sábado, 18 de junho de 2011

FALECEU DR PAULO DA FONSECA - FUNDADOR DO HOSPITAL SÃO SALVADOR - ACONTECEU EM 1933

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Publicado em 6 de agosto de 1933 - Além Paraíba

Residência do Dr. Paulo da Fonseca no Rio de Janeiro

Dr. Paulo da Fonseca – Fundador do Hospital São Salvador em Além Paraíba

“No Rio, onde residia, há anos e exercia o cargo de médico da Hospedaria dos Imigrantes, faleceu, no dia 30 do p. passado mês de julho, o ilustre clinico cujo nome epigrafa estas linhas.
O saudoso extinto residiu durante muitos anos em nossa cidade, onde, por suas grandes qualidades de espírito e coração, conquistou a estima e consideração de nosso povo.
Clínico conceituado, coração aberto ao bem, espírito dedicado as grandes realizações, gozou o ilustre extinto, no nosso meio, de real e merecido prestígio, que elevou a direção política e administrativa do município, como presidente da Câmara Municipal.
Aqui fundou o Dr. Paulo da Fonseca o Hospital São Salvador, este monumento de caridade, verdadeiro padrão das glórias e dos bons sentimentos do povo alemparaibano. Para fundá-lo, enfrentou o saudoso extinto, com atoicismo, com a energia e a tenacidade que só possuem os grandes iluminados, todas as dificuldades, todos os obstáculos, certo da vitória que conseguiu e o sagrou, para todo o sempre, no coração do nobre povo desta terra. Ainda na sua administração enfrentou o grande problema da canalização da água potável, dotando a nossa cidade com esse grande melhoramento.
Aqui contraiu núpcias com a Exma. Senhora d. Elisa Duarte do Rego Fonseca, pertencente a distinta família do nosso município.
Foi um dos mais dedicados adeptos do regime republicano, por cujo advento trabalhou, com denodo e abnegação ao lado dos mais destacados republicanos históricos.
Em 1915, o saudoso extinto transferiu a sua residência para o Rio, a fim de exercer o cargo de médico da Hospedaria dos Imigrantes, para o qual foi nomeado pelo Governo Federal.
Era natural, portanto, que Além Paraíba, recebesse como recebeu verdadeiramente compungida, a triste nova do falecimento do Dr. Paulo da Fonseca, cuja memória tem, em cada peito alemparaibano, uma homenagem de respeito e gratidão.
Os restos mortais do ilustre morto foram sepultados no Cemitério de São Francisco de Paula, com grande acompanhamento.”


