sexta-feira, 4 de junho de 2010

INDUSTRIALIZAÇÃO EM ALÉM PARAIBA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


           “Preservar nossa história é como construirmos pontes que no possibilitam anular a distancia que nos separa daquilo que já fomos.

            É maravilhoso imaginar e sentir a vida daqueles que se foram e nos deixaram tamanha cultura e beleza.”


Vista de Porto Novo



No ano de 1906, o português Adão Pereira de Araújo instalou uma pequena usina geradora de energia elétrica. Antes dessa iniciativa Além Paraíba era iluminada à luz de lampiões que eram acendidos às 18 horas e apagados às 3 horas da manhã, ou melhor, da madrugada, daí os homens que os acendiam serem chamados de “lobisomens” ou “fantasmas”.

Com a energia elétrica veio a industrialização e, conseqüentemente, o progresso. Além Paraíba muda seu modo de produção, surgem inúmeras indústrias e, com isso, uma nova classe – a operária.
A primeira indústria instalada foi a Fábrica de Bebidas do italiano Nicolau Taranto, casado com a alemparaibana Carolina Alves Taranto, neta do Capitão Vicente Mendes Ferreira, proprietário da Fazenda da Cachoeira, em Vila Caxias, vereador no primeiro governo emancipado da cidade e maior acionista da empresa Carril Além Paraíba (bonde de tração animal).

O primeiro grande investimento que ajudou a mudar a cara da cidade foi a criação da CIAP – Cia. Industrial de Além Paraíba (Fábrica de Tecidos), fundada em 9 de dezembro de 1912, sendo seu primeiro presidente e fundador, o Dr. Alfredo Martins Castello Branco. Sua primeira diretoria era composta por Dr. Alfredo Martins Castello Branco, Sr. Acácio de Lima Castello Branco e o Capitão Miguel Laroca; e do primeiro Conselho Fiscal participavam os Srs. Antônio de Lima Castello Branco, José Pagano Brundo e Antunes. O capital inicial da Companhia era de 500 contos de réis. Posteriormente, em 27 de abril de 1972, a Companhia foi incorporada ao grupo Dona Isabel, passando à denominação de Cia. Fábrica de Tecidos Dona Isabel.


Vista da Fabrica de Tecidos em Porto Novo


Em 1925, com um capital de 700 mil contos de réis, surge uma nova indústria – a Fábrica de Papel Santa Maria, idealizada e fundada pelos Srs. José Mercadante, José Teixeira Bastos, Cel. Leonardo de Freitas, Dr. Antônio Augusto Junqueira e Affonso Sálvio; e, em 1933, a fábrica com 96 operários, produziu 2.800.223 quilos de papel de embrulho.


Inauguração da Fabrica de Papel Santa Maria - 1925


Surgiram também nessa época, pequenas mas não menos importantes, outras indústrias como: a Serraria Portonovense de Manoel Pereira, João Rozante, José Mercadante e outros; a Oficina Industrial Binato Ricardo – no ramo da metalurgia – considerada uma escola profissionalizante na cidade; a Fábrica de Móveis, que foi mais uma valorosa iniciativa e de propriedade dos Srs. José Mercadante & Cia.; Fábrica de Meias Iracy, mantida pela mesma empresa José Mercadante & Cia; Fábrica de Bebidas dos Srs. Teixeira Bastos & Cia; Fábrica de Massas sob o nome de “Pastificio Povoleri”, do Sr. José Povoleri; Fábrica de Manteiga e a Fábrica de Gelo, que pertenceram ao Sr. Adão Pereira de Araújo, a fim de facilitar e de possibilitar a sua grande distribuição de leite e creme para o Rio de Janeiro; Fábricas de Picolés, em Porto Novo, de propriedade dos Srs. Nabum Francisco e Jorge Elias Sahione, respectivamente, as de nomes Sorveteria Moderna e Sorveteria Polar; Marmoraria São José, do Sr. Adhemardo Gonçalves Salles, revelando nos seus trabalhos, muito gosto e perfeição; Fábrica de Fubarina, do Sr. Francisco Rezende; as torrefações de café: Café Castello & Cia, Café Aracy, de Cerqueira & Irmão e Café União, de Coutinho & Filho; Trituração de Açúcar, do Sr. Arthur Cardoso França; Tipografia Comercial, onde se imprimia o órgão oficial da prefeitura, o jornal “Além Parahyba”, da empresa José Mercadante & Cia; Tipografia São José, pertencente a empresa Jairo & Wilson – mais modesta, mas também, de obras – onde era impresso “O Combate”, órgão oficial do Partido Republicano Mineiro de Além Paraíba; Oficinas Mecânicas: Santa Helena, de Mercadante & Cia.; e outras cada uma pertencentes aos Srs. Gustavo Sorensen, Domingos Fernandes, José Augusto Moreira e Manoel Corrêa Júnior; Oficinas Marotta, com sortimento grande e variado de suas oficinas, pertencentes ao Sr. Luiz Marotta; Oficinas Santa Cruz, que aliada a uma boa serraria, funcionava a marcenaria do exímio oficial Sr. Gustavo Ferreira da Cruz, auxiliado por seus filhos hábeis operários marceneiros; a Fabrica de Refrigerantes, fundada pelo português José Jacinto Teixeira Filho (A Realeza); Fábrica de Ladrilhos, de propriedade dos Srs. Campos & Cia, fornecendo os bonitos e bem feitos ladrilhos para a nossa bela Igreja Matriz de São José; e sem falar nas grandes Oficinas da Leopoldina Railway, um dos maiores propulsores da vida de nossa cidade, que contava com diversas seções: ferrarias completas, torneiros, ajustadores, serralheiros, carpinteiros, marceneiros, pintores, fundições de ferro, aço e bronze, máquinas elétricas, etc.

