domingo, 17 de outubro de 2010

A LENDA QUE ENVOLVE DONA MARIA I E TIRADENTES

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




A região que se encontra o município de Além Paraíba, era coberta de grandes matas, habitadas por índios e em virtude da inexistência de ouro e pedras preciosas, era quase abandonada pela “Coroa”. Até os fins da segunda metade do século dezoito, era conhecida apenas pelos tropeiros que, vindos da Corte, demandavam ao aldeamento do Pomba e o Presídio de São João Batista ou pelos traficantes de ouro vindo da Zona da Mineração.
Com o aparecimento do ouro em Cantagalo, fugiram para lá o contrabandista “Mão de Luva” e seu comparsa Padre Guimarães.
O Governador da Província de Minas Gerais – Dom Luiz da Cunha Menezes, envia para essa região o Sargento-Mór Pedro Afonso Galvão de São Martinho com a finalidade de prender o Contrabandista “Mão de Luva” e o seu comparsa e instalar um “Registro” (posto de fiscalização) visando a deter o contrabando do ouro. Em junho de 1784, o militar cumpre parte de sua missão: Instala o “Registro” anexo a um cais de madeira, para atracação de balsas que cruzavam o Rio Paraíba do Sul.
A diligência chefiada por São Martinho fez escala por Rio Pomba e fazia parte desse comando o Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o “Tiradentes”, que se achava na Ronda do Mato, pois desempenhava o papel mais importante, misto de argumensor e de engenheiro de minas – pois a esse tempo já se revelava os conhecimentos gerais de que era dotado e reconhecidos pela própria Rainha de Portugal que chegou a lhe confiar missão certa responsabilidade e de confiança, foram aos sertões de Macuco, onde estava Mão de Luva.

Monumento do Inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, na cidade Tirandentes MG



Quanto a condenação e enforcamento de Tiradentes, multiplicaram-se as versões através do tempo. Uma delas, sem poder comprovar cientificamente até onde é verdade, conta-nos Acácio Ferreira Dias, em “Terras de Cantagalo”, que no ano de 1758 o nobre fidalgo português Manoel Henriques, Duque de Santo Tirso, que vivia tranquilo em seu Ducado, seduzido pela princesa sua amada, Dona Maria, meteu-se numa terrível conjuração que o levou à cadeia em “Limoeiro” – Lisboa e no enforcamento dos Távoras.
Escapou do cadafalso, graças à interferência de sua amada a princesa Maria de Bragança, filha de Dom José I, que subiu ao trono em 1777, com o nome de Dona Maria I, morrendo louca na cidade do Rio de Janeiro em 1816.


Sua amada, podendo livrá-lo da forca, não pôde evitar o seu exílio para as terras da Colônia do Brasil, para onde veio sob a garantia de que teria permanentemente a mão direita calçada pela luva negra que lhe marcou a existência, com o apelido de “Mão de Luva”.
No Brasil, exilado como malfeitor, tornou-se um chefe garimpeiro. Começou nas cabeceiras do rio Tripui, em Ouro Preto. Mais tarde, perseguido atravessou o rio Paraíba do Sul, na Aldeia das Pedras, hoje Itaocara e com seu grupo de onze companheiros subiu o vale do Rio Negro até chegar o Morro do Fundão, em Cantagalo.
O Vice Rei de Portugal, Dom Luiz de Vasconcellos e Souza, recebendo denúncias de que no sertão de Cantagalo vagavam aventureiros extraindo muito ouro, mandou cerca-los.
No ano de 1786, “Mão de Luva” e seu bando foram capturados e já dominado, Tiradentes deixa São Martinho em Cantagalo e atravessa o Rio Paraíba do Sul, no Porto do Cunha (hoje, Porto Velho do Cunha) rumou pelo Vale do Paraíba para a Aldeia da Pedra até a Barra do Pomba , onde tomou caminho dos Campos de Goitacases e “mão de Luva foi levado preso para Vila R ica.
Dona Maria I, casou-se com o Infante Dom Pedro (seu tio) e o Duque de Santo Tirso, morre na viagem de degredo em Moçambique. Em sua confissão a bordo pediu ao confessor capelão que entregasse à Dona Maria o crucifixo de ouro e a luva preta recebidos das mãos de sua amada.
O padre confessor cumpriu sua promessa e Dona Maria enlouqueceu.
Dona Maria, conhecida como bondosa, perdoou a todos inconfidentes, inclusive aos seus grandes mentores, poupando-lhe da forca, à exceção de Tiradentes. Não pela atuação deste na Conjuração Mineira, a qual não se comparava a de Thomaz Antônio Gonzaga ou a de Cláudio Manoel da Costa, mas porque o alferes perseguira o seu amado Duque de Santo Tirso que ela traíra, esquecendo sua jura de amor, sentindo-se, profundamente arrependida dessa traição, numa emoção que a levara à loucura ao saber que ninguém mais beijara aquela mão que ela cobria com uma luva preta.

Quadro de autoria de Pedro Américo - acervo do Museu Mariano Procópio - Juiz de Fora MG

Durante os anos em que “Mão de Luva” agiu naquela região aurífera, dizem que teria enterrado preciosos tesouros em algumas grutas.
Acredita-se que o nome da cidade de Cantagalo deve-se ao fato de que a expedição de Pedro Afonso Galvão de São Martinho, cansada de procurar Mão de Luva, teria sido levada ao local de seu acampamento devido ao canto de um galo.
Há quem diga que nas proximidades da Pedra Riscada, em Nova Friburgo, teriam sido encontrados alguns tesouros escondidos por Mão de Luva.

Adaptação do texto de Acácio Ferreira Dias

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