segunda-feira, 17 de maio de 2010

CHEGAM OS IMIGRANTES EM ALÉM PARAÍBA!

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Na década de 1880, às vésperas da Lei Áurea, o preço dos escravos era elevadíssimo. Tornou-se mais barato importar mão-de-obra da Europa, onde o desenvolvimento do capitalismo industrial criara enorme excedentes de trabalhadores.

Mas as primeiras tentativas governamentais de promover a imigração européia datam ainda do Primeiro Reinado. Em 1819, cerca de 1500 famílias suíças fundaram Nova Friburgo, no Rio de Janeiro; e, em 1824, colonos alemães receberam glebas em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
Antes disso, em 1808, o Governo colonial fizera vir para o Brasil 1500 famílias açorianas. Esse tipo de imigração, no entanto, diferencia-se da que ocorrerá a partir de 1850, pois enquanto a primeira representa experiências de âmbito regional e em pequena escala, será somente a partir da extinção do tráfico de escravos que grandes correntes migratórias desaguarão no Brasil.

O homem que emigrava para o Brasil, quase sempre com toda a família, pertencia às camadas mais pobres da população européia. Os camponeses arruinados formavam o maior contingente da imigração, embora houvesse também muitos operários, artesãos, pequenos comerciantes e até mesmo um outro industrial ou homem de negócios. Atraídos pelas promessas de uma vida livre num mundo novo repleto de possibilidades, os imigrantes traziam no coração incontáveis esperanças.

Uma vez instalada em alguma fazenda de café, a família imigrante percebia que o Éden estava ainda longe. As condições de trabalho eram duras e pouco acolhedoras. Cada família recebia certa quantidade de pés de café, pelos quais deveria ser responsável. O trabalho, que incluía cinco ou seis carpas por ano (limpeza das terras da lavoura, para eliminar as ervas daninhas), além da colheita, era remunerado, mas os colonos viviam em situação de extrema dependência para com os fazendeiros.
Isolados nas fazendas, deviam fazer suas compras nas vendas do dono da terra, o que os colocava em permanente dívida, pois ganhavam menos do que gastavam para suprir suas necessidades básicas.
Essas condições da lavoura levaram a uma grande mobilidade da mão-de-obra. Além de trocar de fazenda, muitos trabalhadores terminavam por tentar a sorte nas cidades. E se tornavam operários da indústria, empregados do comércio ou artesãos.

No período de 1910 o maior contingente de imigrantes em Além Paraíba é o italiano, vindo em seguida os portugueses e os libaneses. Na seqüência, estão os espanhóis, dinamarqueses, alemães, franceses, poloneses, húngaros e um só russo.

Colônia Italiana: Lorenzoni Zanconato, Felicio Marotta, Magdalena Garelli Marotta, Giácono Marotta, Manuel Marotta, Salvador Marotta, Assundina Marotta Villela, José Mercadante, Vicente de Marca, Braz Schettino, José Schettino, Estevam Lamóglia, José Povoleri, Ricardo Binato, José de Lucca, Vicente D’Elia, Fidélis Manes, Giovanina Spósito Manes, João Rozzante, Octávio Schettino, Napoleão Gavioli, Beatriz Gavioli, Vicente Madeira, Domingos Trecos, Vittorio Moscon, Amabili Girolami Moscon, Geraldo Tepedino, Giovani Schettino, João Perrota, João Incerti, Pompeu Servelati, Francisco Saparito, Affonso D’Angelo Visconti, Iliseu Visconti, Serafim de Mattos, Florinda Tepedino Laroca, Vicenzia Francisco Laroca, Benjamim Peroco, Angelo Francisco Tomazini, Celestino Marendino, Joana Bossaneto Marendino, Antônio Calzolari, Beatriz Calzolari, Luiz Calzolari, Ema Calzolari, Genoveva Garbois Incerti, Stela Guza Garbois, Agostinho Zamboni, Celeste Zamboni, Herminio Ricardo Zamboni, Ana Amabili Zamboni, Marietta Zamboni Consoli, Alferino Zamboni, Roberto Zamboni, Arminda Zamboni, Arthur Zamboni, Francisco Zamboni, Angelina Zamboni, Angelo de Lucca, Joseppina de Lucca, Ida Binato Sartorello, Francisco Corasini, Henrique Rolli, Cesar Rolli, Vanda Rolli, João Rolli, Dante Sartorello, Joseppina Binato Sartorelli, Primo Binato, Cecília Zane Binato, Humberto Lotti, Albina Justi Lotti, José Chiappeta, Pascoal Palagano, Affonso Sálvio, Alfredo Mazzi, Alberto Costa, José de Mattos, Arthur Zoffoli, Maria Zoffoli, Eduardo Zoffoli, Cristina Zoffoli, Marcos Ghetti, Ernesta Ghetti, Vicente Ghetti, Marin Demarchi, Adélia Demarchi, João Demarchi, Tereza Demarchi, Ivídio Demarchi, Maria Demarchi, Luiz Pitassi, Jacomo Caçador, Magdalena Caçador, Nicolau Taranto, Antônio Taranto, Antônio de Marca, José Luciano Galhardo, Philomena Paraíso Galhardo,André Paraíso, José Pagano Brundo, Cleonice Consoli Zamboni, Aldino Consoli, Cesario Consoli, Alfredo Consoli, Clara Consoli, Virgílio Consoli, José Montesano Júnior, Braz Montesano, Jacintha Mercadante, José Tepedino, Sabina Tepedino, Rosa Tepedino, Francisco Tepedino, Vicente Tepedino, Alexandre Laroca, Luigi Cantarelli, Emilia Ludenni Cantarelli, Pompeu Servelati, Tereza Pedreti Servelati...

