segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

FAMÍLIA MORAIS SARMENTO EM MINAS GERAIS

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Sarmiento, originários da Espanha, que encontraram em Portugal, exatamente ao Norte, na Região de Trás-os-Montes (onde na cidade de Bragança há um túmulo do primeiro Sarmento, nome aportuguesado), os Morais, pequeno lugarejo assim denominado, também em Trás-os-Monte, os Morais se juntaram aos Sarmento, tendo início a Família Morais Sarmento, que se espalharam não só no Norte ao Sul de Portugal, como também no Norte e Sul do Brasil.

Os Morais Sarmento é uma tradicional família de Portugal, cujas origens remontam a influente e conservadora aristocracia portuguesa dos séculos passados e altos escalões do exército. Os seus representantes ocuparam poderosos cargos políticos desde os séculos XVII e tiveram uma imensa quantidade de propriedades no Império Português.

No Brasil a família deixou descendência, pois a Corôa enviou alguns Morais Sarmento para representar os interesses portugueses na época do Brasil Colônia e os descendentes destes se estabeleceram em território brasileiro, exercendo posteriormente importantes funções no Império. Um dos representantes desta família em Minas Gerais é o Cel. Fortunato de Morais Sarmento, era brasileiro e natural da Zona da Mineração e com o esgotamento do ouro, transferiu-se para região do Rio Pomba, juntamente com outros parentes que se instalaram em Guarany, Rio Novo, Descoberto, São João Nepomuceno e Santo Antônio do Aventureiro, para cultivar a nova riqueza que era o café.
Correspondência do Cel Fortunato de Morais Sarmento para seu futuro genro Cap. Prudente José Teixeira de Aguiar

Maria do Carmo Nascimento Sarmento - "Dona Nhanha" e sua filha Ritta Fortunata do Carmo Ribeiro

O Cel. Fortunato de Morais Sarmento nasceu em 1815 e faleceu aos sessenta e oito anos de idade em Santo Antônio do Aventureiro, no dia 19 de maio de 1883 de gastrite. Foi casado com Dona Maria do Carmo Nascimento Sarmento – "Dona Nhanha" e tiveram os seguintes filhos:

• Quirina Fortunata do Carmo de Aguiar (Sinhazinha), nascida em 04 de junho de 1846, em Tabuleiro do Pomba, faleceu no dia 28 de maio de 1933, na cidade de Miraí, casada em 20 de maio de 1864 com o Capitão Prudente José Teixeira de Aguiar, natural de Minas Gerais, nascido em 1838, filho de José Teixeira de Aguiar e Dona Francisca Luiza de Jesus, era proprietário da Fazenda do Bosque em São Domingos do Aventureiro, faleceu aos quarenta e seis anos de idade, de lesão no coração no dia 12 de abril de 1884 e tiveram os filhos:

•• Sophia do Carmo de Aguiar Silva, batizada em São José de Além Paraíba no dia 11 de fevereiro de 1867 e casada com José Custódio Corrêa da Silva, filho de José Custódio da Silva e Dona Francisca Cândida Corrêa Netto da Silva;
•• Maria do Carmo de Aguiar Araújo, nascida em 25 de março de 1868, batizada em São José de Além Paraíba no dia 26 de junho de 1868 e foi casada com Antônio João Araújo, filho de Raymundo de Araújo e Silva e Dona Antônia Luiza da Costa;
•• Luiza do Carmo de Aguiar Teixeira, nascida em 20 de junho de 1872, foi casada com Antônio Virgílio Teixeira, filho do Cap. João Evangelista Teixeira e Dona Sebastiana Augusta Teixeira;
•• Alfredo José Teixeira de Aguiar, nascido em 21 de abril de 1874 e foi casado com Dona Guilhermina Furtado de Mendonça de Aguiar;
•• Oscar Teixeira de Aguiar, nascido em 13 de julho de 1876, casou-se em Santo Antônio do Aventureiro no ano de 1898, com a prima Leonor Augusta do Carmo Ribeiro de Aguiar, filha do Capitão Antônio José Ribeiro e Dona Ritta Fortunata do Carmo Ribeiro;
•• Ozório Teixeira de Aguiar, nascido em junho de 1880 e faleceu em 5 de setembro de1882,
•• Theodomiro Teixeira de Aguiar (Miro), nascido em 11 de agosto de 1879, foi cirurgião dentista na cidade de São João Nepomuceno, formado na Inglaterra e a profissão passou os ensinamentos para o seu filho Prudentinho. Foi casado com Dona Henriqueta Furtado de Mendonça de Aguiar (Queta – irmã de sua cunhada Guilhermina). Faleceu em 1918, após acidentalmente ser ferido numa caçada na Vila de Angustura e por pertencer a Maçonaria foi condenado pela Igreja Católica ser sepultado em pé, condenação executada pelo padre Aristides Porto;
•• Francisca do Carmo de Aguiar, nascida em 29 de janeiro de 1881 e faleceu em 12 de março de 1883;
•• Bernardina do Carmo de Aguiar Pereira (Sinhá), nascida em Santo Antônio do Aventureiro no dia 20 de maio de 1883 e casou-se no dia 24 de junho de 1899, em Porto de Santo Antônio (Astolfo Dutra) com Cel. Antônio Pereira de Jesus, filho de José Pereira de Jesus e Dona Ambrozina Francisca de Azevedo Pereira.
Quirina Fortunata do Carmo de Aguiar, suas filhas Luiza do Carmo de Aguiar Teixeira e Bernardina do Carmo de Aguiar Pereira e ainda, seus netos Antônio e Edith

• Roberto de Morais Sarmento, casou-se em Santo Antônio do Aventureiro em 8 de novembro de 1879, com Anna Josephina Netto - Ninica, filha de João Baptista Corrêa Netto e Porcina Justina do Nascimento e alguns de seus filhos foram:

•• João de Morais Sarmento, nascido em 07 de outubro de 1880, foi batizado em 01 de janeiro de 1881 e faleceu meses depois;
•• Fortunato de Morais Sarmento Netto, nascido em 15 de abril de 1884 e foi batizado em 26 de abril de 1884;
•• Maria do Carmo Morais Sarmento;
•• Adalbeto de Morais Sarmento, batizado em 28 de fevereiro de 1891, sendo padrinhos Severino de Morais Sarmento e Maria do Carmo Pereira.
Filhos de Roberto de Morais Sarmento: Maria do Carmo de Morais Sarmento e ...

• Joana Fortunata do Carmo Machado, nascida em 1843 e casou-se em São José de Além Paraíba em 1859, com José Jorge Machado, nascido em 1815, não tiveram descendentes e faleceram na cidade de Miraí.

• Ritta Fortunata do Carmo Ribeiro, casou-se em São José de Além Paraíba em 06 de setembro de 1873, com o português Capitão Antônio José Ribeiro (Ribeirinho), proprietário da Fazenda Limoeiro em Santo Antônio do Aventureiro e tiveram os filhos:

