terça-feira, 30 de agosto de 2011

DOMINGOS MÁRIO GALHARDO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes

Brasão da Família Galhardo





“Na roça vivia-se a vida, tudo era belo, tudo era verde e silêncio, tudo era puro como o ar que respirava. Acho que aquele que não conhece a vida na roça não viveu; quem não viu uma lavoura de café florida em setembro, quem não viu a lua cheia apontando no alto da mata virgem, envolvida em cerração rala entre os enormes galhos das árvores seculares, espalhando o luar pelos morros; quem não ouviu o grito da coruja nessa hora, o trilhar dos grilos, o sibilar da jaracuçu, o roncar dos porcos na ceva, um vulto de ave no céu; os vagalumes de luz fixa e os pisca-piscas, no alto dos morros e lá no brejo; um relinchar de um cavalo; quem não viu então um terreiro de pedras iluminado pelo luar...” (Luiz Rosseau Botelho)
Esse texto que Luizinho Botelho, afetivo escritor alemparaibano, escreveu em seu livro “Dos 8 aos 80”, se confunde com a vida de Domingos Mário Galhardo, o “Seu Mingote”, um filho de imigrantes italianos que trabalhou de sol a sol, foi tropeiro, boiadeiro e chegou a ser um respeitável fazendeiro no município de Além Paraíba, onde constituiu numerosa família.
Nascido na centenária Vila de Angustura no dia 29 de dezembro de 1883, “Seu Mingote” era filho de José Luciano Galhardo e Philomena Paraíso Galhardo. Seus irmãos foram: Otílio, Caetano (Taninho), Victor Galhardo e Maria Galhardo de Luca (Petita). Foi proprietário de duas fazendas no município alemparaibano, a “do Egito”, onde viveu a maior parte de sua vida (fica na subida do Morro do Boiadeiro e hoje é dividida em vários pequenos sítios), e a “Fazendinha”, que ficava pelos lados da Vila Caxias.
“Seu Mingote” era um homem da lavoura e da pecuária. De princípios morais inabaláveis, sua grande referência, foi um pai afetivo, estendendo esse afeto para seus netos e amigos – era um grande patriarca. Casou-se em 1904, na Vila de Angustura, sua terra natal, com Cecília de Araújo Galhardo, a “Dona Tita”, filha de Sertório Araújo e Dona Paula Dutra de Araújo, e da união nasceram onze filhos: Mario José, José Mário (Juca), Manoel (Neca), Itamar, Ary, Sebastião (Barão), Wander (Lei), Edelvira, Zilah, Maria Eunice (Cotinha) e Anna (Doninha). “Seu Mingote” faleceu no dia 30 de junho de 1958, em sua residência na Vila Laroca. Sua esposa Dona Cecília faleceu no dia 30 de maio de 1961.



Dona Paula Dutra de Araújo esposa de Sertório Araújo



Edelvira Galhardo Zanconato, seu esposo Humberto Zanconato e o seu filho Mario Roberto Galhardo Zanconato

Philomena Paraíso Galhardo esposa de José Luciano Galhardo

CAPITÃO VICTOR HERNIQUE GALHARDO

Capitão Victor Henrique Galhardo e Maria Laudelina Cerqueira Galhardo com o neto Vitor Angelo

Victor Henrique Galhardo nasceu na histórica Vila de Angustura em 25 de março de 1881. Filho de José Luciano Galhardo (originalmente Gagliardi) e Philomena Paraíso Galhardo, humildes imigrantes italianos estabelecidos naquele lugarejo.
Vitor Henrique tornou-se um dos fazendeiros mais prósperos da região, tendo possuído 18 propriedades ao longo de sua vida, sendo que 10 destas propriedades durante o mesmo tempo. Dentre outras, podemos apurar: Fazenda Vargem Grande(Angustura), Fazenda Cafelândia(Marinópolis), Fazenda Palmital(Gauchão), Fazenda Paraíso(Sapucaia), Fazenda da Serra(Vila Caxias), Granja 3 de Outubro, Chácara na Praça da Bandeira, Chácara em Copacabana, Sítio na Parada Breves etc.
O nome do Capitão Victor Henrique Galhardo tornou-se respeitado em todas as direções. Constituindo matrimônio com Maria Laudelina Cerqueira Galhardo (Dona Mariquinha), tiveram uma numerosa prole: José Luciano Galhardo casado com Hilda Toledo (filha do Cel. José Toledo), Maria Emília Galhardo de Castro casada com Luiz Gonzaga Rezende Monteiro de Castro (Neto do Barão do Retiro), Antônio Alberto Cerqueira Galhardo casado com Magdalena Gobbi, Laerte Cerqueira Galhardo casado com Horaida Santos, Letícia Galhardo Melo casada com Sinval Melo, Abigail Galhardo Marques casada com José Pimenta Marques (Proprietário da antiga empresa de ônibus de Além Paraíba), Venina Galhardo Melo casada com Sindorval Melo, Sílvio Cerqueira Galhardo casado com Elmira Taranto Galhardo (Miruxa) e Jaime Cerqueira Galhardo casado com Aparecida Carluccio Galhardo.
Um fato curioso é que dos dez filhos, nove homenagearam seu primeiro filho homem com o nome de Victor. Sendo estes: Victor Luiz, Victor José (2), Victor João, Victor Jorge, Victor Henrique, Victor Alexandre, Victor Artur, e Victor Ângelo.
O Capitão Victor Galhardo foi, ainda, um dos fundadores do Rex Club e incentivador da criação do Lactário São José. Ajudou na construção do Parque de Exposição de Além Paraíba, tendo seu nome perpetuado em um dos pavilhões. Na Praça da Bandeira existia uma placa com os dizeres: “Essa Praça foi construída com a ajuda do laborioso povo alemparaibano, em especial do Capitão Victor Henrique Galhardo.”
Victor faleceu em sua chácara na Praça da Bandeira, em 26 de outubro de 1968 e Maria Laudelina faleceu em 1973. Hoje os dois emprestam seus nomes à ruas daquele bairro.

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