quarta-feira, 26 de outubro de 2011

PADRE CARLOTO FERNANDES DA SILVA TÁVORA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes





Ele nasceu na Fazenda Boa Altura, no município de Jaguaribe Mirim, no alto sertão do Estado do Ceará e pertencia a uma das mais importantes famílias de seu Estado Natal.

Ordenou-se padre em 7 de julho de 1888, Carlos Fernandes da Silva Távora foi Sacerdote em Além Paraíba de 1897 a 1918 quando foi transferido para a cidade mineira de Juiz de Fora, em substituição aos padres alemães que, neste posto, se encontravam por ocasião da I Grande Guerra.

Graças às virtudes e talentos que ornavam a sua pessoa, em 1920, tornou-se o primeiro Bispo de Caratinga.

Foi um vigário de forte personalidade e muito ativo, ficou conhecido como Dom Carloto e cuidou da Paróquia de São José de Além Paraíba com muito zelo.

Nunca gostou de misturar política com a religião e que a religião deveria ficar sempre acima das competições pessoais.

Um marco que existe até os dias atuais em Além Paraíba, são as palmeiras que existiam e algumas que resistem até ao tempo em frente à Igreja Matriz de São José, que foram plantadas por ele e que sempre foram chamadas de “Palmeiras de Dom Carloto”.

Em 1933 ele foi vitima de um desastre de automóvel, na Rua Marquês de Abrantes,no Rio de Janeiro, próximo a residência de seu irmão, Dr. Belizário Távora, onde se achava hospedado, veio falecer no dia 27 de novembro de 1933.

O corpo do ilustre príncipe da Igreja Católica foi encomendado por S. Eminência Dom Leme e foi sepultado no Cemitério São João Batista, no município do Rio de Janeiro.

Praça Cel. Breves, onde se vê a Igreja Matriz de São José e as Palmeiras de Dom Carloto

Dom Carloto Fernandes da Silva Távara era tio de Juarez do Nascimento Fernandes Távora - foi um militar e político brasileiro, filho de sua irmã Clara Fernandes da Silva Távora e Joaquim Antônio do Nascimento.
Em 1954 foi um dos líderes da articulação política que resultou no suícidio de Vargas, no ano seguinte candidatou-se a presidência da República pela UDN perdendo nas eleições para Juscelino Kubitschek


As Palmeiras de Dom Carloto em Além Paraíba

Fonte: Diocese de Caratinga: 94 anos, Jornal Além Parahyba de 3 de dezembro da 1933 e a Revista Comemorativa do Centenário da Matriz de São José

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

CORONEL JOAQUIM LUIZ DE SOUZA BREVES - PRIMEIRO PREFEITO DE ALÉM PARAÍBA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Coronel Joaquim Luiz de Souza Breves - Primeiro Presidente da 
Câmara Municipal de Além Paraíba, MG




Os Souza Breves foi uma das mais poderosas famílias do Vale do Paraíba fluminense, cujas inúmeras fazendas de café ultrapassavam a marca de seis mil escravos.
Os Breves no Brasil tem sua origem em Antônio de Souza Breves, foi o primeiro dos Breves que veio para o Brasil, nasceu em 1720, na Ilha de São Jorge, Açores, e morreu no dia 30 de dezembro de 1814, em São João Marcos, Província do Rio de Janeiro. Era conhecido como “Velho Cachoeira” ou “Antônio Cachoeira”, foi casado com Dona Maria de Jesus, conhecida como “Maria de Deus”, filha de Braz Fernandes e de Dona Joana do Espírito Santo – os três são da Freguesia de Santa Luzia, Ilha Terceira, Açores, Bispado de Angra. Deste matrimônio nasceram cinco filhos:
Capitão-mor José de Souza Breves, um dos pioneiros de Arrozal, casado com Dona Maria Pimenta de Almeida Frazão, filha de Antônio Lobo Frazão e de Dona Cecília de Almeida.
Anna Margarida de Souza Breves, casada com Francisco Luiz Gomes. Daí vem o Barão de Mambucaba e seus irmãos.
Manoel de Souza Breves.
Domingos de Souza Breves, batizado em 4 de agosto de 1751, em São João Marcos e casado com Dona Maria Silva.
Thomé de Souza Breves, batizado em 25 de janeiro de 1756, em São João Marcos, casado com Dona Maria Rodrigues, filha de Antônio Rodrigues e de Dona Francisca Valadão Flores.