Naquela época, Além Paraíba era um grande centro industrial de Minas Gerais, oferecendo oportunidades e qualificando profissionais de toda a região, sem falar da classe operária que era bastante politizada e forte. Atualmente, pouco resta do antigo crescimento industrial da Cidade – as poucas fábricas e oficinas que ainda restam, decaídas e vazias, só há o silêncio de suas máquinas e de seus apitos ou, então, o som das marretas e picaretas em atividade para a demolição e construção de habitações, como é o caso da nossa querida e saudosa “Leopoldina Railway”.




 

Fonte: Adaptação do texto do Almanack 1935 do Município de Além Paraíba, organizado por: Dr. Aristóteles Lobo, Raul de Carvalho Marques e Francisco de Carvalho Marques.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

SOCIEDADE MUSICAL SETE DE SETEMBRO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


“Há no largo um jardim, no jardim um coreto, e no coreto, quando é Domingo, toda fardada e correta, a “Sete de Setembro” faz retreta. Em volta passeando, as garotas vão conversando, vão namorando...” – Columbano Faria Duarte

O povoamento de Além Paraíba iniciou-se em dois núcleos: São José e Porto Novo. O bairro de São José tornou-se a sede do município, onde seus moradores mais ilustres pertenciam à aristocracia rural; já Porto Novo, tornou-se um bairro burguês, onde foi desenvolvido o comércio.
A rivalidade entre esses dois núcleos vem de longa data, desde o surgimento da ferrovia. Em Porto Novo foi construída a bela e imponente Estação Ferroviária e a ponte sobre o Rio Paraíba do Sul e, em São José, foi construída uma pequena estação, não menos importante, e a magnífica Igreja Matriz.
O bairrismo era tão forte que os moradores participavam de todas as iniciativas que visavam dar aos bairros uma posição de melhor destaque. Em 1896, o assunto em voga era a criação de um grupo musical no bairro de Porto Novo, denominado Grupo Musical Carlos Gomes, provocando um sentimento de satisfação e orgulho por parte da população local.
Os moradores de São José sentiram-se inferiorizados com a liderança cultural e musical daquela localidade. A mobilização começou a acontecer, a comunidade toda foi contagiada. Após uma reunião na Praça Coronel Breves ficou deliberado que São José possuiria, também, seu grupo musical.
No dia 23 de agosto de 1897, na residência do Sr. Manoel Correia Júnior, foi criado o Grupo Musical São José e o seu primeiro regente foi o próprio Sr. Manoel. Decorridos seis meses de ensaios, os componentes já estavam aptos para as primeiras “tocatas”.
De Manoel Correia Júnior, outros regentes passaram pelo grupo musical, como Antônio Euzébio dos Santos, Nelson de Barros, Acir Figueiredo (vindo da cidade de Santo Antônio de Pádua por indicação do influente diretor João Pereira Filho). O grupo foi elevado à condição de Banda Musical, passando-se a se chamar Sociedade Musical Sete de Setembro, no dia 23 de junho de 1907. Naquela época, foi eleito o primeiro presidente da corporação, o Sr. Antônio Euzébio dos Santos.
Por volta de 1913, após uma reunião, o mestre Acir Figueiredo foi bastante criticado por alguns diretores insatisfeitos com o baixo rendimento da Banda. Recebeu as críticas com humildade e buscou aprimoramento.
Em 1914, Acir Figueiredo foi convidado para reger a Banda de Leopoldina, recebendo uma proposta que se tornou irrecusável e, com isso, transferiu-se para a vizinha cidade. A situação da Sociedade estava muito difícil financeiramente e, com o afastamento do maestro, ficou pior.
Surge Tolentino Oliveira que, durante dois anos, permaneceu à frente das atividades com indiscutível brilhantismo.
Levi Reis Rodrigues, vindo da cidade de São João Del Rey para regência do coral da Igreja Matriz de São José, foi convidado também para reger a Banda Sete de Setembro na mesma ocasião. Aceitou o cargo e, com muito brilho e a inteligência que lhe era peculiar, ficou de 1917 a 1919, quando foi assumir o cargo de escrivão na vila rural de Angustura.
Acir Figueiredo, vindo passear e rever os amigos na cidade, tocado pelos apelos feitos, não se fez rogado e aceitou retornar ao cargo de maestro, no qual manteve-se até 1926.
Desde 1921, Dr. Jarbas Salles Marques vinha no comando da presidência da Sociedade Musical Sete de Setembro e, com os demais membros da diretoria, elegeu o Sr. Euclides Vasconcelos Barbosa - o “Mestre Tita”- para reger o corpo sinfônico, atuando por mais de quatro décadas.
Com o apoio de “Mestre Tita”, o presidente Dr. Jarbas Salles Marques traçou um grande projeto: a construção da sede própria da Sociedade Musical Sete de Setembro, com a participação de toda a diretoria e, em 1928, foi concretizada a idéia: estava pronta a sede da Sociedade Musical.