Philomena Paraíso Galhardo esposa de José Luciano Galhardo


Estevam Lamóglia

Magdalena Garelli Marotta

José Mercadante
Affonso Sálvio
Família de Felício Marotta e Maria Magdalena Garelli Jannuzzi Marotta

Vittório Moscon

Amabili Girolami Moscon

Geraldo Tepedino e sua esposa Cornélia Ramos Tepedino na Itália
 

















Vicente Tepedino

Colônia Portuguesa: Adão Pereira de Araújo, Herculano de Almeida Couto, Gustavo Ferreira da Cruz, Antônio Ferreira Ribeiro, Antônio José Ribeiro, Secundino Arantes, Manoel Affonso Fernandes, Joaquim Lourenço Gomes, José de Oliveira, Amaro Pinto, Antônio Fernandes “Timbira”, Américo Pinto, Antônio Pereira, Manoel Gonçalves Ribeiro, Carlos Alberto Araújo, Manoel Fernandes da Silva, Domingos Fernandes, Manoel Marques, Joaquim Cruz, Álvaro Antunes, Alfredo Ferreira Ribeiro, Antônio Costa, Albano Duarte, Eduardo Duarte Marques, Armando Duarte Marques, José Pinto da Cunha, Miguel Pinto da Cunha, Antônio Vieira, Antônio Araújo, José Teixeira Bastos, Belmiro Bastos, Belmiro Augusto Pinto, Manoel Dias Moreira, João Lourenço, José de Mattos, José Assunção Pimenta, Manoel Lima de Brito, Manoel Pinto Ferreira, Lucas Rodrigues de Mello, César Corrêa, Joaquim Moreira, João dos Santos Varino, Mário Novaes, Manoel de Souza, José Ribeiro Moura, Isaías José Cardoso, João Lourenço, Manoel Corrêa de Oliveira, Miguel Bessa, Rosa Bessa, Antônio Ribeiro, Joaquim Soares, Joaquim José de Souza Bittencourt, Ricardo Fernandes, Antônio Pereira de Araújo, Adelino Lima, César Corrêa Duarte, Manoel Duarte, César Celeiro, Serafim Lopes, Emílio Augusto de Souza Esquerdo, Faustino Meireles, Franklim Mafra, José Jacintho Teixeira, Maria da Encarnação de Castro Teixeira, Emília Ligeiro Montesano, João de Castro, Belmiro Pereira de Jesus, Augusto Mendes, José de Almeida Maria, Joaquim Lima de Brito, Antônio Rodrigues de Almeida, José Antônio Varela, Lourdes Varela, Manoel Gomes Pinto, Serafim Lopes, Luiz Machado Santos...
Manoel Fernandes da Silva