Capitão-mor José de Souza Breves

O Capitão-mor José de Souza Breves e Dona Maria Pimenta de Almeida Frazão tiveram os seguintes filhos:


Dona Cecília de Almeida Breves – Baronesa de Piraí - nasceu em 1782 e faleceu em 1866, casada com José Gonçalves de Moraes – Barão de Piraí, que nasceu em 1776 e faleceu em 11 de outubro de 1859.









José Gonçalves de Moraes- Barão de Piraí

Comendador José Joaquim de Souza Breves, primeiro Presidente da Câmara de Piraí, em 1838, casado com sua sobrinha Dona Rita Clara Breves de Moraes, filha do Barão e da Baronesa de Piraí.
Comendador Joaquim José de Souza Breves – o “Rei do Café”- nasceu em 1804, em Piraí, e faleceu em 30 de novembro de 1889 e foi casado com sua sobrinha Dona Maria Isabel Breves de Moraes, filha do Barão e da Baronesa de Piraí.

Maria Isabel de Moraes Breves filha dos Barões de Piraí, sobrinha e esposa do Comendador Joaquim José de Souza Breves



Cipriano de Souza Breves, casado com Dona Victória da Silva Figueira.
Dona Francisca de Jesus Breves, casada em primeiro matrimônio com o primo Coronel Raymundo de Souza Breves, filho de Thomé de Souza Breves e de Dona Maria Rodrigues e, pelo segundo matrimônio, com o Dr. Diogo Teixeira de Macedo – Barão de São Diego.
Dona Anna Pimenta de Almeida Breves, casada com Possidônio Carneiro.
João dos Santos Breves, casado com Dona Josepha Maria da Conceição.
Dona Joaquina Pimenta de Almeida Breves Torres, casada com o Alferes José Pedro de Medeiros Torres.
Dona Maria Clara de Souza Breves de Souza Breves, casada com José da Silva Penna.
Dona Maria Pimenta de Almeida Breves nasceu em Santana do Piraí e faleceu em 6 de agosto de 1873, em Além Paraíba, MG, casou-se em 10 de fevereiro de 1822 com o primo o Comendador Luiz de Souza Breves, filho de seu tio Thomé de Souza Breves e Dona Maria Rodrigues.
Dona Brites Clara de Almeida Breves, nasceu em 1789 e faleceu em 24 de outubro de 1866, casada com o Major Victoriano da Silva Figueira.

Dona Maria Pimenta de Almeida Breves e o Comendador Luiz de Souza Breves tiveram os seguintes filhos:
Dona Maria Emiliana de Souza Breves faleceu em 24 de junho de 1874, foi casada com Júlio Cesar Monteiro de Barros, filho de Desembargador Francisco de Paula Monteiro de Barros e Dona Anna Carlota de Miranda Monteiro de Barros e tiveram onze filhos.
Dona Maria Eugênia de Souza Breves faleceu em 1884, foi a primeira esposa do Dr. Eugênio Monteiro de Barros, segundo filho do Barão de Paraopeba, que se formou na Universidade de Coimbra - Portugal e tiveram cinco filhos.
Cecília Pimenta de Almeida Breves, casada com o primo Joaquim José Gonçalves de Moraes, quarto filho do Barão e da Baronesa de Piraí.
Major José Luiz de Souza Breves, batizado em 2 de junho de 1826 e faleceu em 1867, casado com Dona Amélia Augusta Monteiro de Barros.
Thereza de Souza Breves, batizada em 25 de fevereiro de 1827 em Santana do Piraí.

Coronel Joaquim Luiz de Souza Breves, primeiro Prefeito Municipal de Além Paraíba (Presidente da Câmara), nasceu em Santana do Piraí no ano de 1827 e faleceu em Além Paraíba no ano de 1902. Foi casado com sua sobrinha Dona Maria Clara Gonçalves de Moraes, filha de Cecília Pimenta de Almeida Breves e de Joaquim José Gonçalves de Moraes e neta do Barão e Baronesa de Piraí.
Tiveram os seguintes filhos: Cecília Clara Moraes de Souza Breves, casada com o Dr. Alfredo Magno de Almeida Rego; e Luiz de Souza Breves Sobrinho, casado em primeiro matrimônio com Maria Eugênia Monteiro de Barros, filha de Lucas Antônio Monteiro de Barros - Barão de Santa Alda e Dona Alda Eugênia Monteiro de Barros - Baronesa de Santa Alda e tiveram um casal de filhos que morreram logo e em segundo matrimônio com Lucinda de Souza Brandão.
Lucinda de Souza Brandão