Dois artífices foram destaques na construção da sede: Olimpio Pereira de Souza e Francisco Gomide. Era o sonho transformado em realidade.
Figuras femininas também foram destaques na história da banda, dentre elas: Hermínia Barbosa Fernandes, irmã do Mestre Tita; Lectícia Risoleta da Silva Mattos e a atual madrinha, Ana Mattos de Oliveira (Naná).

 A história registra pessoas importantes no desenvolvimento da Sociedade Musical Sete de Setembro, como: Joaquim Dias Moreira (Quinzoca), Walter Lobo, José Silveira, Francisco Sotero da Rocha, José Maria dos Santos Faria e muitos outros.
Nesta síntese, fica o singelo registro de uma vitoriosa história de um grupo musical que surgiu de um grupo de bairristas, fanáticos pelo seu bairro e que resultou na talentosa Sociedade Musical Sete de Setembro.







Fonte: Helio Costa

quarta-feira, 2 de junho de 2010

SOCIEDADE MUSICAL CARLOS GOMES

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


"Coube ao Barão de Guararema fundar a mais antiga banda que figura na história alemparaibana. Era toda composta de ex-escravos que desfilavam descalços e a cabeça era coberta com chapéu de palha.” Octacílio Coutinho

A história da Sociedade Musical Carlos Gomes é uma história de perseverança e de vitórias. Tudo começou na casa de José Pinto da Silva, no dia 15 de agosto de 1896, constituindo-se aquela que viria a ser a mais duradoura instituição de Além Paraíba.
Para que isso fosse possível, é muito importante citarmos, além dos nomes que figuram nas relações de presidentes e de maestros, outros como os de Luiz Pinto da Cunha, Giovani Pianosi, Adalberto Araújo, José Gomes de Pinho, Serafim Mattos, Álvaro Antunes, Francisco de Mattos, José Macedo, José Bernardino de Paula, Cláudio Coutinho, Delfino Rocha, Mário de Castilhos, Manoel Affonso Fernandes e José Antônio Varela.

Foto da Sociedade Musical Carlos Gomes, na Estação Ferroviária de Porto Novo

Representando e honrando Além Paraíba no decorrer de um século, a Sociedade Musical Carlos Gomes, entre inúmeras atuações dentro e fora do município, foi o destaque de festa da Nossa Senhora da Penha, no Rio de Janeiro, em 1977, quando tocou para milhares de pessoas.
A história de uma banda é também a história da solidariedade, do espírito coletivo e do amor pela música. As bandas são as nossas orquestras de rua, símbolos dos sons que nos remetem à saudade dos tempos esquecidos ou que resgatam nosso orgulho, quando enchem o ar com a força de suas marchas e dobrados.
A Sociedade Musical Carlos Gomes carrega em seu nome a figura de nosso mais fecundo compositor clássico de todos os tempos. Quando ela passa, envolvendo ruas, janelas e praças, com suas percussões e seus metais, é hora de toda a cidade aplaudir, silenciando os nossos instrumentos, para que a Banda predomine, dando um toque lírico à mecanização dos tempos modernos.
Não é qualquer instituição que chega nessa idade, trazendo só alegrias para as pessoas.

Seus os principais maestros:
Firmino Silva, José Pinto da Silva, Octávio Pereira da Costa, Eraldo Silva, Nestor Monteiro, Wallace de Mattos, Jayme Dias Passos, Saturnino Silva, Newton Monteiro, Luiz Pinto da Cunha Júnior, Luís Gonçalves Ribeiro, Artulírio Alves Souza e Hamilton Carvalho Souza.
Seus principais presidentes:
Eurico Lopes Ferreira, Alfredo Bernardes, Francisco Aguiar, Antônio Medeiros, José Mercadante, Antônio Brum Costa, Leonardo Freitas, Henrique Dutra, Sebastião José Borges, José Pagano Bruno, Genaro Mello, Luiz Pinto da Cunha, Elpídio Henrique da Costa, Sinval Teixeira Rios, Otto Barroca, Wagner Calmon Gomes, Athayde Henrique de Souza, Aloisio José Borges, Francisco Gomes da Silva, Clinton Motta, Milton Júlio Carvalho Souza e o atual – Hugo Eduardo Rodrigues.