•• Christiano Joaquim Ribeiro, nascido em 16 de agosto de 1874 e foi batizado em 18 de outubro de 1874 em Santo Antonio do Aventureiro. Foi casado com Alice Teixeira Ribeiro, filha do Cap. João Evangelista Teixeira e Dona Sebastiana Augusta Teixeira;
•• Leonor Augusta do Carmo Ribeiro de Aguiar, nascida em 21 de abril de 1882 em Santo Antônio do Aventureiro, casada com o primo Oscar Teixeira de Aguiar, filho do Capitão Prudente José Teixeira de Aguiar e Dona Quirina Fortunata do Carmo de Aguiar;
•• Maria Augusta Ribeiro - Sinhazinha, casada com o primo Ademar Corrêa da Silva (Sinhô), que era filho de José Custódio Corrêa da Silva e da prima Sophia do Carmo de Aguiar Silva. Ademar Corrêa da Silva casou-se em segundo matrimônio com Sebastiana Ribeiro (Taninha), filha de seu cunhado e primo Christiano Joaquim Ribeiro e Alice Teixeira Ribeiro;
•• Affonso Ribeiro, nascido em Santo Antônio do Aventureiro em 18 de agosto de 1878 e batizado em 30 de novembro de 1878 e faleceu na primeira infância;
•• Antônio José Ribeiro Filho, nascido em Santo Antonio do Aventureiro em 14 de dezembro de 1885 e batizado em 12 de abril de 1886 e faleceu na primeira infância;
•• Antônio José Ribeiro Filho (Zicote), nascido em 10 de dezembro de 1887 e batizado em 19 de janeiro de 1888. Foi casado com Mariquinhas Teixeira Ribeiro
filha do Cap. Álvaro dos Santos Teixeira e Dona Theodolina Ferreira Teixeira (Dulica) ;
•• Graciano José Ribeiro, casado com Maria Ribeiro (Maricota).
Ritta Fortunata do Carmo Ribeiro e seu esposo Cap. Antônio José Ribeiro

Cel. Christiano Joaquim Ribeiro

Família Ribeiro em Além Paraíba

Cecília Fortunata do Carmo Pereira e seu esposo Justino Alves Pereira

• Cecília Fortunata do Carmo Pereira, nasceu em 24 de agosto de 1856, em Limoeiro, faleceu em 24 de outubro de 1934 em Miraí, Casou-se em São José de Além Paraíba em 12 de junho de 1875 com Justino Alves Pereira, natural da Freguesia de São João de Portella, Arcebispado de Braga – Portugal, nascido em 12 de dezembro de 1846, era filho de Miguel Pereira e Dona Maria Alves, foi grande proprietário da Fazenda da Cachoeira na cidade de Mirai e tiveram os seguintes filhos:

•• Affonso Alves Pereira, nascido em Santo Antonio do Aventureiro em junho 1878 e batizado em 03 de novembro de 1878. Casou-se em primeiro matrimônio com Maria Dinah Sarmento Alves Pereira, filha do industrial Severiano de Morais Sarmento e em segundo matrimônio, com Laura Barbosa Alves Pereira. Em Mirai, tornou-se agricultor famoso, industrial, banqueiro e grande benemérito;
•• Fortunato Alves Pereira, nascido em Santo Antônio do Aventureiro em 26 de setembro de 1880 e batizado em 18 de dezembro de 1880, tornou-se grande fazendeiro e político me Mirai;
•• Constança Alves Pereira, nascida em Santo Antônio do Aventureiro em julho de 1885 e faleceu em 08 de novembro de 1885;
•• Justino Alves Pereira Junior, nascido em Santo Antônio do Aventureiro em 09 de junho de 1889 e casou-se com Guiomar Barbosa Alves Pereira, filha de Luiz Antônio M. Barbosa e Cecília Horta Barbosa.
Partido Republicano Miraense na emancipação de Miraí. Em pé da esquerda (segundo e terceiro)os irmãos Justino Alves Pereira e Affonso Alves Pereira
Jazigo da primeira esposa de Affonso Alves Pereira - Maria Dinah Sarmento Alves Pereira, filha do industrial Severiano de Morais Sarmento, no Cemitério Municipal de Juiz de Fora

Morais Sarmento em Juiz de Fora

O empresário Severiano de Almeida Moraes Sarmento era natural de Rio Novo, Minas Gerais, em 1867. Em 1887, ocupava-se no comércio do café; depois entrou para o comércio de todos os gêneros do país e estrangeiros, onde se conservou até 1908.

Transferiu-se para Juiz de Fora, fundando em 1908 a Fábrica de Fiação e Tecelagem Morais Sarmento. Manufatura de tecidos de algodão, tais como algodões crus, zefires, riscados, brins, toalhas etc., e fabrica também brins de linho.

Morais Sarmento em São João Nepomuceno

Daniel de Moraes Sarmento Junior era natural do Município de Rio Novo tendo nascido em 05 de novembro de 1864, era filho de Daniel de Moraes Sarmento e de D. Anna Luiza de São José.

Foi em O1 de julho de 1886 que se transferiu para São João Nepomuceno e em 09 de setembro de 1889 casou-se com a Sra. Dona Maria Petronilha de Moraes Sarmento - Dona Cota Sarmento, filha de Antonio Flodoardo Cardoso.

Daniel Sarmento foi chefe da casa comercial Sarmento e Cia e mais tarde da firma Sarmento Irmãos e Cia e em 20 de janeiro de 1894 iniciou junto com outros cidadãos a formação d a Companhia de Tecidos Mineiros cabendo-lhe. Mas a Fabrica teve vida curta e foi resolvida em assembléia a venda do acervo em 12 de dezembro sendo então aceita a proposta feita pelos irmãos Francisco Daniel de Moraes Sarmento, Emygdio de Moraes Sarmento e o maior acionista Daniel de Moraes Sarmento
A fabrica então passa a pertencer a Sarmento Irmãos & Cia. Portanto em 14 de julho de 1895 foram inaugurados os trabalhos.

Daniel Sarmento foi o precursor da iluminação elétrica em São João tendo para isto instalado uma rede de energia elétrica e de telefone não só para sua indústria, mas também para sua residência.
Em 01 de novembro de 1897 foi eleito vereador pelo Partido Republicano Mineiro e em janeiro de 1898 foi eleito Vice Presidente e reeleito ao cargo durante toda legislatura. No ano de 1900 novamente é conduzido a Câmara e por seus pares é novamente eleito Vice Presidente daquela Casa de Leis e o foi até o fim do mandato.

Daniel Sarmento veio a falecer em 17 de dezembro de 1908 contando apenas com 44 anos.

Morais Sarmento em Guarani

Na metade do século XIX, surgiu o povoado denominado Espírito Santo do Cemitério, que em 1881 passaria a se chamar Guarani.

Em novembro de 1882, transferiu-se residência para o arraial de Guarani o Cel. Avelino de Morais Sarmento que, mais tarde, governou o município emancipado. Em 1883, seu pai, Francisco de Morais Sarmento Júnior instalou-se também com toda a sua família.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

FAMÍLIA CERQUEIRA LEITE EM MINAS GERAIS

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Brasão da Família Cerqueira



Brasão da Família Leite



A Fazenda Mundo Novo - Simão Pereira MG - ainda guarda, quase intacta, a maior parte de sua belíssima arquitetura. O casarão, de 22 cômodos, foi construído pelo Barão de São João Nepomuceno - Desembargador Pedro de Alcântara de Cerqueira Leite, presidente da Província de Minas Gerais, em 1865. Até 1929, a propriedade se dedicou integralmente à produção do café. De lá para cá, tornou-se importante produtora de leite, atividade que preserva até hoje. Em 1995, a Mundo Novo, que é tombada pelo Estado, ganhou o Prêmio Nacional de Preservação.