Luiz José de Souza Breves – Barão de Guararema – nasceu em Santana do Piraí, batizado em 20 de maio de 1828 e faleceu em 1910. Casado com sua sobrinha Dona Francisca Monteiro de Barros, filha de sua irmã Dona Maria Eugênia de Souza Monteiro de Barros e do Dr. Miguel Eugênio Monteiro de Barros e não tiveram filhos.
Cecília de Souza Breves.

Dona Maria Pimenta de Almeida Breves, já viúva do Comendador Luiz de Souza Breves, veio tomar posse de sua propriedade por volta de 1841 juntamente com seus filhos, da Fazenda Aparecida, atual distrito do município fluminense de Sapucaia. Nesse período comprou em São José de Além Paraíba a Fazenda Aventureiro, do Alferes Theodoro Faria Salgado e dividiu em cinco fazendas: a Fazenda Arapóca, que pertenceu ao seu filho Coronel Joaquim Luiz de Souza Breves; a Fazenda do Castelo, que pertenceu ao seu filho Barão de Guararema; a Fazenda da Conceição II; a Fazenda São Luiz; e a Fazenda do Remanso, que foi hipotecada por seus netos, Luiz e Cecília, em 1889, para contraírem um empréstimo de 40:000$ (quarenta contos de réis). Por ocasião deste empréstimo, o credor Banco do Brasil, avaliou-a em 60:000$ (sessenta contos de réis), sendo trinta e seis contos (36:000$000) pelas terras e cafezais, e vinte e quatro contos (24:000$000), em pertences, utensílios e mais acessórios.

Fazenda Aparecida


Termo de Batismo do Coronel Breves:“Aos vinte de março de mil oitocentos e vinte oito, batizei e pus os Santos Óleos ao inocente Joaquim, filho legítimo de Luiz de Souza Breves e de Dona Maria Pimenta, naturais desta freguesia. Neto paterno de Thomé de Souza Breves, natural de São João Marcos e Maria Rodrigues, natural desta freguesia e pela materna do Capitão-mor José de Souza Breves, natural de São João Marcos e de Maria Pimenta, natural da Ilha Grande.
Foram padrinhos, Raymundo de Souza Breves e Dona Francisca de Jesus do que para constar fiz este termo e por verdade assinei. O Vigário José Theodósio de Souza”.
Livro de Batismo 05, Fl. 01, de 1828 da 1832 de Santana de Piraí.


Cecília Clara de Souza Breves e seu esposo Dr. Alfredo Magno de Almeida Rego, filha do Coronel Joaquim de Souza Breves e Maria Clara de Moraes Breves

Baronesa de Guararema

Fazenda Arapóca - antiga Fazenda Aventureiro

Fazenda do Remanso

Fazenda do Castelo

Capela da Fazenda da Arapóca

Fonte: A Saga dos Breves – Sua Família, Genealogia e Tradições – Autor Padre Reynato Breves

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ALÉM PARAÍBA TENIS CLUBE E SUA FUNDAÇÃO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