Fonte: ALÉM PARAHYBA – Jornal de 1933

sexta-feira, 17 de junho de 2011

VITTÓRIO MOSCON – CONDECORADO PELO GOVERNO ITALIANO COMO HEROI DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Em 1971, o imigrante italiano radicado em Além Paraíba, o Sr, Vittório Moscon foi agraciado pelo Governo Italiano com a condecoração da “Ordem de Vitório Vêneto”, no grau de “Cavalheiro” e as medalhas de Ouro e Bronze pelos serviços de guerra prestados na Primeira Grande Guerra ao Exército Italiano.
O diploma e as medalhas foram entregues pela Embaixada Italiana no Rio de janeiro e, em comemoração, foi reunida toda a família Moscon.
Vittório Moscon nasceu em Treviso (Vêneto), norte da Itália, em 7 de dezembro de 1894. Era filho de Giuseppe Moscon e Luigia Feletti Moscon e lá trabalhou na Fabrica de Papel Cartiera Reali até a época de servir o exército.
Quando estava terminando esse período, iniciava-se a Primeira Guerra Mundial – 1914/1918 – e novamente foi convocado para as fileiras do Exército Italiano, servindo na infantaria de 25 de março de 1915 até 8 de janeiro de 1919. Participou de várias batalhas, tendo numa delas ficado ferido e, em outra sido feito prisioneiro, ocasião em que perambulou pela Europa Central como trabalhador prisioneiro.
Terminando a guerra, voltou a trabalhar na indústria papeleira italiana, época em que realmente definiu a profissão que abraçaria e que permitiu que se candidatasse no Consulado a uma vaga na emigração para o exterior, como técnico. Trabalhou em diversas fábricas de papel em máquinas contínuas de 1919 até 15 de setembro de 1924, quando emigrou para o Brasil.
Casou-se ainda na Itália com Amabile Girolami Moscon, filha de Gino Girolami e Juseppinna Sacali, em 7 de março de 1924.
Chegando ao Brasil, foi para a cidade fluminense de Mendes, onde trabalhou até 1930, ocasião em que se transferiu para Além Paraíba. Em Mendes nasceram os filhos: Ormes Moscon, engenheiro da “Companhia Siderúrgica Nacional”, foi casado com Afife Verdini Moscon; e Otelina Moscon Puntel, foi casada com o industrial Sócrates Ricardo Puntel.
A família se adaptou bem em terras alemparaibanas, vivendo um período de muita felicidade, sendo aumentada com a chegada do terceiro filho: Antônio Oswaldo Moscon engenheiro na cidade de Salvador, Bahia, casado com Marinice Braga Moscon.
A partir de 1933, Vittório Moscon recebeu diversos convites para ir trabalhar no exterior: México, Uruguai e, principalmente, para a Argentina. Porém, uma oferta de um contrato mais generoso por parte do então presidente da S.A. Fabrica de Papel Santa Maria, o também italiano José Mercadante, evitou que mais um deslocamento acontecesse. Em seu lugar, foi para a Argentina o primo Arturo Moscon, que mais tarde levou para lá sua mãe e o irmão Pedro, tendo ficado na Itália o irmão Ricardo.
A Fábrica de Papel Santa Maria prosperava, melhorando a qualidade do produto industrializado e também a quantidade produzida pela compra da segunda máquina em 1937. Nasceu, então, a quarta filha do casal: a Professora Luigia Joseppina Moscon Ribeiro, que foi casada com Nilson Joaquim Riberio.
Em 1940, a fabrica monta a sua máquina Nº 3, aumentando ainda mais a produção e proporcionando mais desenvolvimento. Neste ano nasceu sua última filha, Maria José Moscon Faria, casada com o desembargador Dr. Francisco Eugênio Rezende de Faria.
Por lei da Câmara Municipal de Além Paraíba, Vittório Moscon recebeu o título de cidadão alemparaibano, o que aumentou ainda mais o orgulho de ter escolhido Além Paraíba como sua segunda pátria e aqui permanecesse até a sua morte, no dia 25 de abril de 1983.
Amabile Girolami Moscon

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A CACHOEIRA DO BARÃO DO PARANÁ

Por Mauro Luiz Senra Fernandes






“Hoje me veio à lembrança o Barão do Paraná – Henrique Hermeto Carneiro Leão. Conservo na retina a figura austera e imponente do barão, que vi de perto de minha casa, com suas suíças impressionantes, e montando uma égua enorme e mansa. As suas raras aparições na cidade de Além Paraíba era espetaculares, principalmente, quando atrelava em sua carruagem uma ajaezada parelha de zebroides, que exaltava a nossa mentalidade juvenil.

Sidney Ribeiro, Silvio Mynsen, Taufik Sahione, eu e outros garotos cujos nomes agora não me ocorrem, íamos, depois do “expresso”, tomar banho na cachoeira do Barão, no outro lado do Rio Paraíba do Sul, em trajes sumaríssimos. O Barão, passando por lá uma vez, viu o quadro e não gostou. Mandou que o Anastácio, o velho Anastácio da carrocinha de frutas da Fazenda do Barão, nos avisasse a proibição. Não ligamos importância e continuamos com a praxe. Uma bela tarde, depois de prolongado banho de cachoeira, dirigimo-nos para a solteira de bambu onde havíamos deixado nossas roupas. Qual não foi a surpresa, ao verificarmos que toda a nossa instrumentária havia desaparecido. Procuramos por toda parte e nada de roupa. Sem saber o que fazer, ficamos sentados em cima das pedras até anoitecer, quando o velho Anastácio veio trazer nossos trajes, com a recomendação do Barão de que outra vez teríamos que voltar para casa em trajes de Adão...”