Descendem de abastados proprietários rurais estabelecidos em Minas Gerais, que teve o início com o desbravador Manoel Cerqueira de Souza, casado com Mariana Leite, natural de Fervença. Deixou numerosa descendência, na qual, se incluir José de Cerqueira Leite, natural de Fervença que no fim do século dezoito, por volta do ano de 1797, estabeleceu-se no Município de Barbacena, à margem do rio Paraibuna, na Fazenda Rocinha Negra, com seus 1.092 hectares, em cujo cemitério estão sepultados quase todos os membros da família.
José de Cerqueira Leite foi casado com Anna Maria da Fonseca, natural de Cebolas, filha de Estevão da Fonseca e Maria de Santo Inácio. Foram proprietários das fazendas Rocinha Negra, da Constituição, Cabuhi e Rocinha do Lima, todas no Município de Simão Pereira; da Várzea; do Porto do Ataíde; da Gruta, com seus 1.288 hectares, no Município de Santana do Deserto, e da Soledade, no Município de Matias Barbosa. Deste casamento houve treze filhos, entre quais:
Padre José de Cerqueira Leite, vigário de Simão Pereira;
Cônego João Marciano de Cerqueira Leite, natural de Simão Pereira, proprietário da Fazenda da Constituição e Chefe do Partido Liberal em 1842;
Idelphonso de Cerqueira Leite, fazendeiro em Rancharia – Simão Pereira. O Distrito de Simão Pereira tem seu nome originado no primeiro sesmeiro daquela região: Simão Pereira de Sá. Depois passou denominar-se Rancharia, por se encontrar, naquelas paragens, a sede de grandes ranchos de tropas que trafegavam entre Minas Gerais e o Rio de janeiro, conduzindo ouro. Por Lei nº. 258, maio de 1858, teve seu nome modificado para São Pedro de Alcântara, em homenagem a Pedro de Alcântara de Cerqueira Leite;
Bernardina de Cerqueira do Vale Amado, casada com o Coronel Manoel do Vale Amado, abastado proprietário de terras, donatário de dezenove sesmarias concedidas pelo Rei de Portugal, entre elas a da Fazenda Nossa Senhora da Conceição, onde hoje é formada a cidade mineira de Matias Barbosa e entre seus filhos:
•• José Maria de Cerqueira Vale – Barão de Santa Mafalda; e
•• Amélia Cerqueira do Vale Amado, nascida em 1818 e falecida em 18 de junho de 1893, que pó seu casamento com seu tio Pedro de Alcântara de Cerqueira Leite, tornou-se Baronesa de São João Nepomuceno;
Desembargador Francisco de Paula de Cerqueira Leite, Magistrado e Deputado à Assembléia Geral Legislativa, por Minas Gerais, entre 1834 a 1848 e fundador da Fazenda de Porto do Ataíde;
Desembargador Pedro de Alcântara de Cerqueira Leite – Barão de São João Nepomuceno, nascido em Barbacena, em 28 de junho de 1807 e faleceu em sua fazenda em Simão Pereira, em 24 de abril de 1883. Logo depois de sua formatura em Bacharel em Direito foi nomeado Juiz Municipal de Barbacena, proprietário da Fazenda da Gruta, em Santana do Deserto e da Fazenda Soledade, em Matias Barbosa e em 16 de julho de 1864, foi nomeado Presidente da Província de Minas Gerais.
Foi agraciado com o titulo de Barão de São João Nepomuceno, em 15 julho de 1881 e foi casado com sua sobrinha, Amélia de Cerqueira do Vale Amado, filha de sua irmã Bernardina Cerqueira do Vale Amado e do Coronel Manoel do Vale Amado – não deixando geração;
Coronel Albino de Cerqueira Leite, nascido em 1808, na Fazenda Rocinha Negra, proprietário da Fazenda de Cabuhy, no Distrito de Simão pereira e foi casado com Ignácia Luiza de melo, filha do Barão de Pontal, Senador Manuel Ignácio de Melo e Souza;
Capitão José Joaquim de Cerqueira Leite, casou-se na Freguesia de Madre de Deus do Rio Angu – Angustura, no dia 6 de fevereiro de 1842, com Bárbara Francelina de Jesus – onde era proprietário rural e grande cafeicultor;
Capitão José Francisco de Cerqueira, proprietário rural e grande cafeicultor em Santo Antônio do Aventureiro, casou-se em na Freguesia de Madre de Deus do Rio Angu – Angustura, no dia 6 de fevereiro de 1842, com Maria Joaquina de Cerqueira, nascida no Município de João Gomes – atual Santos Dumont, em 1826, falecida em São José de Além Paraíba, em 14 de abril de 1896 e era filha de Mariano Joaquim de Cerqueira e de Anna Joaquina de Jesus e seus filhos foram:
•• José de Cerqueira Leite, nasceu na Freguesia de Madre de Deus do Rio Angu – Angustura, onde foi batizado em 8 de setembro de 1844;

Anna Joaquina de Cerqueira Leite e seu esposo José Carlos Ferreira, filho de Carlos José Ferreira e Carolina Maria de Jesus

•• Anna Joaquina de Cerqueira Leite, nascida em Santo Antônio do Aventureiro, no ano de 1851 e faleceu de insuficiência cardíaca, na Fazenda da Cachoeira em São José de Além Paraíba, no dia 29 de março de 1901. Casou-se em 25 de maio de 1872, às 2 horas da tarde, na Capela de Santo Antônio do Aventureiro com José Carlos Ferreira, que nasceu em 1853, era proprietário da Fazenda do Buraco Quente – na Terra Corrida, em Santo Antônio do Aventureiro e filho de Carlos José Ferreira e Carolina Maria de Jesus.
De seu casamento tiveram os filhos:
••• Guilhermina Ferreira de Cerqueira – “Tia Velha” - nascida em 2 de janeiro de 1876 e batizada no dia 30 de janeiro do mesmo ano, na capela de Santo Antônio do Aventureiro. Casou-se no dia 25 janeiro de 1876, na Fazenda Cachoeira, propriedade de sua avó Carolina Maria de Jesus e seu segundo esposo Capitão Vicente Mendes Ferreira Júnior, com Simplício Dutra de Morais, filho de Francisco de Oliveira Moraes e Michelina Dutra de Morais;
••• Theodolina Ferreira Teixeira – “Dulica” - nascida em Santo Antônio do Aventureiro, em 8 de março de 1873 e foi batizada em 19 de abril do mesmo ano, na Capela de santo Antônio do Aventureiro. Foi casada com o Capitão Álvaro dos Santos Teixeira, proprietário da Fazenda Córrego do Cedro, filho de Joaquim Manoel Teixeira e Maria Seraphina dos Santos Nora – descendente da família Souza Breves;
••• José Carlos Ferreira Júnior – “Juca Ferreira” - casado com a prima Maria Custódia de Cerqueira Leite, filha de Custódio de Cerqueira Leite e Felisbina Carlotta de Jesus;
••• Carlos Ferreira de Cerqueira, nascido em 1 de junho de 1874 e batizado em 15 de agosto do mesmo ano, na Capela de Santo Antônio do Aventureiro. Foi casado com a prima Josephina de Oliveira Senra – Finoca, filha de sua tia paterna Maria Carolina de Jesus – Mariazinha Senra e do capitão Pedro de Oliveira Senra;
••• Carolina Ferreira Senra – “Carola” - nascida em 2 de agosto de 1877, foi batizada em 23 de setembro do mesmo ano – na Capela de Santo Antônio do Aventureiro e seus padrinhos foram: Antônio Francisco de Cerqueira e sua avó Carolina Maria de Jesus e faleceu no dia 10 de novembro de 1920 de “Hemorragia post partum”. Casou-se com seu primo Carlos de Oliveira Senra, filha de sua tia paterna Maria Carolina de Jesus – Mariazinha Senra e do Capitão Pedro de Oliveira Senra;
••• Virgílio Ferreira de Cerqueira – “Loló” - nasceu em 15 de dezembro de 1879, foi batizado em 4 de abril de 1880, na Capela de Santo Antônio do Aventureiro e faleceu em 10 de julho de 1956, em Além Paraíba. Casou-se com Maria da Glória dos Santos Teixeira – irmã de seu cunhado Álvaro dos Santos Teixeira, filha de Joaquim Manoel Teixeira e Maria Seraphina dos Santos Nora – descendente da família Souza Breves;
••• Maria Ferreira Senra, nascida em 1884, casou-se com o primo Pedro de Oliveira senra Filho – Pepedro, filho de sua tia paterna Maria Carolina de Jesus – Mariazinha Senra e do Capitão Pedro de Oliveira Senra;
••• Anna Ferreira de Cerqueira – “Sanica” - casou-se com o marido de sua irmã falecida Carolina, Carlos de Oliveira Senra, filho de sua tia paterna Maria Carolina de Jesus – Mariazinha Senra e do Capitão Pedro de Oliveira Senra; e
••• Geraldina Ferreira de Rezende – “Geralda” - nasceu no ano de 1892, casou-se com Carlos Medeiros de Rezende, filho do Capitão José Medeiros de Rezende e Maria Rosa de Medeiros.;
•• Custódio de Cerqueira Leite, cafeicultor em Santo Antônio do Aventureiro, casou-se na Freguesia de Nossa Senhora de Madre de Deus do Rio Angu - Angustura, em 30 de abril de 1870, com Felisbina Carlotta dos Santos – filha de Joaquim Antônio dos Santos e Carlotta Casimira da Trindade e teve uma única filha:
••• Maria Custódia de Cerqueira Leite, foi casada com o primo José Carlos Ferreira Júnior – Juca Ferreira, filho de José Carlos Ferreira e sua tia paterna Anna Joaquina de Cerqueira Leite.;
•• Pedro de Cerqueira Leite Sobrinho, nasceu em 1858 e faleceu em 6 de setembro de 1905. Era proprietário da Fazenda Vargem dos Bambus, no local denominado Terra Corrida, em Santo Antônio do Aventureiro e foi segundo esposo, de sua cunhada Felisbina Carlotta de Cerqueira Leite, viúva de seu irmão Custódio de Cerqueira Leite e tiveram os seguintes filhos:
••• Etelvina de Cerqueira Leite, casada com o primo Francisco Dutra de Cerqueira, filho de Antônio Dutra de Morais e sua tia Guilhermina de Cerqueira Leite e seus filhos foram: Zilda Dutra de Cerqueira, casada com o primo Pedro Dutra de Cerqueira, filho de Álvaro Ferreira de Cerqueira e Carlotta de Cerqueira Leite; Pedro Dutra de Cerqueira casado com Maria José Dutra de Cerqueira; Antônio Dutra de Cerqueira, casado com Isaura de Cerqueira; José Dutra de Cerqueira, casado com Maria de Souza Moreira; Joaquim Dutra de Cerqueira, casado com Nair de Cerqueira; Maria de Lourdes Dutra de Cerqueira, casada com Alfredo Dutra de Morais; Zilca Dutra de Cerqueira, solteira; Felisbina Dutra de Cerqueira, casada com Orlando Teixeira Ferreira, filho de Virgílio Ferreira de Cerqueira e Maria da Glória dos Santos Teixeira; e Marina Dutra de Cerqueira.; e
••• Carlotta de Cerqueira Leite, casada com o primo em segundo grau Álvaro Ferreira de Cerqueira, filho do primo Carlos Ferreira de Cerqueira e de Josephina de Oliveira Senra;