"A fundação dessa aristocrática agremiação esportiva foi uma iniciativa que já está vitoriosa, pois as obras da piscina estão em franco andamento.
Como prova da boa acolhida que lhe foi dispensada, vamos enumerar abaixo os nomes dos sócios fundadores, que em numero de 110 prestigiaram a criação da aplaudida sociedade.
Para o seu acabamento e possível ampliação, a sua diretoria conta com ingresso de novos associados, para a apresentação de um clube verdadeiro monumental.
Alberto Herdy Alves, Alberto Ceppas de Carvalho, Alcides Macedo, Álvaro Geraldo Villela, Almir Faria, Afrânio Cerqueira, Antônio Castro Netto, Antônio Marinho Côrtes, Antônio Côrtes Villela, Antônio Fortes, Augusto Peracio Filho, Avany Côrtes Marinho, Benjamin de Azeredo Coutinho, Braz Povoleri, Carlos Teixeira Soares, Cesar Fávero, Darcy Villela Junqueira, Décio Villela Côrtes, Ed Villela, Eduardo Franco, Elias José Augusto, Elidio Côrtes, Eloy Teixeira Côrtes, Ennio Piras, Edson Côrtes Marinho, Fabio Tepedino, Fabio Alvim Ribeiro, Francisco Gomes da Silva Júnior, Francisco Santos, Francisco Reis Villela, Francisco Villela Pedras, Fuhad Fadel Sahione, Gabriel Ribeiro Reis Filho, Guanair Cunha, Geraldo França Salgado, Guilherme Teixeira Soares, Gustavo Augusto Teixeira, Gustavo Ferreira da Cruz Filho, Hélio Passos, Harold dos Santos Reis, Humberto Côrtes Marinho, Homero José Povoleri, Inimá Vale, Jurandir Junqueira, Jairo Villela, Jair de Oliveira, Joaquim Lopes, Joaquim Dias Ferraz, Joaquim Olavo Reis Junqueira, Jorge Thomé, Jorge Teixeira Côrtes, José Viana, José Villela Pedras, José Wantuil de Freitas, José Pimenta Marques, José Edson de Freitas Drummond, José Braz Azevedo, José Fabio de Almeida Mendes, José Luciano Galhardo, José Eugênio de castro, José Simões Fusaro, José Duarte da Fonseca, José Delphino Filho, José Gastão Junqueira, José Mário Galhardo, José Schettino, José Tepedino, José Avelino de Freitas, Júlio Brandão, Júlio Magalhães, Laerte Galhardo, Luiz Gonzaga Monteiro de Castro, Luiz Raimundo Gomes, Manoel Ceppas, Manoel Duarte Filho, Manoel Fernandes da Silva, Manoel Gonçalves Filgueiras, Manoel Joaquim Carneiro Júnior, Miguel Martins Laroca, Marino reis Junqueira, Moacir Ferreira, Núbio Binato, Newton Morais de Souza, Noel Corvisier, Oswaldo Peracio, Osvaldo Castro Netto, Odyr Peracio, Octavio Castro Côrtes, Olney de Freitas Drummond, Otto Ruback, Osmindo Lima Filho, Paulo Sertã, Pedro Gomes, Pio Villela Pedras Junior, Pichara David Fortes, Prudente Reis Junqueira, Renato de Souza Meirelles, Raul Machado, Renato Brugger Villela, Romeu Teixeira Côrtes, Silvio Caçador, Silvio Geraldo França, Sindorval de Mello, Waldyr Villela Pedras, Waldyr Filgueiras, Waldyr Fernandes da Silva, Walter Binato, Werley Coutinho Bittencourt e Yalmo de Marca."

Fonte: A Gazeta – 21 de junho de 1953



Miss Além Paraíba Wanda de Marca, foto promocional para o Concurso de Miss Minas Gerais no Além Paraíba Tenis Clube

Verão alemparaibano nos anos 60

sábado, 15 de outubro de 2011

CORONEL JOSÉ D'ALMEIDA PIMENTA E MARIA DE JESUS PIMENTA - FAZENDA DA ARAPÓCA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



A Família do Coronel José d’Almeida Pimenta e Maria de Jesus Pimenta na Fazenda da Arapóca - Além Paraíba, MG

Em 1 de outubro de 1933, foi publicada a “Bodas de Ouro” do Coronel. José d’Almeida Pimenta e Maria de Jesus Pimenta ocorrido em sua Fazenda da Arapóca em Além Paraíba.
A Fazenda da Arapóca é uma das cinco fazendas constituídas com terras da grande Fazenda Aventureiro, que pertencia aos herdeiros de Dona Maria Pimenta de Almeida Breves, foi hipotecada por seus netos, Luiz e Cecília, em 1889, ao credor Banco do Brasil.

Na publicação do Jornal Além Parahyba:
“Hoje, sentimo-nos contentes e jubilosos, recompensados.
É que temos de noticiar a comemoração da passagem das bodas de ouro de um casal ilustre que vem, radicado em nosso meio, dando sempre os mais robustos exemplos de retidão, amor, operosidade, compreensão de todos os deveres sociais e honrados, e a nossa pena se engalana de ufania e satisfação para, com sinceridade, enviar as mais 3efusivas felicitações ao coronel José d’Almeida Pimenta e a sua excelentíssima esposa Dona Maria de Jesus Pimenta.