Fonte: Adaptação do texto do Conselho Municipal de Cultura em 1996

terça-feira, 1 de junho de 2010

HOSPITAL SÃO SALVADOR - Uma fonte: Dr. Paulo Joaquim da Fonseca

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



O ano de 1895 foi de grande provação para esta cidade, debaixo do ponto de vista higiênico.
Desprovida de meios de defesa, sem água, sem esgotos, sem higiene pública e privada, indefesa, era natural que sofresse como sofreu, os efeitos desastrosos das epidemias de que foi vítima.

E nesse ano mortífero, foram três epidemias que aqui romperam.

A primeira – cólera morbus – a mais terrível pelo pavor que causa o enfermo que, muitas vezes falece em poucas horas depois de atacado pelo mal, cuja gravidade ele apresenta.

Seguiu-se a febre amarela que fez numerosas vítimas e, finalmente, a varíola, não menos terrível e apavorante do que as primeiras.

Incumbido pelo Governo do Estado (Dr. Paulo da Fonseca), naquela ocasião, de superintender os serviços de profilaxia e de combater a primeira e a terceira dessas epidemias, compreendi, pelas dificuldades quase insuperáveis com que lutei, que era materialmente impossível um ataque eficaz a qualquer morbus epidêmico sem hospitais de isolamento.

Fiz, então, construir barracões a fim de isolar os doentes conseguindo um melhor resultado. Mas gastava-se preciosíssimo tempo na construção desses barracões e, sendo assim, cheguei a conclusão que, durante quadras epidêmicas, despendem os Governos grandes somas na obra de combate ao mal que aflige à população; porém, com um único efeito, enterrar os mortos (Ilha do Lazareto).

Tal maneira de pensar que, então, externei francamente no meu relatório ao Governo do Estado.

Foi nessa ocasião que concebi a ideia de promover nesta cidade a fundação de um hospital que preenchesse inteiramente os seus fins, isto é, que pudesse receber e tratar doentes e que num dado momento pudesse, igualmente, servir de hospital de isolamento.

E assim, apelando para a grande generosidade deste povo – que não regateia simpatias e amparo a todas as idéias grandiosas – intentei a criação do hospital.

Um cidadão, já benemérito por muitos títulos e cujo nome se acha ligado a todos os melhoramentos que conta este município, o Exmº Sr. Barão de Guararema, veio igualmente amparar a nascente instituição subscrevendo o importante donativo de dez contos de réis, por si e por sua Exmª e piedosa esposa, a senhora Baronesa de Guararema. Já prestastes o vosso testemunho de gratidão a esse benfeitor, declarando-o sócio benemérito desta sociedade e determinando que seu retrato seja colocado no salão nobre do hospital.

Havendo começado os trabalhos do desaterro em 2 de julho de 1896, somente no dia 12 de outubro consegui colocar a primeira pedra do edifício principal, o que já representava uma grande soma de sacrifícios.

Abri, então, concorrência pública para a construção do edifício principal, depois de feito o orçamento pelo hábil engenheiro, Sr. Leon Gilson.

Dois concorrentes apresentaram-se – os Srs. E. Dafieno & Cia e José Lopes Ribeiro, com uma proposta, respectivamente, de 49.000$ e 46.000$. Naturalmente preferi a última que, além de mais vantajosa pelo preço, oferecia todas as condições de idoneidade.

Atacadas as obras em outubro de 1896, festas beneficentes aconteciam podendo, assim, sustentá-las até fins de 1897, quando se exauriram todos os recursos que até então foi possível adquirir.
A caridade é paciente e esperei. Até aí nenhum auxílio por parte dos poderes públicos foi concedido para a construção do hospital.

A mudança de situação política do município e os tristes dias de lutas estéreis que se seguiram, absorvendo todas as atenções, impediram a continuação das obras. Resolvi, então, mais tarde que, para interessar um maior número de pessoas no prosseguimento desse serviço e consultando os sentimentos religiosos da população e os meus próprios, fosse formada a Irmandade de Misericórdia, nos moldes de suas congêneres. Para isso, consegui uma reunião a qual compareceram muitas pessoas e organizamos, sob a presidência do digno e ilustre vigário desta freguesia, o Revmº Padre Carloto Fernandes da Silva Távora, o compromisso que foi remetido ao Exmº Sr. Bispo Diocesano, para a necessária aprovação. Por infelicidade, bastante demorada foi a solução provinda de S. Exª. recusando a aprovação solicitada para o compromisso, que somente mereceria o seu placet (petição judicial), caso lhe fossem feitas alterações profundas, a que não quiseram sujeitar os associados.
Foi, então, resolvida a fundação de uma sociedade civil e, em assembléia extraordinariamente concorrida, realizada no Paço Municipal em 2 de novembro de 1902, sob a presidência do nosso prezado consócio Capitão José Antônio Varela, foram aprovados os estatutos que nos regem que, publicados depois no Órgão Oficial do Governo do Estado, se acham registrados no Cartório de Registros Especiais desde 3 de outubro de 1903 para que pudessem produzir efeitos legais e fôssemos considerados pessoa jurídica.

Com a organização da Sociedade de Santa Casa de Misericórdia, como era natural, tomou mais impulso a idéia da conclusão das obras.

