domingo, 4 de julho de 2010

ALÉM PARAÍBA VAI À GUERRA

Por: Mauro Luiz Senra Fernandes


Final da Segunda Guerra Mundial,combatentes alemparaibanos Waldyr Filgueiras, Fuhad Fadel Sahione, Braz Povoleri e o jornalista Imbrahin Tebet (Jornal "A Noite"), setembro de 1945, no vapor "General Meigs"

Como na Primeira Guerra Mundial, o Brasil só entrou no conflito depois de ter seus navios afundados pela Alemanha. Em 1942, porém, os torpedeamentos foram mais violentos: 36 mercantes brasileiros foram postos a pique, provocando a morte de quase mil pessoas. Apenas entre fevereiro e julho de 1942, foram 14 os navios afundados. Mas só em 15 de agosto deu-se o primeiro ataque em águas territoriais brasileiras: o submarino nazista U-507 afundou o Baependi matando seus 270 tripulantes. Nos dias seguintes, o mesmo submarino pôs a pique outros quatro navios, todos na costa entre Sergipe e Bahia. Os ataques causaram grande comoção nacional e nem mesmo os simpatizantes do nazismo que faziam parte do Governo conseguiram impedir (como havia feito antes) inúmeras passeatas favoráveis à declaração de guerra. No dia 31 de agosto, Vargas rendeu-se à pressão e o Brasil declarou guerra à Alemanha.
Nem todas as nações aliadas eram favoráveis à presença do exército brasileiro nos combates na Europa, uma vez que as tropas do país eram consideradas despreparadas e mal equipadas – o que era um fato. O projeto inicial era enviar os expedicionários brasileiros para combater na África. Em agosto de 1943, um decreto criara a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Esperava-se que cem mil brasileiros se alistassem. No início de 1944, porém, apenas 28 mil soldados estavam prontos para entrar na guerra. A derrota alemã na África forçaria uma mudança nos planos dos aliados com relação à FEB, escalada, então, para lutar na Itália. Na noite de 30 de junho de 1944, numa operação sigilosa, mais de 5 mil soldados brasileiros embarcaram, no Rio de Janeiro, no navio americano General Mann, com destino ainda desconhecido. Era o primeiro contingente dos 25.334 homens que, sob o comando do General Mascarenhas de Moraes, se incorporariam ao 4º Corpo do Exército Americano, por sua vez integrante do 15º grupo de exércitos aliados.
Os soldados brasileiros não fizeram feio nos campos de batalha da Itália. Ao longo de 239 dias de luta (de 6/9/1944 a 2/5/1945), a FEB participou da guerra pela conquista dos Apeninos, a cadeia montanhosa, de grande importância estratégica para dar acesso aos vales dos rios Reno e Pó. A tomada de Monte Castelo – que fracassara em três ocasiões anteriores – ocorreu em 21 de fevereiro de 1945, depois de 12 horas de combate. Foi o ponto alto da ação bélica brasileira. Ao todo, o Exército do Brasil teve 465 mortos – 444 soldados, 13 oficiais do Exército e 8 oficiais da FAB (Força Aérea Brasileira) – e 1.517 feridos em combate (mais de 658 “acidentados”). A FEB capturou mais de 20 mil alemães, 80 canhões e 1500 viaturas. No dia 18 de julho de 1945, os primeiros 4.931 pracinhas brasileiros retornaram ao Rio de Janeiro. Ao desfilarem pela Avenida Rio Branco, foram recebidos apoteoticamente. Ao longo das semanas seguintes, a cerimônia se repetiria para os demais contingentes.
Inúmeros jovens alemparaibanos foram convocados para integrar na FEB, muitos não chegaram a ir pois a guerra chegou ao final. Tivemos dois veteranos que morreram na Itália: Clower Bastos Côrtes e Manoel de Souza. No Rio de Janeiro podemos visitar o Monumento dos Pracinhas, localizado no Aterro do Flamengo, que homenageia os combatentes mortos na Itália.
Embora muitos não saibam, há um monumento que se destaca na Praça Coronel Breves, homenageando os 33 alemparaibanos convocados e que combateram na Segunda Guerra Mundial. São eles: Adolfo de Carvalho Fernandes, Antônio José da Silva, Antônio Ferreira da Silva, Bento Ribeiro Ferreira, Braz Povoleri, Carlos Côco Muchinelli, Cirilo José Bandeira, Clóvis Monteiro dos Santos, Clower Bastos Côrtes, Edson Lettieri, Fracisco Alves de Almeida, Fuhad Fadel Sahione, Gabriel Tavares de Souza, Geraldo Furtado Gomes, Geraldo Teixeira Rodrigues, Helton Rocha, Jairo Faria, João Adriano de Carvalho, João Alexandre, João de Souza Santos, João Ferreira da Silva, José Ernesto, José Ferreira de Resende, José Furtado Gomes, José Gonçalves de Lima, José Medeiros de Melo, Manoel de Souza, Manoel Marques de Rezende Filho, Mário Nascimento, Otávio Manoel Ferreira Junior, Waldyr Filgueiras, Walter Gomes da Silva e Ed Torres Furtado (FAB).
Ed Torres Furtado (FAB)


