segunda-feira, 6 de maio de 2013

DEMPSEY PEREIRA RAMOS – UM EMPREENDEDOR EM ALÉM PARAÍBA



Por Mauro Luiz Senra Fernandes

 
 O empreendedor tem um novo olhar sobre o mundo à medida que presencia a evolução. Valoriza suas experiências, valoriza seu valor, tomando decisões e decisões acertadas. Abre novas trilhas, explora novos conhecimentos, define objetivos e dá o primeiro passo.

Em Além Paraíba, podemos citar um grande empreendedor que não está mais entre nós e deixou um grande legado para o nosso município. Como foi o empresário Dempsey Pereira Ramos, nascido em 24 de fevereiro de 1924, natural do município do Rio de Janeiro e era filho de Henrique Aurélio Pereira Ramos e Emília Maria Pacheco Ramos.

Aos onze anos de idade decidiu que sua terra natal não era a mais indicada para se viver e partiu então para São José do Vale do Rio Preto - RJ, onde foi acolhido por uma família de libaneses e lá começou a trabalhar com aviários.

 Não se dando por satisfeito, aos vinte anos tomou uma grande decisão, juntamente com dois parentes, João Fellipo e Alecrino tornaram-se caixeiros viajantes saíram fazendo vendendo produtos pela região. O negócio prosperou e se expandiu entre Niterói, Cataguases, e Além Paraíba. 

Montaram três lojas de tecidos em cidades diferentes, brinquedos, cama, mesa, banho e enxoval completo de noivas. 

A sociedade foi desfeita e Dempsey ficou com a loja de Além Paraíba, a “Feira Egypciana” - a escolha teve a inspiração na revista “Seleções”. O primeiro endereço foi na Rua Capitão Varela, depois ela foi transferida para a Rua Coronel Oscar Côrtes, num prédio alugado da Sra. Arlete Galhardo de Mello até construir na mesma rua o seu prédio próprio. 

Casou-se em Santana de Cataguases, com Aparecida Iramar de Melo, nascida em 22 de julho de 1931, era filha de Abelardo Inácio de Melo e Dolores de Paula de Melo e tiveram três filhos: Daisy de Melo Ramos, Disnei de Melo Ramos e Dempsey Pereira Ramos Júnior. Aparecida trabalhava num cartório no município de Cataguases e após o casamento, tornou-se a sua principal parceira nos negócios.

Outra paixão de Dempsey era o esporte, participava de vários torneios de futebol nos clubes da cidade e onde conquistou inúmeros amigos.

A “Feira Egipcyana” foi uma das principais lojas do município, Dempsey e Aparecida faleceram e seus nomes estão registrados na história pelo exemplo de trabalho, garra e empreendedorismo. 
 

ALÉM DA ESCRAVIDÃO




 Alice Mara de Araújo Teixeira Côrtes


Rio Paraíba,
rio antigo, tempo recuado, tempo que se foi.
Rio passado, passando, passa.
Rio limpo, puro, Puris e Coroados.
Rio encachoeirado, ilhas abraçadas.

Portugueses chegam, se achegam
- encanta o canto do sabiá.
Vêem o rio, a mata, o índio Puri.
Exterminam o gentio, derrubam a mata,
fica só o rio: lamento infeliz.

Permanecem os brancos colonizadores:
fitam o escravo que chega,
roubado, forçado, escravizado.
Ecoam lamentos na África
no mar, nas Gerais, no Brasil.

Aquele que chega é só sombra,
remete-se à memória guerreira tribal;
reage, luta pela liberdade,
encontra-se a ferros, sofrendo no tronco.

Desmaia o amanhecer, nesse de Deus;
caminham os escravos em fila,
trabalho, enxada, foice, machado,
derrubam mata, plantam café.

Sinhô, Sinhá acordam,
são os donos dos santos, donos da terra,
donos da vida dos escravos.
Falam por eles, matam por ela,
descansam por eles.

Negro Congo, palavra escrava,
tinham quase todas as mãos
que trabalhavam no Império;
misterioso, feiticeiro, tornou amigos
Orixás e Santos, transformando-os
em uma entidade só.

Mãos servas, voz submissa,
cozinham na casa grande.
Mãos calosas, labutam
nas plantações de café.
O Senhor rico compra mais negros,
compra brasão, torna-se barão.
Poderoso entre velas, sedas e rendas
ergue a taça.
O negro o machado “alevanta”,
corre a anta, o tatu a onça.
O feitor a chibata levanta,
açoita o negro-rebelde-preguiça.

Tarde voltam à senzala cansados.
Senzala lugar das ausências.
Perderam família, liberdade
roubaram-lhes a pátria,
sumiram com seu nome,
batizados cristãos viram João Nação.

Já é noite, a lua brilha crescente,
relembrança, herança da África,
negro dança, cantos de banzo,
cantos de saudade, cantos de oração.
A fogueira arde, a fumaça se eleva
levando pedidos ao céu.
Batem os atabaques e tambores
bamboleios entrelaçam cadências;
têm rituais a mais
usanças aos Oxalás.
Negros batem o pé descalço no chão.
Saravá a Exu,
elevam a cabeça, olhos fechados ao céu.
Saravá aos Oxalás,
levantam os braços ao céu.
Saravá a Iemanjá,
seus olhos se abrem, seus braços
que caem
e clamam: “Até já”
Alinhavei, alinhavei, furando os
panos que cobriam a vergonha.
Costurei retalhos negros de presença
em todo o Brasil.
Sou branca e pelos brancos peço: Perdão!...