Fonte: Joaquim Carneiro Júnior - "Carneirinho"
A Fazenda Lordelo ou do Barão

BAIRRO DA SAÚDE OU TRÊS RANCHOS E A ILHA DO LAZARETO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


O médico Dr. Paulo da Fonseca


O Bairro da Saúde, a princípio recebeu o nome de Três Ranchos, pelo fato dos tropeiros penetrarem e descansarem ali para seguirem viagem depois. Sendo que, em meados do ano de 1892 vieram a esta cidade um grupo peregrino de Missionários, com objetivo de catequizar e evangelizar as pessoas e pregar a palavra de Deus. Esses Missionários, segundo fonte oral, foram mal recebidos pela população geral. O único lugar em que estes Missionários foram bem recebidos e tratados como gente, foi justamente no bairro Três Ranchos. Eles se hospedaram na casa da família de Dona Luíza Páscoa dos Santos. Em seguida, foram para a Fazenda São Luiz, onde ficaram alguns dias. A Fazenda São Luiz era de propriedade do Barão de Guararema e de sua mãe Dona Maria D’Almeida Pimenta de Souza Breves. O Barão escolheu os melhores cavalos, mandou arreá-los para que os Missionários pudessem voltar ao local de onde vieram – São Paulo.

Ao se despedirem, falaram que, assim que eles saíssem daqui iria se abater sobre a localidade uma peste para lavar as ofensas e injúrias... E assim aconteceu... Veio uma epidemia que assolou a cidade e matou 37 pessoas, entre crianças, adultos e idosos. Esses doentes foram tratados pelo médico Dr. Paulo da Fonseca, que lutou bravamente para curar seus doentes... Todos em vão... Os mortos foram levados para a Ilha de Porto Novo, enterrados lá, que na época recebeu o nome de Lazareto Municipal – depois Ilha do Lazareto.
O único local onde os habitantes não ficaram doentes foi o Bairro Três Ranchos, daí por diante, este local passou a se chamar Bairro da Saúde.

Varíola Hemorrágica

No período de 7 de junho a 12 de dezembro de 1892, assolou em Além Paraíba a varíola hemorrágica. Setenta e nove pessoas, dentre crianças e idosos, faleceram vitimados pela doença maligna e realmente foram enterrados na Ilha do Lazareto.

domingo, 12 de junho de 2011

JORGE ELIAS SAHIONE – Um Líder da Comunidade Árabe Em Além Paraíba

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Jorge Elias Sahione nasceu num pequeno lugarejo próximo à cidade Saída – Sidon, milenária cidade do Líbano, berço dos navegadores fenícios, inventores do comércio e do alfabeto. Era filho de Elias Sahione e Maria Sahione.

Ainda muito jovem, vendia os produtos da pequena propriedade familiar no mercado da Alexandria, no Egito.

Em 1903, aos dezessete anos, impulsionado pela tradição dos feníncios, resolveu deixar o lar paterno, tentar o Novo Mundo e vir ao encontro dos seus irmãos que imigraram para o Brasil. Um foi morar no Pará, o outro em Além Paraíba.

Trouxe do Líbano apenas o pequeno legado que todos os filhos que partiam, recebiam: 30 libras esterlinas.

Pobre, com escassos recursos, “mascateava” à pé, com auxilio de um ajudante que, muitas vezes, fugia do trabalho penoso, sobrecarregando-o com mercadoria abandonada. Apelou, então, para o irmão buscando ajuda para comprar um animal. Não foi atendido. No final de sua vida, esse irmão foi amparado por ele.

Conhecia, percorrendo à pé, todos os cantos do nosso município. Ao estender suas andanças pelo Estado do Rio de Janeiro, foi encontrar em Barão de Aquino, Distrito de Sumidouro, uma família liderada por uma mulher extraordinária: Mane Fadel, que administrava um pequeno armazém e era casada com o alfaiate Habib Fadel – mãe de oito filhas e um filho. Mantendo severa vigilância ao assédio dos candidatos em torno de suas sete filhas, Mane Fadel é quem determinava a filha casadoira da vez. Jorge Elias Sahione e Victória Fadel Sahione se casaram e tiveram nove filhos: Jorge, Fuhad, Willian, Elias, Wildade, Fidalma, Arlete, Lourival e Dilma.