Guilhermina de Cerqueira Leite e seu esposo Antônio Dutra de Morais

•• Guilhermina de Cerqueira Leite, nascida em 1860, foi casada com Antônio Dutra de Morais, proprietário rural em Santo Antônio do Aventureiro e tiveram os seguintes filhos:
••• José Dutra de Cerqueira, casado com Jovina Teixeira Tavares e um de seus filhos foi: Antônio Dutra Netto – fundador da empresa alemaparaibana Transporte Dutra e foi casado com Zilda de Paula Dutra;
••• Pedro Dutra de Cerqueira, casado em primeiro matrimônio com Zulmira Teixeira Rios e em segundo matrimônio com Isaurina Dutra Senra, filha de Manoel de Oliveira Senra – Gogosta e Cristiana de Oliveira Senra;
••• Theophilo Dutra Senra, casado com Maria da Glória Dutra Senra, filha de Manoel de Oliveira Senra e Cristiana de Oliveira Senra;
••• Francisco Dutra de Cerqueira, casado com Etelvina de Cerqueira Leite, filha do tio Pedro de Cerqueira Leite Sobrinho e Felisbina Carlotta de Cerqueira Leite;
••• Elvécio Dutra de Cerqueira faleceu solteiro;
••• Maria Dutra de Cerqueira, casada com José de Oliveira Sobrinho – Juca Senra, filho do Capitão Pedro de Oliveira Senra e tiveram as filhas: Maria da Glória Dutra Senra – Glorinha, casada com seu primo José Antônio de Oliveira Senra, filho de Antônio de Oliveira Senra e Carolina de Oliveira Senra; e Guilhermina Dutra Senra – Filhinha, casada com Aldo Gomes.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

HENRIQUE HERMETO CARNEIRO LEÃO – BARÃO DO PARANÁ

Por Mauro Luiz Senra Fernandes







A Família de origem portuguesa, da região do Porto, estabeleceu-se no Brasil na metade do século dezoito, principalmente em Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Para Pernambuco veio Manuel Netto Carneiro Leão e para Minas seu irmão Antônio Netto Carneiro Leão, que adquiriu datas de terra no então Arraial de São Luiz e Santana de Paracatu, para exploração de ouro e onde amealhou considerável fortuna.

Henrique Hermeto Carneiro Leão, titular do Império pelo Decreto de 16 de maio de 1888, nasceu na Província do Rio de Janeiro em 22 de novembro de 1847 e faleceu em 16 de março de 1916.

Era filho de Honório Hermeto Carneiro Leão, Marquês do Paraná – Ministro do Império, e de Maria Henriqueta Carneiro Leão, era neto paterno do Coronel Nicolau Neto Carneiro Leão e de sua primeira esposa, Joana Severiana Augusta Leonor e neto materno de João Neto Carneiro Leme e Anna Maria Leme, natural do Tijuco, hoje Diamantina, dos Lemes de São Paulo.

O Barão era uma figura austera e imponente, com suas suíças impressionantes. Foi casado com Zeferina Marcondes e com quem não teve filhos, filha do Comendador Francisco Marcondes Machado - falecido em 1872 e de Maria dos Remédios Marcondes dos Santos, neta paterna de José Machado Silva e Clara Francisca Marcondes do Amaral.

Fez o curso de Humanidades no Colégio Pedro II e em 1870 formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
Foi adiantado fazendeiro no município fluminense de Sapucaia, onde com a morte de sua mãe, herdou a Fazenda do Lordello, banhada pelo córrego do Coruço e fica defronte a cidade de Além Paraíba. Foi um grande incentivador e colaborador do Dr. Paulo da Fonseca, para a construção do Hospital São Salvador em Além Paraíba.

O Barão do Paraná era irmão de Nicolau Neto Carneiro Leão, Barão de Santa Maria,de Maria Henriqueta Carneiro Leão, que se casou com Jerônimo José Teixeira Júnior, Visconde do Cruzeiro e Maria Emília Carneiro Leão, que se casou com Constantino Pereira de Barros, Barão de São João do Icaraí.

Seus conhecimentos científicos lhe proporcionaram várias contribuições no campo genético, desenvolveu a raça de gado zebuíno e podemos citar que foi um dos pioneiros no cruzamento industrial.

Em suas raras aparições em Além Paraíba eram espetaculares, de hábitos extravagantes, chamava a atenção quando atrelava em suas carruagens uma ajaezada parelha de zebróides, cruzamento de zebra com cavalo, que lhe rendeu uma medalha de honra ao mérito na Europa.

O Barão administrou a Fazenda do Lordello até morrer em 15 de março de 1916, a propriedade passou, em sistema de usufruto, para sua esposa, Zeferina Marcondes Carneiro Leão. O casal não tendo filhos, desde então, a fazenda passou por vários proprietários.


