domingo, 9 de maio de 2010

COMENDADOR SIMPLÍCIO JOSÉ FERREIRA DA FONSECA - UM GRANDE PIONEIRO DE ALÉM PARAÍBA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes





Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca e sua segunda esposa Dona Cândida Carolina de Jesus

Simplício José Ferreira da Fonseca nasceu em 1813, na Fazenda Olho D’Água, em Barbacena, e aos seis anos de idade ficou órfão de pai. Começou a trabalhar muito cedo, aos quatorze anos, isto por volta de 1827, acompanhando alguns de seus irmãos mais velhos, como tropeiro. Ficou nesta vida durante uns quinze anos... Depois de um certo tempo teve suas próprias tropas, conseguindo, assim, amealhar algum dinheiro e comprar uma sesmaria para realizar o sonho de plantar café.

Era filho do Cel. João Ferreira da Fonseca e de Dona Josepha Maria de Assumpção. Ela, nascida em 1777 e falecida em 1865, era pertencente à família Ferreira Armond. Está sepultada no Cemitério da Irmandade do Santíssimo de Além Paraíba.

Com o dinheiro que juntou em mais de dez anos de vida de tropeiro, conseguiu comprar a sesmaria para realizar seu projeto de plantar café e se tornar um rico fazendeiro. Isto se deu nos primeiros anos da década de 1840, fundando a Fazenda Barra do Peixe.

Em 1851, casou-se com sua sobrinha, Maria Leopoldina Campos da Fonseca, nascida em 1834, filha de seu irmão Tomaz Ferreira da Fonseca e de Dona Afra Maria Campos da Fonseca, e tiveram os filhos: André e Galdino que faleceram em criança; Cândida, que era casada com o primo Antônio Ferreira Campos; Maria, que era casada com o primo Marciano Ferreira da Fonseca; e Josephina, que era casada com o Cel. Oscar Teixeira de Figueiredo Côrtes.

Simplício ia aumentando suas áreas de produção do café e, para fazer mais dinheiro, trabalhou durante algum tempo com seu primo Mariano Procópio Ferreira Lage, do ramo dos Ferreira Armond, como empreiteiro na construção da Estrada de Rodagem União Indústria, ligando Juiz de Fora a Petrópolis.

No ano de 1859, o casarão da fazenda fica pronto e, para lá, ele se muda com sua família.

Porém, em 1865, fatos importantes e negativos acontecem na vida de Simplício. Primeiramente sua esposa e sobrinha, Dona Maria Leopoldina, falece em abril; e cinco meses após, sua mãe, Dona Josepha, estando com idade avançada, também vem a falecer.

Simplício casa-se pela segunda vez com outra sobrinha, Dona Cândida Alves Garcia, filha de sua irmã Dona Bernardina Carolina de Jesus e de Manoel Alves Garcia, proprietário da Fazenda Boa Vista, na localidade de Santo Antônio do Aventureiro. Tiveram desse enlace cinco filhos que chegaram à vida adulta: Simplício, casado com Antonina Alves Banho; Elvira, casada com o Dr. Alfredo Martins de Lima Castello Branco; Perciliana, casada com Arthur Baptista de Castro; Ernestina, casada com Antônio de Lima Castello Branco; e Olga, casada com Carlos Teixeira Soares. O filho Cândido Ferreira da Fonseca Sobrinho faleceu na infância.

O Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca aspirou e não conseguiu o título de Barão de Mar de Espanha, que foi concedido à outra pessoa – Francisco Ignácio de Andrade Goulart. Ele foi agraciado com o título de Comendador da Ordem da Rosa.

Em São José de Além Paraíba, seu nome estava ligado em dois momentos importantes do município: o primeiro, como grande parceiro da Igreja Católica, sendo o provedor da obra do maior templo daquela época, a Matriz de São José. Foi um dos fundadores da Irmandade do Santíssimo e construiu em sua propriedade, na Estação da Conceição, a igreja Nossa Senhora de Belém.

O segundo momento importante foi na emancipação do município, quando vendeu seu palacete de residência na vila pela quantia de sete contos de réis para, nele, instalar a Comarca e a primeira escola pública.

Além do palacete vendido a preço baixíssimo para ajudar e acelerar a fundação do município, dos sete contos de réis que recebeu daquela venda, doou dois contos de réis para comprar o palacete onde se instalou a Câmara Municipal. Atualmente, neste prédio é a sede da Prefeitura Municipal de Além Paraíba.

Em 1889, falece sua esposa e sobrinha Dona Cândida Ferreira da Fonseca e casa-se pela terceira vez com Dona Sophia Sobral de Almeida Magalhães.
O Comendador Simplício Ferreira da Fonseca veio a falecer em 11 de outubro de 1894, aos oitenta e um anos de idade, em sua própria Fazenda Barra do Peixe, deixando um grande legado para o Município de Além Paraíba.



Fazenda Barra do Peixe


Adaptação dos textos de Elisa Porto em “Frondosas Árvores” e de Enéas da Fonseca Castello Branco em “Uma Vida”

2 comentários:

  1. O Blog está muito interessante e a apresentação muito distinta e, ao mesmo tempo, charmosa. Meus parabéns. Convém divulgá-la a escolas, principalmente aos professores, a fim de que estes transmitam aos alunos. Meus parabéns! Neide

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  2. Mto bom o texto....vlw!

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