Eleita a diretoria, e dela fazendo parte cavalheiros do mais alto prestígio, resolveu-se a sua continuação.
A crise financeira que assoberbava o País entibiava o ânimo dos mais fortes.

Finalmente, resolveu a diretoria enfrentar as dificuldades e de novo recomeçar a ingente obra que tantos sacrifícios já havia custado.

As jóias dos sócios, mensalidades, alguns donativos e as festas que promovíamos em benefício do hospital, foram fazendo face à despesa da construção. Um auxílio poderoso tivemos da Companhia Leopoldina Railway, onde foram preparadas as madeiras a empregar-se na edificação. A isso devemos o belo teto deste salão e artística porta que a ele dá acesso.

Em 1904, o Congresso do Estado, por iniciativa do nosso consócio, o Sr. Tenente-Coronel Juvenal de Oliveira Penna, deputado por esta circunscrição, votou um auxílio de 2.000$ para esta Santa Casa.
Em 1905, ficou felizmente terminado o edifício principal do Hospital o que, entretanto, não habilitava a receber doentes, visto que faltava a construção das dependências para instalações higiênicas, cozinhas, etc, e não nos era possível prosseguir as obras por absoluta falta de recursos.

Em 19 de julho de 1908, Dr. Paulo Joaquim da Fonseca, publicou este relatório, aqui resumido, onde finalizou com estas palavras: “Farei desta casa um reduto de defesa a vossa saúde e de nossos semelhantes e um Templo de Amor ao próximo onde se pratique a caridade, essa medicina que emana do céu para aclamar as dores e suavizar o infortúnio dos desamparados da sorte, a caridade que aprendemos nos ensinamentos do Evangelho, a caridade paciente e benigna que sabe sofrer e esperar, aureolada sempre pela cintilação da fé”.


Salão Nobre do Hospital São Salvador

Adaptação do Relatório Apresentado pelo Provedor da Sociedade de Santa Casa de Misericórdia de São José de Além Paraíba, em 19 de Julho de 1908.

domingo, 30 de maio de 2010

ALÉM PARAÍBA E A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Salve 28 de Setembro de 1883!


Com o ciclo do café e a chegada da Estrada de Ferro e os imigrantes, aceleraram-se o povoamento e o progresso da região que hoje é a cidade de Além Paraíba.

O distrito de São José d’Além Parahyba pertenceu sucessivamente aos municípios de Barbacena, Rio Pomba, São João de Nepomuceno, Mar de Espanha, Leopoldina e outra vez, Mar de Espanha.

Até 27 de abril de 1854 o povoado integrava o município de Mar de Espanha, do qual foi separado, passando a pertencer a Leopoldina, com o nome de “São José d’Além Parahyba”. Em 25 de agosto de 1864 passou novamente a pertencer à Freguesia de Mar de Espanha.

Em 30 de novembro de 1880, foi criado o município de São José d’Além Parahyba, na categoria de Vila, através da Lei Estadual nº. 2.678. No entanto, devido a várias dificuldades, este só foi instalado em 22 de janeiro de 1882, e o presidente da Câmara, Coronel Joaquim Luiz de Souza Breves foi empossado como primeiro presidente (prefeito), tendo como vice Manoel Luiz Vieira. Finalmente, no dia 28 de setembro de 1883, foi sancionada a Lei nº. 3.100, que desligou o município de Mar de Espanha, elevando à categoria de cidade. O nome Além Parahyba foi denominado pela Lei Estadual nº. 843, de 07 setembro de 1923, devido ao fato de haver no interior de São Paulo uma cidade com o mesmo nome (hoje São José dos Campos). Passou para Além Paraíba depois de uma reforma ortográfica.

Relação dos Chefes do Executivo Municipal de Além Paraíba:


