terça-feira, 7 de agosto de 2012

HEROIS ALEMPARAIBANOS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


Por Mauro Luiz senra Fernandes



Três expedicionários alemparaibanos dentre os quinze que tomaram parte na Campanha da Itália, na ultima grande guerra, não voltaram, e morreram em defesa da pátria, no cumprimento do dever e jamais fugindo do perigo iminente. 

CABO CLOWER BASTOS CÔRTES
Clower Bastos Côrtes, filho de Mário Vilas Boas de Figueiredo Côrtes e de Margarida bastos Côrtes, nasceu na Fazenda Serra Bonita, em Além Paraíba, aos 13 de maio de 1916. Era o primeiro de uma numerosa prole, tendo morrido solteiro, após completar 29 anos de idade. Iniciando seus estudos no Ginásio Além Paraíba, transferiu-se em 1931 para Juiz de Fora, onde ingressou na Academia de Comércio, cujo curso ginasial concluiu com brilhantismo, em 1934, tendo também cursado um Tiro de Guerra, distinguindo-se como bom soldado. Em seguida, matriculou-se na Escola Superior de Agronomia de Viçosa.
 Regressando à Fazenda Serra Bonita, seu pai já idoso e cansado, resolveu entregar os negócios, o que foi bem pensado, visto que poucos anos depois invalidou-se totalmente em conseqüência de cruel enfermidade.
Foi surpreendido pela convocação militar em 1943 e apresentou-se  imediatamente às autoridades da 4ª Região Militar. Aprovado em todos os exames médicos, foi mandado para São João Del Rei e de lá para o Rio de janeiro, como componente do 11º RI. Incluindo na Força Expedicionária Brasileira, foi promovido a Cabo, pouco antes  de embarcar para Itália e destacado para “chauffeur”, dada a sua especialidade nesse setor. 
Fazendo parte do 2º Escalão da FEB, segui para a Europa, esperançoso de um dia poder tornar à Pátria e ao seio de sua família.
Atravessou incólume todo o período da guerra e todo cruel inverno, sem jamais ter sofrido um só acidente e muito menos uma enfermidade. Prestou, com seu “Jeep”, inestimável auxilio as autoridades militares, na Itália, conduzindo oficiais, munições, etc., durante o período da guerra e mesmo depois desta.
A vitória das forças aliadas foi encontrá-lo na árdua tarefa de servir às tropas destacadas no norte da Itália e, nessa missão, prosseguiu mesmo depois do término da guerra, até que, em 30 de maio, seu “jeep” o traiu lamentavelmente. Nas proximidades de Gênova, quando se achava a serviço, conduzindo dois oficiais e um sargento, o “jeep” que guiava, ao sair de um túnel, chocou-se com um caminhão inglês, trazendo como consequência a sua morte instantânea. 
Rapaz de dotado das mais belas virtudes morais, possuía a particularidade de atrair para si todas as simpatias daqueles que se acercavam de sua pessoa, encantados com as prodigalidades do se boníssimo coração. Foi um herói, porque morreu em defesa da Patria; foi um bravo, porque não se acovardou diante do perigo; foi um caráter retilíneo, porque não usou de meios indignos para fugir ao cumprimento do dever.

EXPEDICIONÁRIO MANOEL DE SOUZA – “CUCA”
Tudo que fez em vida para não ser mais que um alemparaibano. Um conterrâneo nosso, um operário nosso, que todas as manhãs – em meio de tantos e tantos – passava por nossas ruas, alegre, cantando por vezes, sorrindo, na mão direita o serrote, na mão esquerda – sobre o ombro – o martelo, a enxó e a plaina. No bolso da calça, um metro, um lápis. E na alma, e lá bem dentro do coração, a simplicidade, a modéstia, o agradecimento a Deus por ser assim como era. Não queria mais nada: saúde, fé e disposição para o trabalho. 
Vem a guerra. E poucos anos depois, o Brasil, essa terra cujos homens falam a linguagem da sinceridade e cujos espíritos somente dão guarida à hospitalidade, ao amor ao próximo, é violenta e inesperadamente ultrajado em sua honra. O clarim soa. Repicam os tambores. Levanta-se a juventude e parte para os campos de batalha além mar.
Cuca também foi. Era brasileiro. Orgulhoso do torrão onde nascera. Trocou a calça de zuarte pelo uniforme verde oliva. O martelo, a enxó e a plaina desceram para sempre o ombro esquerdo: o fuzil tomou-lhe o lugar. E ao invés de transitar pelas ruas calmas de sua pacata Além Paraíba, Manoel de Souza passou a palmilhar as cidades históricas da velha Itália, batidas e taladas pelo ronco dos aviões e dos carros de assalto, estremecidas pelo troar da artilharia e dos tacões das botas milhares e milhares de soldados.
Mas, lá no fundo, no amargo de seus sentimentos. Cuca continuava indiferente a tudo. Era a coragem. Era a disposição. Era a satisfação. Era a humildade. Era a confiança, que as balas inimigas não assustavam, nem a saudade da Pátria e da família quebrantava, sequer diminuía. Isso lhe dava audácia. Fazia-o zombar dos perigos cumprindo com o dever que tinha de ser cumprido. Porque era um soldado do Brasil.
E os dias foram. E os lances épicos da peleja vieram, um atrás do outro. E Cuca, o nosso Cuca bem amado, sintetizava, no frio, na devoção da causa, por um lado, a ansiedade de tantas mães, cujos filhos, ombreavam com ele na sagrada causa. Por outro lado Cuca espelhava a honra do precinha, herdeiro das virtudes de seus ancestrais, cientes do lema de Barroso.
Veio Monte Castelo. Não viremos esta pagina da história. Nestas linhas, dignas de uma óde de Homero, existe um capitulo escrito com letras de ouro, emoldurado de sangue. Grifada, uma palavra de quatro letras. Entre louros e palmas um nome: Cuca. Manoel de Souza. E o quadro é uma ponte que irá dar passagem aos carros de assaltos aliados. O inimigo esta hora está vigilante. E caem soldados e soldados. É preciso, porém, construir a ponte. Cuca aceita a tarefa. Os superiores, que o admiram, o adverte. Embora. E a ponte vai chegando ao final. Viga após viga. Cada martelada do carpinteiro alemparaibano, é o eco de um projétil alemão. De repente sibilou apenas a bala inimiga. E não houve eco. Porque o modesto, o simples, o pequenino operário de Além Paraíba, jazia por terra. Do peito escorria-lhe um fio de sangue. Na boca um sorriso. Porque os heróis, os grandes heróis não choram nunca, nem mesmo diante da morte. E tombam assim conforme tombou Cuca. Gloriosos. Desconhecidos, não obstante, merecedores do penhor da terra onde nasceram!”

CARLOS CÓCO MUCHINELLI

Carlos Cóco foi também um herói alemparaibano na Itália, no período da Segunda Guerra Mundial, viveu no coração desta cidade entregue ao labor e a colheita, contemporâneo de Clower Bastos Côrtes e Manoel de Souza e faleceu em combate.

Descendentes de imigrantes italianos, nasceu na Fazenda Ponte Nova em 9 de agosto de 1917. Era filho de André Salvador Cóco e Maria Muchinelli, neto paterno de Salvador Cóco e Pascoa Ideli; e neto materno de Maximo Muchinelli e Gissea Cóco.

Fonte: Raul José Côrtes Marques – Jornal A Gazeta - 1958