O Alfaiate Belmiro Pereira de Jesus e sua esposa

Colônia Libanesa: Abrahão José Kadab, Anísio Amin Saber, Maria Abraim, José Sahione, Jorge Elias Sahione, Victória Fadel Sahione,Camilo Jorge, Silva Jorge, Miguel Jorge, Michel Said Assaf, Taufikc Hubaix, Nahum Francisco, Feliz José, Pichara David Fortes, Tobias Ayub, José Alexandre, Antônio Habib Alhouci, Miguel Tebet, Antônio Tebet, Josefe Tebet, José Kalim Salomão, Abílio Nassif Salomão, Elias David, Jorge Aucar, Feres José, José Felipe, Anísio Amim Saber, Miguel Camilo Jorge, Adma Fadel Cassab, Antônio Elias, João Jabur, Elias Elmôr, Salim Assaf,Adma Lattuf Assaf, David José, Jorge Lattuf, José Abud, Jamille Abud, Antônio Macased, Tuffic Elmaes, Saida Mansur, João Abraão, Elias Habil Alhouci, Elias Hisse, Maria Cury Jorge, Jamel Abi Ganiem, Habuda Weked, Adma Ayub, Antônio Nanie, Jorge Hisse, Abrahão José, Jorge José Fortes, Salim David Fortes, Kalil Alexandre, Kalil Salim, Felipe Kalim Salomão, Abdo Kalim Salomão, Nagib Aucar, Waldyr José Weked, Rachid Nasser, Abrahão José Saber Kadab, Nagib Nahed, José Chaim, Kalil Jorge, Pedro Cassab, Felício Elias, Feres Mansur, José Felipe, Antônio Assaf, Deble Assaf, Latif Assaf, Elias Bouhid, Nacíe Abud, Salim Abud, José Abrahão, Kalil Hisse, José Elmaes, Tecla Elias, Nahum Yunes, Alberto Kalil, Tuffic Tebet, Josefe Tebet, José Miguel Fader, Rosa J. Salmer...
A colônia libanesa reunida no casamento de Jorge Elias Sahione e Victória Fadel Sahione

A família do Cap.Jorge José Fortes
A Família Assaf - Antônio Assaf, os filhos Deble Assaf, Salim Assaf, Latif Assaf, a nora Adma Lattuf Assaf e os netos Farid Assaf Lattuf, Elias Assaf e Maria das Dores Assaf (Marocas) em Fernando Lobo.
  Abrahão José Kadab, Anísio Amin Saber, Maria Abraim

Família Lattuf

Família Assaf

Família de Elias David


No centro Pichara David Fortes
Miguel Tebet
Josefe Tebet


Colônia Espanhola: Maria Rosa, Osório Gutierrez, Raimundo Perez Segura, Inocente Garcia, Bernardo Garcia, Indalécio Villas, Carmem Perez, Francisco Gutierrez, Padre Benito, Maria Trillo Gonçalves, Sebastião Trillo Gonçalves...
A família de Raimundo Perez Segura

Parte da família de Maria Trillo Gonçalves de Almeida



Bernardo Garcia na Estação de Trimonte


Colônia Dinamarquesa: Charles Sorensen e Joana Sorensen.

Colônia Alemã: Henrique Hainer e Alberto Landois.

Colônia Húngara: João Miguel e Helena Miguel.

Colônia Francesa: Noel Corvirsier e Roberto Ducroc

Colônia Polonesa: Luiz Ostronof

Colônia Rússa: Franz Pawlowsky
Franz Pawlowsky

terça-feira, 11 de maio de 2010

ALGUNS PIONEIROS DOS SERTÕES DO LESTE - AGOSTINHO JOSÉ FREDERICO DE CASTRO E ANTÔNIO JOSÉ DA COSTA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Major Agostinho José Frederico de Castro e a Formação da Família Rodrigues da Costa através de Antônio José da Costa

APRESENTAÇÃO:

Na região onde se encontra as cidades mineiras de Mar de Espanha, Além Paraíba e Santo Antônio do Aventureiro, a área mais fronteiriça ao Rio de Janeiro, e situada ao norte, foi colonizada somente a partir de fins do século XVIII e início do XIX; a partir da expansão cafeeira do Vale do Paraíba Fluminense.
Deu-se inicio as primeiras concessões das sesmarias em 1812 e foi muito comum mulher, maridos e filhos receberm sesmarias confrontantes e cada sesmaria possuíam meia légua em quadra.
Os grandes senhores, vindos das zonas de mineração apossaram de suas terras e formaram suas fazendas de café.
Através de pesquisas vamos apresentar nesse trabalho, algumas figuras importantes nesse período, pioneiros desbravadores, que enfrentaram todos os desafios e tornaram grandes patriarcas de nossa região e alguns de seus entrelaçamentos genealógicos.