Originários, ambos, do velho Portugal, aportaram em nosso país, sentido logo que erigiam aqui a sua segunda pátria.

Aqui no Brasil, se consorciaram e, pelo se trabalho honrado, incessante e persistente, conseguiram firmar-se numa situação invejável de bens materiais, conseguindo, ao mesmo tempo, se imporem à estima, a consideração e a veneração social pela sua fina educação, pela honestidade e pela sua comprovada lhaneza de trato.

Vivendo, embora modestamente, não descuraram, o Coronel Pimenta e sua excelentíssima esposa, da educação de suas filhas, que hoje são elementos primordiais em nossa sociedade e na sociedade carioca e são elas as excelentíssimas senhoras Adelaide Pimenta Alves, Armia Pimenta Cardoso da Silva, Josefina Pimenta Marques e Rosália Pimenta Pereira, esposas respectivamente, dos nossos amigos Abílio Herdi Alves e Antônio Cardoso da Silva, industriais, residentes no Rio de Janeiro, José Carvalho Marques, comerciante, aqui estabelecido e residente, e Dr. Mario da Cunha Pereira, engenheiro na Capital Federal.

Em comemoração tiveram inicio por uma Missa oficiada, em a Matriz de São José, às nove horas da manhã do dia 28 de setembro.

À tardinha, na confortável sede da fazenda da Arapóca, de propriedade dos homenageados, foi servido um opíparo jantar, seguido de fina mesa de doces.
A seguir, ao som do excelente jazz-band local, foi oferecido a sociedade alemparaibana um animado baile, que se prolongou até o dia seguinte.

A meia noite foi servida lauta ceia a todos os presentes, tendo sido feita, por essa ocasião, uma linda saudação ao Coronel Pimenta e sua excelentíssima esposa pelo Dr, Castello Branco.”


Foto da Fazenda da Arapóca tirada pelo cineasta Humberto Mauro

terça-feira, 11 de outubro de 2011

UM BARÃO SEM O BARONATO – SILVESTRE JOSÉ FURTADO TORRES – BARÃO DA TORRE

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Barão do Café – Denominação utilizada para identificar o grande cafeicultor. Indicava seu prestígio social e influência política, pois o barão do café foi a figura dominante da sociedade imperial. A maioria deles possuía títulos de nobreza, concedidos pelo Imperador.

Silvestre José Furtado Torres nasceu em 17 de junho de 1859, faleceu em 18 de setembro 1949 e era filho do Capitão Francisco José Furtado e Maria Francisca de Jesus.
Foi casado com Felisbina Maria de Almeida, nascida em 10 de junho de 1857 e faleceu em 20 de agosto de 1949.

Proprietário da Fazenda da Torre em Santo Antônio do Aventureiro, grande cafeicultor da região, recebeu o apelido de Barão da Torre, não por decreto do Imperador.

Anotações do Barão:
Datas de nascimentos dos filhos de Silvestre José Furtado Torres (Barão) e Felisbina Maria de Jesus.

• Meu filho Amâncio nasceu no dia 8 de abril de 1878.
Padrinhos: João Salustiano de Almeida e Pedro da Silveira Morais.
Madrinha: Escrava Magdalena.
Batizado em Santo Antônio do Aventureiro, MG.

• Minha filha Maria Affra nasceu no dia 24 maio de 1879.
Padrinho: Joaquim Antônio Pereira.
Madrinha: Dona Maria Francisca de Jesus e Francisca Maria de Jesus.
Batizada na Fazenda da Torre.

• Minha filha Honorina nasceu no dia 2 de abril de 1881.
Padrinho: Lindolpho Cardoso Brochado.
Madrinhas: Maria Francisca Pires e Joaquina Maria de Jesus,
Batizada em Santo Antônio do Aventureiro, MG.

• Meu filho Rodolpho nasceu no dia 30 de julho de 1882.
Padrinho: Dr. Henrique Duarte da Fonseca.
Madrinha: Dona Maria Felícia, moradora em Santo Antônio do Aventureiro.
Batizado em Santo Antônio do Aventureiro.
Foi madrinha de representar a escrava Conrada.

• Minha filha Deolinda nasceu no dia 8 de maio de 1884.
Padrinhos: José Ignácio de Abreu, sua mulher Dona Clara e sua filha Dona Augusta.
Batizado em Santo Antônio do Aventureiro, MG.