Jorge Sahione criou inúmeros negócios em Além Paraíba: fundou a Casa Síria (hoje Casa Sahione – Sahione & Filhos), o Magnifico Hotel, o Hotel Bela Vista, a Fábrica de Ladrilhos, a Pedreira Santana, posto de gasolina, construção civil, alfaiataria e administrou o Hotel da Estação.

Foi sócio de uma grande fazenda e sempre possuiu sítios, porque adorava a vida rural. Foi Conselheiro Municipal, nomeado pelo Presidente Olegário Maciel e Gustavo Capanema. Foi também, Conselheiro do Hospital São Salvador, um filho foi Deputado Estadual: Fuhad Fadel Sahione, e dois de seus filhos foram Prefeitos de Além Paraíba: Willian Fadel Sahione e Elias Fadel Sahione.

Jorge e Victória Sahione sempre foram gratos ao Brasil. O respeito pelo Brasil e pelos brasileiros era tão grande, que eles nunca falaram em árabe na presença de um brasileiro. Se um patrício falava em árabe com eles, respondiam sempre em “brasileiro”.

Jorge Sahione faleceu em 28 de abril de 1966.

Casamento de Jorge Elias Sahione e Victória Fadel Sahione




O Prefeito Willian Fadel Sahione



Jantar de confraternização no Magnifico Hotel, o único identificado (quarto sentado do lado esquerdo) é Jorge Elias Sahione


"O Grande Hotel Magnífico tinha muitos quartos para hóspedes passageiros e fixos. Num dos seus quartos que ficava na parte da frente, morava o senhor Benjamim Nicolau, proprietário da única joalheria da cidade na década de 50. Ele possuía uma “electrola” portátil, coisa rara na época, e , ao cair da tarde, colocava seus discos para tocar, em volume bem alto, logicamente, de propósito, para aqueles que gostavam da boa música. As pessoas passeavam ao som do Benjamim Nicolau e muitos ficavam sentados nos bancos da Praça Presidente Vargas, bem em frente do Hotel do Sahione, para ouvir as músicas e paquerar as garotas alemparaibanas..."


Jorge Elias Sahione, Victória Fadel Sahione e seus filhos.

MANOEL FERNANDES DA SILVA – Um Pioneiro Português Na Fabricação de Pães Em Além Paraíba

Por Mauro Luiz Senra Fernandes







Porto de Funchal - Madeira - Portugal

No Estado do Rio, a primeira padaria do português Manoel Fernandes da Silva... que após muito trabalho, transferiu-se para Porto Novo e montou a Padaria Progresso.