A Fazenda Lordello é uma das mais bonitas da região, foi construida na primeira metade do século XIX, em estilo mourisco pelo Marquês do Paraná, que no ano de 1841, adquiriu mais terras que faziam rumo com Lordello. Em 27 de março, o marquês do Paraná comprou do casal Manoel Antônio dos Santos e Maria Bernarda de Jesus mais uma porção; em 30 do mesmo mês, mais um tanto de D. Anna Victoria de Jesus; em 24 de maio, mais outra gleba de D. Constança Maria de Jesus e, finalmente, em 20 de marco de 1848, mais uma porção adquirida de Francisco José Soares e sua mulher D. Anna Umbelina Barbosa, completando assim uma área que correspondia, na época, a pouco mais que duas sesmarias de meia légua em quadra, ou seja, 500 alqueires geométricos de terra.
Mas sua localização perto da divisa fez com que sempre tivesse sua história ligada à Além Paraíba.
Atualmente, a Fazenda do Lordello serviu de cenário para a novela global "Irmãos Coragens" e o filme "Xangô de Baker Street".



O Barão do Paraná,em suas raras aparições em Além Paraíba eram espetaculares, de hábitos extravagantes, chamava a atenção quando atrelava em suas carruagens uma ajaezada parelha de zebróides, cruzamento de zebra com cavalo, que lhe rendeu uma medalha de honra ao mérito na Europa.

Adaptação dos textos de Egberto Mattos,José Aluísio Botelho e Carlos Eduardo Barata

domingo, 17 de outubro de 2010

A LENDA QUE ENVOLVE DONA MARIA I E TIRADENTES

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




A região que se encontra o município de Além Paraíba, era coberta de grandes matas, habitadas por índios e em virtude da inexistência de ouro e pedras preciosas, era quase abandonada pela “Coroa”. Até os fins da segunda metade do século dezoito, era conhecida apenas pelos tropeiros que, vindos da Corte, demandavam ao aldeamento do Pomba e o Presídio de São João Batista ou pelos traficantes de ouro vindo da Zona da Mineração.
Com o aparecimento do ouro em Cantagalo, fugiram para lá o contrabandista “Mão de Luva” e seu comparsa Padre Guimarães.
O Governador da Província de Minas Gerais – Dom Luiz da Cunha Menezes, envia para essa região o Sargento-Mór Pedro Afonso Galvão de São Martinho com a finalidade de prender o Contrabandista “Mão de Luva” e o seu comparsa e instalar um “Registro” (posto de fiscalização) visando a deter o contrabando do ouro. Em junho de 1784, o militar cumpre parte de sua missão: Instala o “Registro” anexo a um cais de madeira, para atracação de balsas que cruzavam o Rio Paraíba do Sul.
A diligência chefiada por São Martinho fez escala por Rio Pomba e fazia parte desse comando o Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o “Tiradentes”, que se achava na Ronda do Mato, pois desempenhava o papel mais importante, misto de argumensor e de engenheiro de minas – pois a esse tempo já se revelava os conhecimentos gerais de que era dotado e reconhecidos pela própria Rainha de Portugal que chegou a lhe confiar missão certa responsabilidade e de confiança, foram aos sertões de Macuco, onde estava Mão de Luva.

Monumento do Inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, na cidade Tirandentes MG



Quanto a condenação e enforcamento de Tiradentes, multiplicaram-se as versões através do tempo. Uma delas, sem poder comprovar cientificamente até onde é verdade, conta-nos Acácio Ferreira Dias, em “Terras de Cantagalo”, que no ano de 1758 o nobre fidalgo português Manoel Henriques, Duque de Santo Tirso, que vivia tranquilo em seu Ducado, seduzido pela princesa sua amada, Dona Maria, meteu-se numa terrível conjuração que o levou à cadeia em “Limoeiro” – Lisboa e no enforcamento dos Távoras.
Escapou do cadafalso, graças à interferência de sua amada a princesa Maria de Bragança, filha de Dom José I, que subiu ao trono em 1777, com o nome de Dona Maria I, morrendo louca na cidade do Rio de Janeiro em 1816.


Sua amada, podendo livrá-lo da forca, não pôde evitar o seu exílio para as terras da Colônia do Brasil, para onde veio sob a garantia de que teria permanentemente a mão direita calçada pela luva negra que lhe marcou a existência, com o apelido de “Mão de Luva”.
No Brasil, exilado como malfeitor, tornou-se um chefe garimpeiro. Começou nas cabeceiras do rio Tripui, em Ouro Preto. Mais tarde, perseguido atravessou o rio Paraíba do Sul, na Aldeia das Pedras, hoje Itaocara e com seu grupo de onze companheiros subiu o vale do Rio Negro até chegar o Morro do Fundão, em Cantagalo.
O Vice Rei de Portugal, Dom Luiz de Vasconcellos e Souza, recebendo denúncias de que no sertão de Cantagalo vagavam aventureiros extraindo muito ouro, mandou cerca-los.
No ano de 1786, “Mão de Luva” e seu bando foram capturados e já dominado, Tiradentes deixa São Martinho em Cantagalo e atravessa o Rio Paraíba do Sul, no Porto do Cunha (hoje, Porto Velho do Cunha) rumou pelo Vale do Paraíba para a Aldeia da Pedra até a Barra do Pomba , onde tomou caminho dos Campos de Goitacases e “mão de Luva foi levado preso para Vila R ica.
Dona Maria I, casou-se com o Infante Dom Pedro (seu tio) e o Duque de Santo Tirso, morre na viagem de degredo em Moçambique. Em sua confissão a bordo pediu ao confessor capelão que entregasse à Dona Maria o crucifixo de ouro e a luva preta recebidos das mãos de sua amada.
O padre confessor cumpriu sua promessa e Dona Maria enlouqueceu.
Dona Maria, conhecida como bondosa, perdoou a todos inconfidentes, inclusive aos seus grandes mentores, poupando-lhe da forca, à exceção de Tiradentes. Não pela atuação deste na Conjuração Mineira, a qual não se comparava a de Thomaz Antônio Gonzaga ou a de Cláudio Manoel da Costa, mas porque o alferes perseguira o seu amado Duque de Santo Tirso que ela traíra, esquecendo sua jura de amor, sentindo-se, profundamente arrependida dessa traição, numa emoção que a levara à loucura ao saber que ninguém mais beijara aquela mão que ela cobria com uma luva preta.

Quadro de autoria de Pedro Américo - acervo do Museu Mariano Procópio - Juiz de Fora MG

Durante os anos em que “Mão de Luva” agiu naquela região aurífera, dizem que teria enterrado preciosos tesouros em algumas grutas.
Acredita-se que o nome da cidade de Cantagalo deve-se ao fato de que a expedição de Pedro Afonso Galvão de São Martinho, cansada de procurar Mão de Luva, teria sido levada ao local de seu acampamento devido ao canto de um galo.
Há quem diga que nas proximidades da Pedra Riscada, em Nova Friburgo, teriam sido encontrados alguns tesouros escondidos por Mão de Luva.