• Meu filho Firmiano nasceu em 11 de outubro de 1885.
Padrinhos: Eduardo Antônio da Silva Santos e Manoel José Furtado.
Madrinha: Maria do Carmo Nazareth.
Batizada em Santo Antônio do Aventureiro.
• A minha filha Idalina nasceu no dia 17 de fevereiro de 1887.
Padrinhos: Francisco José Furtado Torres Sobrinho.
Madrinha: Maria Catarina dos Santos.
Madrinha de representar: Florinda Maria Furtado.
Batizada em Santo Antônio do Aventureiro, MG.

• Minha filha Francisca nasceu no dia 12 de abril de 1888.
Padrinhos: José da Rocha Pires Sobrinho e sua mulher Dona Francisca.
Foi batizada em Santo Antônio do Aventureiro, MG.

• Minha filha Rita nasceu no dia 31 de outubro de 1889.
Foi batizada em casa.

• Minha filha Macimila naceu mo dia 1 de maio de 1892.
Padrinhos: Meu filho Amâancio.
Madrinha: Minha filha Maria.

• Minha filha Sebastiana nasceu no dia 24 de maio de 1886.
Foi batizada na Igreja de Santo Antônio do Aventureiro.
Padrinho: José da Silva Santos.
Madrinha: Dona Tereza dos Santos.

• Meu filho Turíbio nasceu no dia 9 de maio de 1899.
Padrinho: Antônio Carlos Ferreira.
Madrinha: Dona Tereza Dutra.

Cópia feita por Dimas Santos (neto do Barão); outubro de 1960


Sebastiana Torres com seu primeiro esposo José Venâncio e a sobrinha Maria do Marcionilio, filha de um irmão com uma escrava da Fazenda da Torre


 Sebastiana Torres com o seu segundo esposo Manoel Dutra de Moraes e os filhos

 

Livro de Óbitos da Igreja de Santo Antônio do Aventureiro - 1868 a 1890

“Aos dezoito de Fevereiro de mil oitocentos e oitenta e três, n’esta Parochia de Santo Antonio do Aventureiro, no Cemitério Geral, pelas quatro horas da tarde, foi sepultado o cadáver de Honorina, branca, filha de Silvestre José Furtado Torres e Felisbina Maria d’Almeida, de dous annos de idade, natural d’este Curato, fallecida de coqueluche no dia dezessete às seis da tarde, do que faço este termo que assigno. O Cura Alfredo Ferreira Norton.”

 
Capitão Francisco José Furtado - Pai do “Barão da Torre”

O Capitão Francisco José Furtado ao fim da vida morava com a família na "Fazenda da Torre" em Santo Antônio do Aventureiro e nasceu por volta de 1819.

Por volta de 1837 casou-se com Maria Francisca de Jesus.

O Capitão faleceu aos 12 de abril de 1872 na Fazenda da Torre. Óbito registrado na Paróquia de Santo Antônio do Aventureiro no ano de 1872 sob o número 135.

Lista de filhos, conforme o Inventário do Capitão:

Major José Francisco Furtado Torres que se casou por volta de 1864 com Maria Joaquina de Jesus. Faleceu ele em Inhapim em 1913 e ela em 1920.
Cândido José Furtado que se casou com Maria Porcina de Jesus.

Francisco José Furtado que se casou com Maria Francisca Pires.


Ritta Francisca de Jesus que se casou com João Antônio Pereira.


Maria Francisca de Jesus que se casou com Pedro José Furtado.


Francisca Maria de Jesus que se casou com Guerino Salustianno de Almeida.
Joanna Francisca Furtado que se casou com Francisco de Paula Almeida.
Manuel Francisco Furtado que se casou com Felisbina Maria de Jesus.
Joaquina Maria Furtado que se casou com José Venâncio de Almeida.

O mais novo Silvestre José Furtado que se casou com Felisbina Maria de Almeida.

