sexta-feira, 4 de junho de 2010

A EDUCAÇÃO EM ALÉM PARAÍBA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Escola da Dona Minervina

A palmatória era o terror da meninada, especialmente nas sabatinas de tabuadas, quando os “bolos” eram distribuídos a granel. Bolos, varadas, puxões de orelha ou outros castigos, como passar a aula inteira de pé na frente da classe, com um livro aberto nas mãos. Isso quando a criança não era obrigada a escrever centenas de vezes – devido a um gaguejo ou a uma falha de memória – “devo decorar minhas lições até ser capaz de repeti-las corretamente”. E a maior parte do tempo passado na escola era gasto em repetições em voz alta, o principal “método” de ensino.

Com a mudança dos tempos, algumas escolas foram abolindo os castigos físicos e substituído-os por rígida disciplina. Surge, no começo do século vinte, uma nova pedagogia, em que a punição não mais se exerce sobre o corpo, mas sobre a “alma”, visando moldar o caráter dos futuros cidadãos. Nasce o tempo das suspensões de aula, do ficar de pé diante do quadro-negro, das listas de bons e maus alunos afixadas na parede.

Escola do Maestro Firmino Silva

Bons professores primários e músicos sempre se destacaram em Além Paraíba. Alguns eram as duas coisas: Firmino Silva, Vicente Serpa Duarte, Fausto Gonzaga, Manuel Batista Nunes de Souza lecionavam, tanto na cartilha, como na artinha.

De todos os professores primários nenhum consagrou-se mais do que Arthur Ferrão. Não era apelido – é nome mesmo ! Ferrão com todas as letras. Ele honrava as duas silabas. Inteligente, culto mas, sobretudo, enérgico como só ele. Estudante ali em sua escola não brincava porque a palmatória fazia bolhas nas mãos e os caroços de milho nos joelhos dos alunos, caso contrário, recebia uns bons puxões de orelhas.

Para aquele tempo, muito natural. E os pais gostavam. Ferrão ensinava mesmo, numa fama que só trouxe benefícios à cidade, a qual ganhou gente preparada cheia de saber, graças ao imortal mestre.

Desenvolvendo Educação

Colégio Americano, localizado no Bairro de São José

O ensino em Além Paraíba tinha conhecido dedicações nos esforços encetados através do Barão de São Geraldo, do Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca, do Barão de Guararema, Cel. Luiz de Souza Breves, Cap. Vicente José Mendes Ferreira e outros interessados, inclusive, na fundação de um colégio local. Dentro dessa diretoria surgiu, em modestas proporções, o Colégio Americano, responsável pelas poucas inovações em matéria de educação e foi dirigido pelas dedicadas irmãs Araújo. Seu funcionamento restringiu-se a um pequeno período. Logo a seguir, foi criado o Colégio São José, de propriedade do Dr. Edelberto Figueira. Contando com um bom corpo docente, o dito educandário foi dando margens a uma justa aspiração de se transformar em um ginásio – dedicado ao ensino secundário. Eram seus professores – o Dr. Aristóteles Freixo Lobo (Promotor de Justiça), Fausto Gonzaga, Padre Cristóforo de Barros, o Dr. Edelberto Figueira (ex-Juiz Municipal) e as senhoras Joaquina de Almeida Santos Botelho (Pituta), Maria Luiza de Miranda e Claudina Mendes.

Em torno da idéia do ginásio, houve até mesmo uma campanha nos jornais da cidade: “Evolucionista” e “Gazeta de Porto Novo”.


Contando com homens de escol como Edelberto Figueira, Álvaro dos Reis Villela, João Paulo Teixeira Côrtes, Victor Henrique Galhardo, perfazendo um total de 95 subscritores, foi fundado o Ginásio Além Paraíba S.A., aos 22 de fevereiro de 1922.

Em sessão solene, foi eleito presidente o Dr. Alfredo Martins de Lima Castello Branco e diretor o Dr. Edelberto Figueira.

Com entusiasmo e abnegação, foi o prédio concluído, ainda naquele ano, pelo construtor português, Gustavo Ferreira da Cruz.

Com o correr do tempo, tornou-se indispensável aumentá-lo. Eis que surge, compreendendo a magnitude do problema, o casal Domingos de Andrade Villela e Dona Ormezinda Côrtes Villela, sanando a parte financeira.

Outros importantíssimos estabelecimentos de ensino surgiram: Escola Pública do Bairro das Oficinas, dirigido por Dona Joaquina Santos Botelho (Pituta); Escola Normal dos Santos Anjos; Grupo Escolar Dr. Castello Branco; Grupo Escolar Dr. Salles Marques; Lyceu Operário e Recreativo, mantido pela Estrada de Ferro Leopoldina; Externato Maria de Nazareth, dirigido pela Srta. Maria Marques, Colégio N.S. Aparecida; Colégio da “Dona Minervina”; e, em Angustura, o Grupo Escolar Barão de São Geraldo.

Outras escolas surgiram, nos anos 60. Idealizada, pela grande educadora Sra. Else de Deus Brandão Pimenta Ferreira, foi a instalação da CNEG, hoje Escola Cenecista Professor Sérgio Ferreira; depois o Ginásio Estadual São José, liderado pelo professor Salvador Vieira de Menezes e, em 1973, foi inaugurada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Professora Nair Fortes Abu-Merhy pelo professor e advogado, Dr. José Alves Fortes.



Momentos do antigo Ginásio Além Paraíba - atual Colégio Além Paraíba


Grupo Escolar Salles Marques


Antigo SENAI de Além Paraíba - mantido pela antiga Rede Ferroviária Federal


Momento cívico dos alunos do antigo Liceu na Vila Laroca - mantido pela antiga Rede Ferroviária Federal

Adaptação dos textos de Nosso Século – Editora Abril e Octacílio Coutinho

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