , Napoleão era de San bonifcio ( ou Bonifázio) da prvincia de Verona. Se a informação te servir me avise.
      Abraços
      ppgb09@gmail.com

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  6. Voces sabem porque a Rua Napoleao Gavioli tem este nome? Alguma relacao com o meu bisavo?
    Obrigada
    Priscilla Gavioli

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  7. Bom dia.
    Primeiramente, meus parabéns pelo resgate da história do nosso povo, mesmo porque sei, ao menos um pouquinho, que recolher tais informações pode ser muito trabalhoso, mas ao mesmo tempo, bem prazeroso. Ao procurar Angustura no Google, acabei me deparando com mais este site/blog. Há algum tempo, venho tentando estruturar minha árvore genealógica que, do lado materno, tem raízes no Sertão do Leste, especificamente, Volta Grande, Angustura, Além Paraíba e região. O sobrenome que vem dessa região é o "DUARTE". Os dizeres iniciais deste blog, especificamente, o sobre a batalha de Tuiuti, fez-me lembrar um escrito de uma prima do Rio Grande do Sul, sobre antepassados "DUARTE CASTRO", "BITTENCOURT CASTRO" e "BITTENCOURT GODINHO", mais pontual quanto aos DUARTE CASTRO. Conhecidos, eram 6 irmãos: Lucas, José, Martinho, Sebastião, Thereza Carolina, Francisca Carolina e Graciana. Inclusive o Sebastião Duarte Castro (Tatão) é antepassado de um morador ainda residente em Volta Grande, o sr. Fernando Duarte Tavares. Pelo relato dessa minha prima do sul, dois dos seis irmãos (José e Martinho) participaram da guerra contra o Paraguai, sendo que o alferes José Duarte Castro morreu na batalha de Tuiuti, aos 24/05/1866 e o alferes Martinho Duarte Castro morreu vítima do cólera, na trágica retirada de Laguna, em 1866. Gostaria de saber se há alguma documentação sobre os ramos das famílias que citei acima. Muito agradecido.

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  8. sou de Angustura, meus avós maternos eram mineiros de Angustura, cujo sobrenome era Ferreira de Castro.Morei na Fazenda Posse Legal, que pertenceu a senhora Vera MEIRELES e seu marido de sobrenome Quitito. Esse foi vereador.Faz muito tempo que não vou aí e tenho muitas saudades dos conterrâneos angusturenses.Hoje moro em Petrópolis - RJ.

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  9. Nossos avós maternos de Angustura, eram João Ferreira de Castro e Rita de Cássia Castro. Sou irmã de Maria do Carmo Ferreira e Maria Carmem Ferreira de Mello, mas sou paranaense de Ibiporã, pois nossos pais, José Ferreira e Izabel de Castro Ferreira se mudaram com toda família para o Paraná, para plantar café...E lá tiveram mais três filhas: Eu, Sueli das Graças Ferreira, Maria Carmélia Ferreira e Aparecida Ferreira

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