Cel. Joaquim Luiz de Souza Breves
Primeiro Prefeito do Município de Além Paraíba


1882 a 1892 – Joaquim Luiz de Souza Breves (Coronel Breves)
1892 a 1894 – Joaquim Canuto de Figueiredo Júnior
1895 a 1898 – Dr. Paulo da Fonseca (Fundador do Hospital São Salvador)
1899 a 1900 – Joaquim José Álvares dos Santos Silva (Barão de São Geraldo)
1901 a 1904 – Francisco Martins Ferreira
1905 a 1906 – Francisco de Salles Marques
1906 a 1912 – José Venâncio Augusto de Godoy (Capitão Godoy)
1913 a 1916 – Ottoni Diniz Manso
1917 a 1922 – Antônio Lima de Castello Branco
1922 a 1930 – Antônio Augusto Junqueira
1930 a 1931 – Pedro Gonçalves Chaves
1931 – Ladário de Faria
1931 a 1934 – José Venâncio Augusto de Godoy (Capitão Godoy)
1934 a 1935 – Christiano Cortes Villela
1935 a 1936 – Jarbas Pires de Salles Marques
1936 – Lineu Antunes Vieira
1936 a 1941 – Christiano Côrtes Villela
1941 a 1945 – Luiz de Marca
1945 – Odyr Perácio
1945 a 1946 – Lourival Ferreira Carneiro
1946 – Leonel de Andrade Botelho
1946 a 1947 – Odyr Perácio
1947 – Romeu Ramos
1947 a 1948 – Odyr Perácio
1948 – Ladário de Faria
1948 – José Tepedino
1948 a 1950 – Humberto Côrtes Marinho
1950 – Reinaldo Manso Monteiro Nogueira da Gama
1950 a 1951 – Humberto Côrtes Marinho
1951 – José Tepedino
1951 a 1955 – Octávio de Castro Côrtes
1955 a 1959 – Humberto Côrtes Marinho
1959 a 1963 – Willian Fadel Sahione
1963 a 1966 – Antônio Marinho Côrtes
1966 a 1967 – Octávio de Castro Côrtes
1967 – Antônio Marinho Côrtes
1967 a 1971 – Edson Esquerdo
1971 a 1973 – José Alves Fortes
1973 a 1977 – Edson Esquerdo
1977 a 1981 - Elias Fadel Sahione
1982 a 1988 – Fernando Lúcio Ferreira Donzeles
1989 a 1992 – Elias Fadel Sahione
1993 a 1996 – Fernando Lúcio Ferreira Donzeles
1997 a 2000 – Miguel Belmiro de Souza
2001 a 2004 – Sérgio Antônio Ribeiro Ferreira
2005 a 2008 – Sérgio Antônio Ribeiro Ferreira
2009 a 2013 -  Wolney Freitas
2014 - atual Fernando Lúcio Ferreira Donzeles


















Dr.Paulo da Fonseca -  Fundador do Hospital São Salvador



Dr. Ladário de Faria - Fundador do Asilo de Idosos Ana Carneiro




domingo, 23 de maio de 2010

O BONDE ELÉTRICO – O CHARME DE UMA ÉPOCA E ADÃO PEREIRA DE ARAÚJO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


A caminhada em busca de inovações que conduzissem ao progresso da humanidade começou com o primeiro homem e perpetuou-se nos passos dos demais.




Um dos instrumento utilizados na simbologia da aceleração do processo de mudança e do progresso, em Além Paraíba, foi a chegada da eletricidade que trouxe o bonde elétrico, pois ajudou a tornar mais rápidos os passos do homem.

“ Vitoriosa, acaloradíssima, triunfal, foi a passagem do primeiro bonde elétrico por entre a multidão que, espontaneamente, ovacionava os empreiteiros de nosso progresso...
O tráfico dos bondes elétricos, trens especiais e de automóveis, dava à nossa urbe um aspecto das grandes cidades movimentadas em dia de gala...”
Amil Alves


A VISÃO DE UM IMIGRANTE PORTUGUÊS

A princípio, como em todos os lugares, locomoviam-se os habitantes a pé, a cavalo, em carros de bois, em liteiras ou cadeirinhas. Também as diligências ou carruagens, como as do Hotel Roma (prédio da prefeitura), marcaram época. Vieram depois os bondes de tração animal (burros).

O português Adão Pereira de Araújo comprou esses bondes de tração animal, mantendo-os em circulação até 1925, quando foram retirados para dar lugar aos elétricos, inaugurados a 15 de novembro daquele ano e se tornaram motivo de orgulho para os alemparaibanos, já que poucas cidades mineiras possuíam esse meio de transporte - somente Juiz de Fora, Lavras e Belo Horizonte.

Durante quatorze anos os bondes elétricos circularam até o dia 29 de agosto de 1939. Interessante é que o povo alemparaibano do início do século vinte criticava muito Adão Araújo por ele ter implantado aqui os bondes elétricos, por causa de pequenos atrasos ou defeitos, mas nós achamos que eles cumpriam melhor o serviço de condução do povo entre os bairros da cidade do que os transportes de hoje.

 Então, coincidindo com a epidemia de tifo, houve um desastre com os bondes que, descendo do Morro do Carneiro, foram parar dentro de um estabelecimento comercial na Vila Laroca, derrubando paredes e chegando ao balcão como freguês comum. O curioso é que os carros levavam, naquela ocasião, um enterro com caixão, defunto e lágrimas, quer dizer: o acidente não foi tão trágico, mas de qualquer forma já existia um morto, vitimado não pela batida do bonde, mas pela febre tifóide que assolava a cidade e que, em dois meses, matou cem pessoas.

O fato é que, em conseqüência do acidente, foi decidido – infelizmente - o término dos bondes em Além Paraíba. Começou, então, a circulação dos ônibus na cidade, introduzidos pelo Dr. Francisco Villela Pedras e Francisco Gomes da Silva (Chiquinho Gomes). Eram dois coletivos que receberam da população os nomes de Jujú e Balangandã. Um era verde, o outro amarelo. Um era grande, o outro pequeno.

Adaptação do texto de Octacílio Coutinho








Legenda: Desastre com os bondes que, descendo do Morro do Carneiro, foram parar dentro de um estabelecimento comercial na Vila Laroca, derrubando paredes e chegando ao balcão como freguês comum.