Foi desarquivado o Inventário do Capitão no ano de 2010.
Dele se depreende que:

Os velhos residiam na Fazenda da Torre à época do óbito (em 1872). Pareceu-me que eram 56 (?) alqueires de terras;
A velha viúva já era muito doente;
Tinham outras terras na Fazenda Vertente do Rio Pardo, com 70 alqueires de terras;
Tinham mais terras na Fazenda da Pedra, onde plantavam café;
Tinham ainda mais outras terras na Fazenda São José, com 56 alqueires (?);
O 'Barão' era solteiro, de 13 anos de idade;
A velha ficou com terras na Fazenda da Torre, na Fazenda Vertente do Rio Pardo e também na Fazenda São José;
O 'Barão' ficou com terras na Fazenda Vertente do Rio Pardo;
Major José Francisco Furtado Torres ficou com terras em várias destas fazendas, sendo a maior parte na Fazenda Vertente do Rio Pardo, onde morava;
Major José Francisco Furtado Torres por ser o filho mais velho ficou como tutor do 'Barão' que era o mais novo e ainda menor;
Em 1874 o Oficial de Justiça intima Major Zeca Torres sobre a tutela do irmão na Fazenda Bela Vista. Parece que ele morava nesta fazenda;
Anos depois no mesmo processo o Barão Silvestre se apresenta como maior de idade e habilitado para se casar com a esposa Felisbina.
O 'Barão deve ter herdado da mãe ou negociado com os irmãos posteriormente e ter por fim possuído a Fazenda da Torre que a ele pertenceu e que lhe deu fama.

Fonte: Geraldo Magela da Silva Araujo

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

FRANCISCO DE ALMEIDA FRANÇA – QUILITA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Da esquerda para a direita em pé: Quilita, Valfrido, Massapão, Tonico e Quinquin. – Agachados na mesma ordem Haroldo, Garcia, Celso, Tozico e Boca Rica

Um jogador de futebol vale, não apenas por aquilo que produz ou pelo que rende tecnicamente, por seus malabarismos, por sua arte de fazer ou defender gols. Um bom futebolista, que se queira credenciar à administração dos torcedores, dos cronistas esportivos, atraindo para os campos verdadeiras massas de assistentes ansiosos para aplaudi-lo, é aquele de conduta exemplarmente disciplinar.
Mesmo nos instantes adversos de uma pugna, ele precisa saber se conduzir, não desmerecendo a confiança de seus companheiros de equipe, por outro lado, não faltando aquele dever que todo “crack” (digno desse nome) tem para com o público. Fugir dos conflitos, aos sururus, às brigas, e aos xingamentos ao arbitro, bandeirinhas, demais autoridades oficiais e adversários,
Um futebolista exemplar é aquele que mede no devido termo o valor de uma vitória e recebe com estoicismo a derrota, não descambando para o desespero ou para alijamento da culpa de revés sobre os ombros dos outros que, de igual para igual com ele pelejaram em busca da vitória, contingência de uma partida de futebol conforme são a derrota e o empate.
Enfim, um “crack” de futebol se caracteriza mais por um sem numero de qualidades e virtudes, entre as quais o cavalheirismo, a educação dentro e fora do gramado, a consciência elevada ante a critica que lhe aponta os erros técnicos ou as falhas cometidas em uma porfia.
Além Paraíba tem a felicidade de possuir esplêndidos atletas, técnica e disciplinarmente. E entre tantos, um faz bem o jus ao troféu Belfort Roxo, já que seu modo deve agir vem se pautando por uma norma de indefectível lisura,
Referimo-nos a Francisco de Almeida França – o popular Quilita, goleiro campeão do esporte Clube Independente. Moço é, no entanto, um veterano de nossas canchas esse rapaz, nascido bem aqui em nossa terra, aparecendo, como quase todo mundo alias, nas “peladas” de bola de pano, depois no Tigre Futebol Clube, que ajudou a fundar e mais tarde no CIAP Esporte Clube, onde sagrou campeão e de onde se bandeou para o atual grêmio.
Muitas vitórias, um cartel imenso de belos feitos, de gratas recordações, entremeando sim, e porque não dizê-lo se nisso nada há de desastroso? De algumas atuações infelizes, malsinadas.
Mas somente os que não vivem dentro do futebol estão livres dessas contingencias, que em nada desmerecem o valor de Quilita como jogador de futebol.
Ordeiro, fugindo às questiúnculas além e aquém do gramado, preparador e forjador de novas gerações de futebolísticos, Francisco de Almeida Franca é credor do penhor esportivo alemparaibano. Nas sumulas seu nome aparece na lista dos que jogam.

Adaptação do texto da A Gazeta de 7 de dezembro de 1952