Adaptação do texto de Acácio Ferreira Dias

sábado, 9 de outubro de 2010

PADRE VICENTE FERREIRA MONTEIRO DE CASTRO E SEUS DESCENDENTES

Por: Mauro Luiz Senra Fernandes


Fazenda Bom Jardim - Angustura - Além Paraíba, MG

A família Monteiro de Castro faz parte do ramo da família Monteiro de Barros. Importante família de abastados proprietários rurais, estabelecida em Minas Gerais. A união dos dois sobrenomes teve princípio no Comendador Domiciano Ferreira de Sá e Castro, filho de Francisco Ferreira dos Santos e de Dona Helena Maria Negreiros Castro. Dedicou-se a mineração, não só em Minas Gerais como também na Província do Rio Grande do Sul.
Deixou vasta descendência de seu casamento em 1799, com Dona Maria do Carmo Monteiro de Barros, filha do Guarda-Mor das Minas de Ouro Preto Manoel José Monteiro de Barros, senhor da sesmaria de Gales de Cima, em São João Del Rey e Dona Margarida Euhrasia (Euphrosina) da Cunha Mattos, natural de Pilar de Ouro Preto.
De seu casamento nasceram os seguintes filhos:
Francisco Ferreira dos Santos, “Chico Mineiro”, que em 1824, servia como ajudante de administrador da Fazenda Real em Santa Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul; Padre Vicente Ferreira Monteiro de Castro; Matheus Herculano Monteiro de Castro; Manoel José Monteiro de Castro, nascido em 1805 e faleceu em 1865 na cidade de Leopoldina, foi agraciado com o titulo de Barão de Leopoldina e foi casado com sua prima Clara Monteiro de Barros Galvão de São Martinho; Jacintho Manoel Monteiro de Castro; Lucas Antônio Monteiro de Castro, agraciado com o título de Segundo Barão de Congonhas do Campo, casou em primeiro matrimônio com sua sobrinha Helena Monteiro de Barros, filha de sua irmã Maria da Conceição e em segundo, com Belarmina Monteiro de Barros; José Joaquim Monteiro de Castro; Maria da Conceição Monteiro de Castro, casada com o Coronel José Joaquim Monteiro de Barros; Anna Helena Monteiro de Castro; Margarida Euphrasia Monteiro de Castro; Joana Monteiro de Castro; e Dominciano Antônio Monteiro de Castro.
O Padre Vicente Ferreira Monteiro de Castro nasceu na cidade mineira de Congonhas do Campo, aproximadamente em 1802. Habilitou-se em “De Genere et Moribus” em Mariana, no ano de 1823 e Ordenou-se na mesma localidade em 2 de maio de 1825.
Foi o segundo filho do casal Domiciano Ferreira de Sá e Castro e de Dona Maria do Carmo Monteiro de Barros, uma das mais respeitáveis famílias de Minas Gerais.
No ano de 1840 foi nomeado para Vigário da Capela do Arraial de Madre de Dios do Angu – Vila de Angustura - em São José de Além Paraíba, onde ficou até 1858 e substituído pelo Monsenhor Henrique Borges de Souza Aciole.
Foi transferido para Paróquia de São José de Além Paraíba em 1859 e faleceu em 1863 na Fazenda do Bom Jardim no Distrito de Angustura, onde foi vigário de São José de Além Paraíba até 6 de maio de 1863, quando faleceu e foi sepultado no Cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento.
Conforme fonte oral e através de pesquisas confrontadas nos livros de batismos de Congonhas e em Angustura, o Padre Vicente teve vários filhos naturais, o primeiro foi com Joana Angélica:
José Joaquim Ferreira Campos, nascido em Congonhas do Campo onde se casou com Ritta Maria da Conceição e falecido em 1916. Recebeu o nome do irmão do Padre Vicente – José Joaquim Monteiro de Castro.

Os outros filhos foram de Cândida Maria da Conceição, que viveu e residiu na Fazenda do Bom Jardim em Angustura, com o Padre Vicente entre 1840 até 1859, quando faleceu e seus filhos foram:

Elisa Maria da Conceição que nasceu aproximadamente em 1840, na Fazenda Bom Jardim, foi casada com Antônio da Silva Ferreira e faleceu em 20 julho de 1909. Tiveram os seguintes filhos: Albertino, batizado em Angustura pelo próprio Padre Vicente e Augusto da Silva Ferreira, afilhado dos avós Padre Vicente e Cândida Maria, foi casado com Antonietta Diniz Ferreira e foi proprietário da Fazenda da Cruz em Marinópolis;
Patrocínia Maria da Conceição que nasceu aproximadamente em 1848, na Fazenda do Bom Jardim, foi casada com o português José Antônio de Albuquerque que administrou a fazenda onde ela nasceu;
José Joaquim de Castro que nasceu aproximadamente em 1844, na Fazenda Bom Jardim e faleceu antes de 1916. Foi casado sem deixar descendentes com Ritta Maria da Conceição, na cidade de Congonhas do Campo (José Joaquim é o nome do irmão do padre Vicente, José Joaquim Monteiro de Castro);
Antônio José de Castro que nasceu aproximadamente em 1848, na Fazenda Bom Jardim e faleceu em 14 de novembro de 1870 (Antônio Joaquim é o nome do primo do Padre Vicente, Antônio José da Fonseca Monteiro de Barros);
Maria do Carmo de Castro que nasceu aproximadamente em 1850, na Fazenda Bom Jardim. Em 25 de fevereiro de 1865, casou-se com o português Bernardino Costa de Oliveira (Maria do Carmo é o nome da mãe do Padre Vicente, Maria do Carmo Monteiro de Castro);
Vicente Ferreira de Castro que nasceu aproximadamente em 1852, na Fazenda Bom Jardim e faleceu na cidade mineira de Palma – recebeu o nome do próprio pai;
Francisco Ferreira de Castro que nasceu aproximadamente em 1855, na Fazenda Bom Jardim. Foi casado com Philomena Graciosa de Castro (Francisco é o nome do avô do Padre Vicente, Francisco Ferreira dos Santos);
Domiciano Ferreira de Castro que nasceu aproximadamente em 1856, na Fazenda Bom Jardim. Foi casado Guilhermina Antunes de Castro (Domiciano é o nome do pai do Padre Vicente, Domiciano Ferreira de Sá Castro);
Margarida Euphrasia de Castro que nasceu aproximadamente em 1857, na Fazenda Bom Jardim. Foi casada em primeiro matrimônio com Faustino José Rodrigues Campos e em segundo, com Manoel Barcellos Machado. Entre os filhos do primeiro matrimônio registra-se: Desembargador Francisco de Castro Rodrigues Campos, casado com Regina Martins Soares e eram pais do Governador de Minas Gerais Dr. Milton Campos (Margarida Euphrasia é o nome da avó do Padre Vicente, Margarida Euphrasia da Cunha Mattos);
Francisca Monteiro de Castro que nasceu aproximadamente em 1859, mesmo ano do falecimento de sua mãe, na Fazenda Bom Jardim. Casou-se em Angustura, em 15 de outubro de 1873, com João Celestino Ferreira (Francisca é o nome da prima do Padre Vicente, Francisca de Assis Monteiro de Barros Galvão de São Martinho).

Fonte: Celso Falabella de Figueiredo Castro e João Batista Vieira Vidal



Fazenda Bom Jardim - Angustura - Além Paraíba, MG

domingo, 3 de outubro de 2010

UMA FAZENDA NA TERRA CORRIDA DE SANTO ANTÔNIO DO AVENTUREIRO MG

Por Mauro Luiz Senra Fernandes





Essa fazenda fica na Terra Corrida, subida da serra de Santo Antônio do Aventureiro - MG.
No século dezenove, essa fazenda era de propriedade da família Alves Garcia e Taranto, pertencia ao industrial Nicolau Taranto e sua esposa Carolina Taranto. Carolina recebeu por herança de sua mãe, Carlotta Carolina de Jesus, casada com seu primo Carlos Alves Garcia e fazia parte da sesmaria comprada por seu avô materno, Carlos José Ferreira e Carolina Maria de Jesus.
A fazenda foi vendida para a família Dutra de Morais e até hoje pertence ao neto do comprador.

Santo Antônio do Aventureiro, MG

SER MINEIRO

Carlos Drumonnd de Andrade

Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo que sabe,
é falar pouco e escutar muito,
é passar por bobo e ser inteligente,
é vender queijos e possuir bancos.

Um bom Mineiro não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranho,
só acredita na fumaça quando vê o fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão por dois voando.

Ser Mineiro é dizer "uai", é ser diferente,
é ter marca registrada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.

Ser Mineiro é ver o nascer do Sol
e o brilhar da Lua,
é ouvir o canto dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.