Esse era o meu avô paterno, português vindo de uma vila de pescadores da Freguesia de Câmara de Lobos, Ilha da Madeira, tornou-se um dos grandes panificadores de Além Paraíba. Homem simples e trabalhador deixou muito moço as terras lusitanas, prosperou honestamente, juntamente com sua esposa, tendo trabalhado cortando lenha e fazendo pães, biscoitos e brevidades que são lembradas até os dias de hoje.
Nasceu no dia 19 de fevereiro de 1872, no Sitio da Torre, na Ilha da Madeira, e era filho do lavrador Manoel Fernandes da Silva e de Silveria Augusta de Jesus. Do lado materno era neto de João Fernandes da Silva e Joaquina Maria de Jesus; do lado materno de Antônio Pereira e Maria Joaquina de Jesus.Com apena dezessete anos de idade, junto de seu irmão Francisco Fernandes da Silva, vieram para o Brasil num vapor alemão, embarcando em Funchal e desembarcando no porto do Rio de Janeiro. No Brasil, seu irmão tornou-se maquinista de ferrovia, vivendo na cidade mineira de Sete lagoas e casando-se com Izabel Fernandes da Silva. Tiveram uma única filha, Zena Fernandes da Silva. Na Ilha da Madeira deixou duas irmãs: Firmina Matilde Fernandes da Silva Abreu e Georgina Eulália Fernandes da Silva.
Manoel Fernandes da Silva tornou-se padeiro em Além Paraíba. Sua primeira padaria foi em Jamapará – Distrito de Sapucaia, tendo transferindo-se para Porto Novo, onde criou a Padaria Progresso que ficava na Rua Adão Araújo, ao lado da garagem dos bondes elétricos e em frente a Fabrica de Papel Santa Maria. Com muito trabalho e dedicação, esse português simples prosperou, como forma de investimento, adquiriu muitos imóveis, tornando-se um dos maiores proprietário do bairro, possuindo mais de trinta casas residências e comerciais.
Em 31 de dezembro de 1913, na cidade fluminense de Três Rios, casou-se com Emygdia Fernandes da Silva, natural da cidade do Carmo, Estado do Rio de Janeiro, que nasceu em 1881 e era filha da ex-escrava Luiza da Conceição e filha adotiva de sua madrinha Arminda Bastos.De seu casamento nasceram três filhos: Georgina Fernandes da Silva; Manoel Fernandes da Silva Filho, casado com Carmem Tepedino da Silva; e Waldyr Fernandes da Silva, casado com a professora Bernardina Senra Fernandes.
Em 1928, voltou à sua “terra natal” juntamente com seu filho Manoelzinho e trouxe para o Brasil dois sobrinhos: Zezinho e João da Silva Abreu.
Manoel Fernandes da Silva, pertenceu à Loja Maçônica “Aspásia Hiram do Parahyba”.
Foi um esposo e pai amoroso, um avô afetivo e um amigo fiel. Faleceu em Além Paraíba no dia 18 de março de 1964. Sua esposa Emygdia faleceu em 1º de fevereiro de 1984.

Os filhos: Georgina, Manoel e Waldyr Fernandes da Silva
Padaria Progresso - ao lado da garagem do bonde do sr. Adão Araújo.

Com os netos em sua residência na Av. Dr. Antônio Augusto Junqueira, no Porto Velho.



Sra. Emygdia Fernandes da Silva, na residência de seu filho Waldyr Fernandes da Silva