O IMIGRANTE PORTUGUÊS ADÃO PEREIRA DE ARAÚJO - O HOMEM QUE MUDOU A CARA DE ALÉM PARAÍBA
Adão Pereira de Araújo, sua esposa Maria Augusta Rezende e filhos - acervo: Mauro Luiz Senra Fernades - oferta de Elizabeth Filgueiras de Araújo

Falar desse lusitano nos lembra a parte notória que este espírito propulsor tornou o progresso industrial em nossa cidade. Sua personalidade é exemplo às pessoas de iniciativa e dinamismo. Ele foi o industrial ativo que tirou Além Paraíba, pode-se dizer, das trevas, fornecendo energia elétrica para sua iluminação.

Adão Pereira de Araújo nasceu em Marco de Canavezes, Portugal, no ano de 1861 e lá, casou-se pela primeira vez com Maria de Jesus Coelho, que lhe gerou três filhos: Antônio, Amélia e Ceriaco.

Ficando viúvo, veio para o Brasil à procura do amigo, Capitão José Medeiros de Rezende e sua esposa Maria Rosa de Medeiros, em Além Paraíba, e casou-se pela segunda vez com a filha destes, Maria Augusta de Rezende, que lhe gerou onze filhos: Carmem, Silvio, Roberto, Octávio, Ottoni, Odeth, Judith, Ruth, Hilda, Lídio e Tito.

No ano de 1906, esse português de nascimento instalou na Fazenda do Lordello uma pequena usina geradora de energia elétrica. Até aquele momento, as ruas e as casas alemparaibanas eram iluminadas a luz de lampião de querosene ou carbureto. Aos “lobisomens” ou “fantasmas” cabiam a tarefa de ascender os lampiões das ruas e praças às dezoito horas e apagá-las às três horas da madrugada.

Com a energia elétrica instalada aumentou o progresso de Além Paraíba com o surgimento de diversas indústrias. A primeira foi a fábrica de bebidas do italiano Nicolau Taranto, localizada próxima ao hoje bairro da Granja Três de Outubro.

Adão Pereira de Araújo foi um grande empreendedor em nossa cidade que acreditava no trabalho e valorizava quem fazia do trabalho o seu lema.

Interior de uma das Oficinas de Adão Araújo

Instalou laticínios e diversas fábricas. Mas o que fez elevar o seu nome mais ainda em nosso município e região foi a revolucionária instalação dos bondes elétricos que cortavam Além Paraíba de Porto Novo a São José, transportando pessoas e mercadorias. Vale lembrar que somente umas poucas cidades brasileiras dispunham desse moderno meio de transporte naquela época. Transferiu-se para a Capital Federal onde possuía outros empreendimentos, dentre eles, na área de hotelaria, o Jardim Hotel - local onde veio a falecer na Quarta-Feira de Cinzas do ano de 1941.

A referência de Adão Pereira de Araújo mostra que, quando há honestidade e trabalho, uma cidade pode se transformar num local de desenvolvimento.

Adaptação do texto de Nestório Valente no Jornal Além Parahyba -1925














Laticínio fundado por esse lusitano - local atual do Banco do Brasil em Porto Novo.

.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O TRANSPORTE URBANO EM ALÉM PARAÍBA - O BONDE DE TRAÇÃO ANIMAL

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Rua Barão de Guararema, em São José

O Transporte Urbano em Além Paraíba

“A partir de 1890, foi instalada uma linha de bondes puxados a burro que saía de Porto Novo do Cunha, passando pelas Oficinas (Vila Laroca) com destino a São José. Vinha catando gente pelas ruas que enchia seus bancos e pagando 400 réis pelo trajeto. Os burros iam puxando devagarinho o bonde pesado de passageiros. Na altura da Granja, o cocheiro do bonde fazia a cobrança dos passageiros e, lá, eram trocados por outra parelha (Esmeralda e a Berlinda eram trocadas pela Dindinha e Isolda) na volta para São José”.
Adaptação do texto de Nestório Valente no Jornal Além Parahyba - 1925