Monumento que homenageia o "Pracinha" alemparaibano, foi inaugurado em 01 de fevereiro de 1959.
"Nessa pedra que tem alma, no granito que pulsa, no monumento que respira, no pracinha que empunha o fuzil com firmeza, na fisionomia do combatente que enfrenta a luta com decisão, refletem-se a coragem, a valentia, a bravura, o patriotismo, o sangue rubro, o entusiasmo, próprios dos moços nascidos à sombra dos nossos vergeis, beijados pelo Paraíba, pelo Limoeiro, pelo Angú ou Riacho da Conceição, que vocês, só do alto, junto as estrelas e ao luar continuarão a ver".O Professor Sílvio Rodrigues Maia proferiu o discurso no dia da inauguração.

6 comentários:

  1. "Entretanto, com a deflagação da II Guerra Mundial e a posterior adesão do Brasil à causa aliada, Getúlio Vargas passou a enfrentar uma grave contradição em seu Governo:se, no plano exterior, lutava contra as ditaduras nazista e fascista, internamente era, ele próprio, uma ditadura".

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  2. gostaria de saber sobre meu bisávô que foi para 2 guerra nome dele é(SEVERINO ALVES DA SILVA)morador de jaguaribe meu nomo(JOSE THIAGO GAMADOS SANTOS) NETO DE(HERIBERTO GAMA DA SILVA) EMAIL/thiago.arca@hotmail.com

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  3. Olá Mauro:
    Gostaria de obter a autorização para utilizar duas fotos no livro que estou produzindo para o Ministério da Defesa sobre a FEB.
    Meu end é jhenriquebarone@gmail.com
    Obrigado

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  4. Sr. MAURO,

    Meu tio, EULER SILVA ANTUNES, filho de Lineo Antunes Vieira e Esmeralda Silva Antunes, foi a 2ª Guerra Mundial, era filho de Além Paraíba, e talvez por morar na época no Rio de Janeiro, não conste da relação dos Ex-Pracinhas.
    A bem da verdade, tio Euleu (já falecido) nunca fez parte de nenhuma Associação de ex-pracinhas...

    Abraço fraterno,
    MARIA CHRISTINA ANTUNES FREITAS

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    1. Ola Christina tudo bom?
      Vosê tem fotos e historias de seu avô?
      meu e-mail ricardo@segundaguerra.net

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  5. Mauro sou moderador do site Ecos da Segunda Guerra, e escrevo sobre a FEB, será que poderia me ajudar com historias, diarios e fotos dos veteranos ai da sua região?
    Fico no aguardo de um contato.

    Ricardo@segundaguerra.net

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