sábado, 11 de junho de 2011

RICARDO BINATO – Um industrial Italiano em Além Paraíba

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




O italiano Ricardo Binato, foi um dos propulsores do desenvolvimento de Além Paraíba na primeira metade do século vinte.
Em 4 de maio de 1874, na pequena cidade de Cavarzea, Província de Veneza, Itália, nasceu Ricardo Binato. Era filho de Guilherme Binato. Chegou ao Brasil 1896, em companhia da esposa Cecília Zane Binato e do filho Primo Binato. Cecília nasceu em 10 de março de 1875, também na Itália, e era filha de Giovani Zane e Isabel Sable.
Tiveram os seguintes filhos: Primo Binato, casado com Antonieta Perácio; Aquiles Binato, casado com Maria da Conceição Madeira Binato; Noemia Binato Bessa, casada com Miguel Bessa; Doroteu Binato, casado com Olga Gadas Binato; Jandira Binato Araújo, casada com Adalberto Araújo; Odeth Binato Urso, casada com Jarbas Urso; Edith Binato Bastos, casada com Astolpho Bastos; Núbio Binato, casado com Adalgisa Pagano Binato e Lourdes Liberato; Wanda Binato de Castro, casada com Alceu de Castro; Angenor Binato, casado com Maria José Amoreli Binato (após o falecimento de seu esposo, casou-se com Zico Laroca); Walter Binato, casado com Helena Teixeira Soares; Nair Binato Nogueira, casada com José Nogueira; e Wandir Binato, que faleceu com a idade de três anos.
Chegando ao Brasil, o casal fixou residência em Volta Grande, na época distrito de Além Paraíba, onde foi colono na fazenda do Dr. Joaquim dos Reis Junqueira e de sua esposa Baby Monteiro de Castro Junqueira. Mais tarde mudaram para Além Paraíba, ele à procura de um meio mais adiantado para exercitar sua incontida atividade de artífice inteligente, ingressando nas oficinas mecânicas da Estrada de Ferro Leopoldina. Depois de servir nesta estrada de ferro, durante dezesseis anos, com modelar aplicação ao trabalho, com a exata compreensão de seu dever profissional e cuidadoso desempenho de sua missão. Ricardo Binato deixou aquelas oficinas e começou a trabalhar por conta própria em variados trabalhos de sua especialidade, num esforço para progredir e vencer.
Trazia de sua pátria como propulsor de seu destino, um profundo amor ao trabalho, uma grande vontade de vencer e uma rígida obediência à disciplina e à ordem. Especializou-se, desde logo, nos trabalhos hidráulicos de captação e canalização de água potável, em cuja execução granjeou justo renome pela sua habilidade técnica e decidida aplicação no desempenho dos serviços que lhe fossem entregue. Realizou com êxito indiscutível os trabalhos de capacitação de águas das diversas cidades de Argirita, Santo Antônio do Aventureiro e Leopoldina.
Em 1915, de sociedade com o italiano Miguel Laroca e depois com Hermes Machado, fundou a Oficina Mecânica São Geraldo ou Binato Ricardo, que durante décadas se constituiu em uma das mais sólidas e importantes organizações empresariais de Além Paraíba e região.
Ricardo Binato faleceu em 09 de setembro de 1936, vítima de um colapso cardíaco, na cidade de Além Paraíba. Sua esposa, Cecília Zane Binato viveu até o dia 26 de dezembro de 1960.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Desde os tempos mais remotos, a demonstração de amor de um homem para uma mulher vem sendo manifestada através de grandes obras.
Não se tem notícia na história do mundo de uma prova de amor tão deslumbrante quanto o Taj Mahal, uma das mais belas e perfeitas obras já executadas. Inteiramente de mármore branco e absolutamente simétrico, ninguém consegue ficar impassível diante de sua suntuosidade.



Pode-se dizer que o Taj Mahal é o resultado do desespero e da loucura por um amor perdido. Localizado em Agra, norte da Índia, ele é um mausoléu, idealizado pelo imperador Shah Jahan para receber o corpo de sua esposa, a princesa Arjumand Banu – também chamada de Mumtaz-I-Mahal (Favorita do Palácio). Eles se casaram em 1612 e, em 1631, devido complicações durante o parto do décimo quarto filho, Mumtaz faleceu. Arrasado, o imperador decidiu que construiria um local digno para que sua amada pudesse descansar em paz.
Em Além Paraíba, uma demonstração de amor fez surgir um belo prédio, bem mais modesto que o Taj Mahal, mas o amor não; quase que podemos chamá-lo de palácio por causa de suas magníficas pinturas em suas varandas e pelo projeto arquitetônico. Esse prédio localiza-se na descida da Vila Laroca, onde os atuais proprietários são a Sra. Sônia França e sua família.



Essa casa foi construída em 1928 pelo industrial italiano Affonso Sálvio, nascido em 6 fevereiro de 1880 e falecido na explosão de 3 de dezembro de 1930, em Porto Novo. Na eira da casa homenageou sua amada esposa de “Villa Maria Victória”.
Maria Victória era neta de pioneiros em nossa colonização, cujos avós paternos eram o sesmeiro Antônio Martins do Couto e sua esposa Maria Victória de Jesus (Ferreira da Fonseca). Seus pais eram Rodolpho Martins do Couto e Auta de Souza Guerra (segundo matrimônio).
Infelizmente, em virtude do precoce falecimento de seu amado esposo, Maria Victória não pôde usufruir de sua companhia na nova residência. Ela, junto com seus filhos, viveu nessa casa até os últimos dias de sua vida.
Indiscutivelmente, a construção dessa residência, batizada de “Villa Maria Victória”, foi uma bela demonstração de amor de um homem para uma mulher.



A viúva Maria Victória e seus filhos na varanda de sua residência.



O italiano Affonso Salvio