O Bonde de Tração Animal

Quando Além Paraíba não ostentava ainda magníficos palacetes, artísticas fachadas e redolentes jardins, quando casinholas trepavam pelas encostas íngremes da morraria, já o Comendador Affonso D’Ângelo Visconti, observando que os rudimentares veículos do Luca e do Fidelis, morosos e fatigantes, não satisfaziam a nossa população, se empenhava com ardor pela organização de uma empresa de transporte, o que conseguira, vencendo todas as dificuldades que só não estorvam ou entibiam os ânimos arrojados e resolutos.
Pioneiros em transporte coletivo Lucas e Fidelis que, em 1886, com seus parcos recursos, iniciaram neste ramo de negócio em Porto Novo do Cunha, através de desengonçados troles puxados a burro. Esses veículos rudimentares prestavam um serviço moroso e fatigante, já não satisfazendo àquela época a população. O Comendador D’Ângelo Visconti, homem inteligente e de muito tirocínio comercial, rico hoteleiro na cidade do Rio de Janeiro, e aqui também proprietário, espírito aventureiro e habilidoso aglutinador de interesses econômicos, partiu para a incorporação de uma empresa com a finalidade de modernizar aquele transporte. Chamou amigos, que sabia não temerem dificuldades, arrojados como ele, resolutos, e propôs-lhes o negócio. Entre estes, então, se encontrava o Felippe Bacelar Fontenelle.
Em 1889, Affonso D’Ângelo, sempre na vanguarda do movimento, fazia o seguinte apelo aos subscritores de ações:
“Empresa Ferro Carril Além Parahyba – pede-se aos senhores subscritos de ações, àqueles que ainda não entraram com as quantias subscritas para essa empresa, tenham a bondade de fazer o pagamento da primeira prestação de 10$000 por ação, na agência do Banco Territorial Mercantil de Minas, a fim de incorporar-se até 5 de novembro próximo a sociedade. São José de Além Parahyba, 26 de outubro de 1889 – Affonso d’Angelo – o incorporador.”
Naquele mesmo ano de 1889, no Paço da Câmara Municipal desta cidade e Comarca de Mar de Espanha, presentes os acionistas da empresa, Affonso D’Ângelo disse-lhes que havia convocado para constituição definitiva da Companhia, e lhes ofereceu os estatutos pelos quais essa deveria se reger. E ao apelo para elegerem os seus administradores, foram escolhidos os senhores Capitão Vicente Mendes Ferreira (Capitão Mendes), 355 votos; Dr. Joaquim Canuto de Figueiredo, 345 votos; Capitão Francisco Júlio dos Santos Sobrinho, 340 votos; Dr. Francisco Salles Marques, 40 votos; Antônio José Herdy, 35 votos; e Dr. Francisco B. Teixeira Duarte, 10 votos. Total de 1.125 votos.
Foram eleitos, pois, diretores da Ferro Carril os cidadãos Capitão Vicente Mendes Ferreira, Dr. Joaquim Canuto de Figueiredo e o Capitão Francisco Júlio dos Santos Sobrinho.
Aduzindo razões de escusas, pediram que a Assembléia os dispensasse desses cargos e agradeceram a confiança neles depositada os cidadãos Vicente Mendes Ferreira e Francisco Júlio dos Santos Sobrinho. Concedida as escusas, discursaram nessa ocasião os Drs. Canuto de Figueiredo e Luiz Barbosa da Gama Cerqueira, sendo, na mesma ocasião, eleitos membros da diretoria os Srs. Francisco Salles Marques, Antônio José Herdy e Francisco B. Teixeira Duarte.
Para presidente da assembléia geral foram eleitos o Capitão Vicente Mendes Ferreira e José Thomaz Pimentel Barbosa e, para secretários, o Dr. Luiz Barbosa da Gama Cerqueira e o Capitão Egydio Cezar F. Lobo.

Capitão Vicente Mendes Ferreira - maior acionista da Empresa Ferro Carril Além Parahyba

Os acionistas da Ferro Carril que mais títulos adquiriram foram os seguintes: Banco Territorial e Mercantil de Minas, 50 ações; Vicente Mendes Ferreira, 50 ações; Affonso D’Ângelo, 20 ações; Luiz Augusto Gomes, 20 ações; Cornélio G. Villela Bueno, 10 ações; Francisco B. T. Duarte, 10 ações; Francisco Cesário de F. Côrtes, 10 ações; Francisco de Assis Teixeira, 10 ações; Francisco Garcia da Rosa, 10 ações; Francisco Júlio dos Santos Sobrinho, 10 ações; Dr. Francisco P. Tavares, 10 ações, José Augusto de F. Côrtes, 10 ações; José Thomas P. Barbosa, 10 ações; Luiz Alves Banho, 10 ações; Luiz de Souza Breves Sobrinho, 10 ações; Manoel G. de F. Côrtes, 10 ações; Manoel J. Lopes de Almeida, 10 ações; Manoel Mattos Gonçalves, 10 ações; Marciano Teixeira Marinho, 10 ações; Mathilde Herdy de Oliveira, 10 ações; Miguel Laroca, 10 ações; Valeriano M. M. Costa Reis, 10 ações e Francisco L. dos Santos Werneck, 10 ações.
Soma: Ações 380 e entradas de 3:800$000.
Daí por diante a empresa passou por muitas alterações na sua estrutura. Foi encampada pelos senhores Mauricio Francisco de Souza, Miguel Laroca e Nicolau Taranto; retirando-se o Dr. Mauricio Francisco de Souza e Miguel Laroca, associando-se a Nicolau Taranto os senhores Herculano Couto e Severino Martins, e finalmente dissolvida, ficando seu ativo e passivo com o Capitão Nicolau Taranto até 13 de janeiro de 1923, data em que foi a empresa adquirida pelo sr. Adão Pereira de Araújo que resolveu transformar a tração animal em tração elétrica.
Adaptação do texto de Nestório Valente no Jornal Além Parahyba - 1925
O bairro operário das "Oficinas" - atual Vila Laroca. "Os bondes puxados a burro que saía de Porto Novo do Cunha, passando pelas Oficinas (Vila Laroca) com destino a São José..."