Ser Mineiro é ser religioso e conservador,
é cultivar as letras e artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política e amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter vida interior,
é ser gente.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

MANOEL ALVES GARCIA E A FAZENDA BOA VISTA EM SANTO ANTÔNIO DO AVENTUREIRO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




A corrida na grande área povoada pelos Puris surgiu a partir da primeira década do século dezenove, quando se irradiou o interesse pelas lavouras de café no Vale do Paraíba e, na Zona da Mata Mineira, os grandes senhores, vindos da zona da mineração da Província de Minas Gerais – São João Del Rey, Mariana, Congonhas, Barbacena, receberam sesmarias.
Grandes famílias se formaram desta busca pelas terras férteis do lado as Minas Gerais, povoando a larga faixa dos “Sertões do Leste”, e, das matas virgens surgiram grandes fazendas de café cujo esplendor, decantado por viajantes, deixou de brilhar quando faltou o braço valente do negro escravo.
Um desses corajosos e destemidos pioneiros foi Manoel Alves Garcia, que nasceu em Ibitipoca no ano de 1804 e faleceu em 19 de agosto de 1888, era filho de Manoel Alves Antunes e Maria Angélica de Santo Ignácio e neto materno de José Rodrigues Braga e Bernardina Caetana do Sacramento – tia do pioneiro Antônio Dutra Nicácio.
Casou-se no ano de 1830, com Bernardina Carolina de Jesus, nascida em Barbacena no ano de 1818 e era filha do Cel. João Ferreira da Fonseca e Josepha Maria de Assumpção.
De seu matrimônio, tiveram os seguintes filhos:
• Cândido Alves Garcia, faleceu criança;
• Elias Alves Garcia, batizado em 30 de julho de 1843 em São José de Além Paraíba, era fazendeiro em Santo Antônio do Aventureiro, foi casado com Mariana Antônia de Jesus;
• Carlos Alves Garcia, era fazendeiro em Santo Antônio do Aventureiro, casou-se no dia 1 de outubro de 1870, na Fazenda da Boa Vista, com Carlotta Carolina de Jesus, filha de Carlos José Ferreira e sua prima Carolina Maria de Jesus;
• José Alves Garcia, nascido em 1833;
• Honório Alves Garcia, fazendeiro em Santo Antônio do Aventureiro, nasceu no ano de 1835;
• Prudente Alves Garcia, fazendeiro em Santo Antônio do Aventureiro, nasceu em 1837 e casou-se com Maria Gertrudes dos Santos Garcia;
• Luiza Alves Garcia, nasceu na Fazenda da Boa Vista, casou-se em janeiro de 1875, com o Capitão José de Oliveira Senra, filho de Manoel de Oliveira Senra proprietário da Fazenda Vargem Grande do Rio Angu – em Monte Verde e Maria Luiza de Jesus.
O Capitão José de Oliveira Senra, foi proprietário da Fazenda Deus Proteja, em Santo Antônio do Aventureiro;
• Camilla Carolina de Jesus, casada com o primo Rodolpho Martins do Couto, proprietário da Fazenda Estrela, filho dos tios Antônio Martins do Couto e Maria Victória de Jesus;
• Josephina Carolina de Jesus casou-se no dia 1 de julho de 1871, com João Ferreira Martins, nascido e batizado na Capela do Curral Novo, filho de José Ferreira Martins e Eupharia Philomena de Jesus; e
• Cândida Carolina Alves Garcia, que nasceu em 1851, na Fazenda Boa Vista em Santo Antônio do Aventureiro, faleceu na Fazenda da Barra do Peixe em 1889 e foi a segunda esposa de seu tio Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca.
Por influência da família de sua esposa, os Ferreira da Fonseca e Ferreira Armond, Manoel Alves Garcia veio para a região próxima de Além Paraíba e formou a prospera Fazenda da Boa Vista, localizada nas proximidades da Fazenda Barra do Peixe, que pertencia ao seu cunhado e mais tarde genro, o Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca.
Alves Garcia passou alguns anos na vida árdua e braçal, acompanhado de seus escravos e outros empregados, derrubando matas, preparando os campos para o plantio, construindo as senzalas e o casario de serviço e tudo o que envolvia a implantação da “Boa Vista”.
As primeiras colheitas, cinco anos depois, asseguraram o empreendimento promissor e foi iniciada a construção do casarão para a moradia de sua família, e a capela onde a maioria dos filhos se casou. A grande fazenda, no início de sua formação, pertencia a Mar de Espanha, depois a Além Paraíba e atualmente a Santo Antônio do Aventureiro após sua emancipação política.

Fazenda Boa Vista em Santo Antônio do Aventureiro - MG

terça-feira, 14 de setembro de 2010

COMENDADOR ANTÔNIO CARLOS TEIXEIRA LEITE

Por: Mauro Luiz Senra Fernandes




Nascido em 26 de julho de 1810, no município mineiro de São João Del Rey e faleceu no dia 20 de outubro de 1877, no município fluminense de Vassouras.

Pertencente a uma família de abastados cafeicultores fluminense - da chamada aristocracia cafeeira do Vale do Paraíba, era filho de Francisco José Teixeira - Barão de Itambé e de Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro (1781-1864).

Era neto paterno do Capitão Francisco José Teixeira e Anna Josepha de Souza Rios e era neto materno do Sargento-Mór José Leite Ribeiro e Escolástica Maria de Jesus Morais.

Casou-se em primeiro matrimônio com sua prima-irmã Maria Jesuína Teixeira, filha de José Joaquim Teixeira e Mariana Osório Teixeira de Souza e teve uma filha com o nome de Guilhermina, que foi crismada em Angustura no ano de 1843.

Como falecimento de sua primeira esposa, casou-se com sua cunhada e prima, Umbelina Cândida Teixeira, nascida em 1823 e faleceu em 1873.

De seu segundo matrimônio, tiveram os seguintes filhos: João Olimpio Teixeira Leite; Antônio Carlos Teixeira Leite Filho, casado com Emiliana Diniz de Figueiredo Côrtes; Custódio Teixeira Leite Sobrinho, casado com Francisca Brito Teixeira Leite; Umbelina Teixeira Leite – Baronesa de São Geraldo, casada com Joaquim José Álvares dos Santos Silva – Barão de São Geraldo; Ernestina Teixeira Leite, casada com Alfredo Leite Ribeiro; Carlos Alberto Teixeira Leite; Jorge Luiz Teixeira Leite, casado com Júlia da Silva Teixeira Leite; e Luciano Arnaldo Teixeira Leite.

Barão e Baronesa de São Geraldo

No ano de 1874, inaugurava-se a Estrada de Ferro Leopoldina, ligada à economia do café, em expansão a partir de meados do século XIX, a ferrovia nasceu da iniciativa de fazendeiros e comerciantes da Zona da Mata Mineira, acostumados a transportar a produção de café da maneira tradicional, por tropas de mulas, até os portos do litoral. No retorno, os tropeiros traziam produtos manufaturados e um dos principais financiadores da construção foi o Comendador Antônio Carlos Teixeira Leite.
Os trabalhos desenvolveram-se com rapidez, sendo esse trecho inaugurado em 8 de outubro de 1874, na presença do Imperador D. Pedro II e de autoridades civis e eclesiásticas. Este trecho contava com três estações - São José (São José d’Além Parahyba), no quilômetro 3, Pântano (atual Fernando Lobo), no quilômetro 12, e Volta Grande, no quilômetro 27 -, cinco locomotivas (duas Rogers, duas Baldwin e uma belga, batizadas de Visconde de Abaeté, Conselheiro Theodoro, Godoy, Cataguazes e Pomba), oito carros de passageiros e quarenta e oito vagões de carga.
Em Além Paraíba, o Comendador Antônio Carlos foi proprietário da Fazenda do Pântano, que mais tarde passou a pertencer ao seu genro Barão de São Geraldo, na atual localidade de Fernando Lobo. Em abril de 1881, a Fazenda do Pântano recebeu a ilustre visita do Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Dona Thereza Cristina, quando estavam em viagem à Província de Minas Gerais.
A Estação do Pântano recebeu, futuramente, o nome de Antônio Carlos e, hoje, é chamada de Fernando Lobo.

O Imperador Dom Pedro II

Documento pertencente ao Comendador Antônio Carlos Teixeira Leite


Capela Nossa Senhora do Rosário - completamente abandonada, esta situada na antiga Fazenda Pântano em Volta Grande - MG. Sua construção iniciou em 1876 com término em 1879



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MIGUEL ANTÔNIO PAIVA - Um Padre Que Fundou Uma Cidade

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




A imagem de São José de Botas do final do século dezoito, é um marco do povoamento de Além Paraíba


Formação do Arraial de São José da Parahyba

Desde os primórdios momentos da mineração aurífera, especialmente após a Guerra dos Emboabas – 1709, a entrada e saída na Zona da Mineração começaram a ser controladas. Ninguém entrava ou saía sem permissão das autoridades reais. Em seguida, a proibição de abertura de novos caminhos nas direções Lestes (região que se encontra Além Paraíba) e Oeste. Nos caminhos oficiais havia uma severa vigilância militar e burocrática. A Zona da Mata Leste constituía-se em uma verdadeira barreira natural. Era intransponível em face das próprias condições naturais e dos indígenas que atacavam pequenos grupos ou pessoas isoladas.

A região de Leopoldina e Além Paraíba era considerada o último refúgio dos puris escorraçados pelos mineradores.

As escassas publicações ou artigos de jornais que versaram sobre o assunto, deram ao padre Miguel Antônio de Paiva as honras de ter fundado o primitivo núcleo que se transformou na cidade de Além Paraíba.

Padre Paiva, como era conhecido; nasceu na Freguesia de Santa Maria, Comarca de Chaves, Arcebispado de Braga – Portugal, filho de Manoel Antônio de Paiva e Maria Gonçalves, veio para o Rio de Janeiro onde foi ordenado presbítero.
Sua sesmaria, no “Sítio das Três Barras”, virando “Aventureiro”, cujo título data de 10 de dezembro de 1816, foi quase toda vendida, mais tarde, a Theodoro de Faria Salgado. Faleceu em outubro de 1826.

Conforme cita Falabella em “Os Sertões do Leste”, Padre Paiva deixou como herdeiro o Capitão Manoel de Almeida, contra quem Faria Salgado, em 1828, ajuizou uma questão judicial após seu falecimento.

Citam o Alferes Maximiano José Pereira de Souza (nascido em 1795) como tendo escolhido uma vargem para logradouro da Capela, perto das terras do Padre Paiva, em 1811, quando aquele Sacerdote sequer sonhava com a missão que lhe haveria de caber mais tarde.
Em 1816.quando o Padre Paiva aportou à margem do Rio Paraíba do Sul, já existia o Registro do Porto do Cunha, fundado em 1784 por Pedro Afonso Galvão de São Martinho, quando primeira diligência pelos “Sertões do Leste”.

Também, já existia o núcleo de povoamento em Porto Novo do Cunha que, hoje, como sabemos, constitui com Além Paraíba uma só cidade. Se o Padre baldeou-se para às margens do Rio Limoeiro, local menos endêmico, fê-lo porque, em 1812, o Revendo José Venâncio Ribeiro Filho, Vigário da Freguesia do Santíssimo Sacramento de Novas Minas de Cantagalo, por determinação do Bispo do Rio de Janeiro, já havia escolhido o terreno e erigido a cruz, demarcando o cemitério.

Na verdade, todavia, o Padre Miguel Antônio Paiva transformou-se numa figura lendária, vigário que foi da primeira Freguesia de São José da Parahyba, de 1818 à 1826.

O primeiro batizado feito pelo Padre Paiva deu-se a 26 de julho de 1818, na Fazenda Santana; o primeiro enterro, fê-lo de Felizarda Mina, escrava de Daniel Nunes de Montes, em 28 de setembro de 1818.
Foi numa vargem, distante três cordas e sete braças do Ribeirão do Limoeiro, a paragem escolhida para fixação do primitivo marco de medição e demarcação do quarto de terras que seria destinado ao logradouro da Freguesia de São José da Parahyba.

Padre Paiva pôs mão à obra e, no ano seguinte, fez erigir a ermita no local, onde havia um cruzeiro, nela colocado a imagem de São José, com a invocação de São José da Parahyba. Comprou de José Ângelo de Souza um outro terreno que mandou demarcar e medir judicialmente para patrimônio, cujos títulos forma registrados no Primeiro Tabelião de Barbacena, em 5 de janeiro de 1819.

Em 1835, ainda se erguia, à margem do Limoeiro, a Capela dos Índios – branca, simples, tendo em frente um pequeno cemitério, distante uns cem metros da casa onde residiu o Padre Paiva.
Parece não restar dúvida que Porto Novo nasceu antes de Além Paraíba.

A LENDA DO PADROEIRO

As lendas são para a história o que as flores são para vida: enfeitam-na. Embelezam-na. Dão-lhe matiz agradável, suave e pitoresco.

Em torno da imagem que Padre Miguel Antônio Paiva colocou na Capela dos Índios em 5 de janeiro de 1819, conforme seu próprio relato, formou-se uma lenda. A imagem existe, conservada na Igreja Matriz de São José em Além Paraíba.

Surgiu, pois, a lenda – fruto da crendice popular e sua simplicidade em explicar fatos não de todo esclarecidos.

A poesia do historiador alemparaibano Dr. Octacílio Coutinho traduziu o acontecimento – o achado do padroeiro e sua retirada das águas, da seguinte maneira:

O PADROEIRO



Diz à lenda que um dia, junto ao rio assentado,
Frei Miguel, mudo, sozinho, meditava preocupado.
Vez por outra a vista erguia, para o céu assim olhando,
Diz-se-ia que a Deus mesmo, algo estava perguntando.

Outras vezes à floresta, firme olhar endereçava,
Neste gesto de alguém, que uma coisa procurava.
Pensamento, longe, alheio, ao que existe neste mundo,
Absorto inteiramente, no cismar longo profundo.

Decisão muito importante, que tomar não decidia,
Quem si que mesmo o fervor, sua alma alivia.
- “Ó Senhor, a luz envia! Ó meu Deus, clareia a mente.
Que ajudar-me nessa hora, ó meu Pai, só tu somente!

Pois hesito, eu te confesso, e me perco e me confundo,
Aí de mim, um pobre cura, como tantos nesse mundo.
Pois prevejo que em torno, dessa igreja irá surgir,
Uma vila, uma cidade, e depressa progredir.

E desejo que ela fique, para sempre resguardada,
Sob o manto milagroso, de uma imagem abençoada.
Desventurado achar não posso, o padroeiro protetor,
Compaixão me ajuda agora, ó meu santo criador”.

Mal findara essa oração, Frei Miguel se aquietava,
E sentiu que a alma, enfim, duma angustia se livrava.
Algo então aconteceu, um milagre operou:
Eis que olhando o Paraíba, o coração quase parou.

Uma coisa, um objeto, lá nas águas distinguia,
O que era com certeza, o Vigário não sabia.
Mergulhou as mãos no rio, entre aflito e curioso,
Mui depressa retirando, o objeto precioso.

Só então se certificou, e sorriu feliz contente:
Deus lhe dava na verdade, um belíssimo presente.
A chorar ajoelhou-se, com a imagem abraçado,
Soluçando, ao rio, ao céu, enviou o seu “obrigado”.

Levantou-se. E a imagem fita, fato estranho logo nota,
Um perfeito São José, mas calçado com uma bota.
Respeitoso dá-lhe um beijo, e a venera humildemente,
Coloca-lo vai depois, na ermida piamente.

Vêm soldados, mercadores, vêm mulheres e o gentio,
A rezar aos pés da imagem, ofertada pelo rio.
São José d’Além Paraíba, logo foi denominado,
Padroeiro dessa terra, e por ela muito amado.



Fonte: "Os Sertões de Leste - Achegas para a história da Zona da Mata" - Celso Falabella de Figueiredo Castro