Major Agostinho José Frederico de Castro

Esse pioneiro era paulista de origem espanhola e holandesa, nasceu em 1785, da leva que se baldeou, na segunda década do século dezenove, para os sertões incultos das “áreas proibidas dos Sertões do Leste”. Instalou-se para as bandas do Ribeirão das Cabeceiras, nas sesmarias que couberam a ele e à esposa, lá fundando três importantes fazendas de café: Mutuca, Gruta e Barra do Limoeiro.
Era oitavo filho do espanhol João Maquieira ou Juan Maquieira, que se casou na Matriz de Borda do Campo, em 18 de setembro de 1769, com Dona Maria Ignácia Ferreira, filha de Dona Ignácia Ferreira e Antônio D’Ávila Bittencourt.
Seus irmãos foram:
• Anna Bernarda de Castro faleceu em 16 de setembro de 1796;
• Ignácia Felícia de Castro, casada com João da Costa Mattos;
• Silvestre Pacheco de Castro;
• Clara, casada com Antônio Martins do Couto;
• Maria Custódia do Carmo, em 25 de julho casou-se com Miguel José Siqueira;
• João Pacheco de Castro;
• Francisca Bernarda de Castro, batizada em 8 de março de 1785 e no dia 18 de julho de 1800 casou-se com José Antônio Duarte;
• Domingos Pacheco de Castro.
Aos oito anos de idade, Agostinho José Frederico de Castro ficou órfão de pai, em 7 de junho de 1789 falece João Maquieira e torna se tutor, seu irmão Silvestre Pacheco de Castro e começou aprender o ofício de carpinteiro.
Em 29 de abril de 1811, casou-se no Município de Barbacena com Dona Joana Batista Rodrigues do Vale, nascida em Prados no ano de 1792, filha de Maurício Antônio Cláudio e de Dona Francisca Carlotta Rodrigues.
Dona Joana Rodrigues do Vale era irmã, de Dona Maria Luiza Rodrigues do Valle – casada com Antônio José da Costa e de Antônio Maurício Rodrigues, casado com sua sobrinha Dona Boadina Batista de Castro, filha do Major Agostinho José Frederico de Castro e de sua irmã Dona Joana Batista Rodrigues do Vale.
Em 1842, logo após a localidade do Pomba ter perdido sua jurisdição sobre parte do sul, o pioneiro já desempenhava a função de subdelegado do arraial do Cágado. E 1854, quando o arraial já se engalanava com o título de Vila de Mar de Espanha, incumbiu-se da construção do edifício da Câmara.
Foi vereador nos períodos de 1857 a 1863, falecendo com idade avançada, em abril de 1863.
Deixou grande descendência:
• Carlotta Agostiniana, consorciada em 24 de maio de 1846 com o primo materno Basílio Rodrigues da Costa;
• Francisca Carlotta, casada em primeiras núpcias com o primo materno Basílio Rodrigues da Costa, dono da Fazenda Murici, consorciando-se em segundas, com Serafim Caetano de Meneses;
• Carolina Amélia, casada com Francisco Alves Ribeiro;
• Maria Ignácia Dorcelina de Castro, casada com José Antônio de Mattos.
• Francisco de Paula Oliveira Castro, casado com Bárbara Raquel de Figueiredo Côrtes, filha de Manoel Gonçalves Côrtes e Luiza Thereza de Figueiredo;
• Antônio Augusto Frederico de Castro que, mais tarde, transferiu-se para o município de São João Nepomuceno, onde comprou a Fazenda Barra Danta, foi casado com Augusta Barbosa de Castro;
• Balbina Amélia Eugênia de Castro, casada com o Comendador Francisco Cesário de Figueiredo Côrtes;
• Silvestre Pacheco, casado com Anna Cândida de Figueiredo Côrtes;

Silvestre Pacheco Frederico de Castro, sua esposa Anna Cândida de Figueiredo Côrtes
e suas filhas Dometilde Côrtes de Castro e Maria de Figueiredo Côrtes de Castro

• Anna Florentina Augusta, esposa de Domingos Eugênio Carlos Pereira, que na cidade de Mar de Espanha morava ao lado da matriz e uma de suas filhas, foi a Baronesa de Além Paraíba - Dona Joana Eugênia Barbosa de Castro, casada com Joaquim Barbosa de Castro – Barão de Além Paraíba;
• Boadina Batista de Castro, casada com seu tio Antônio Maurício Rodrigues Júnior e eram pais de Luiz Maurício Rodrigues, casado com Dona Anna Carolina de Siqueira Côrtes – filha de Francisco Antunes de Siqueira Júnior e de Dona Maria Balbina de Figueiredo Côrtes e Agostinho Maurício Rodrigues, casado com a irmã de sua cunhada, Dona Maria Angélica de Siqueira Côrtes;
• Agostinho Marçal Frederico, casado com Dona Constância Dominciana Azeredo;
• Bárbara Raquel, casada com Francisco de Paula Oliveira;
Em 1855, o Major Agostinho já havia distribuído grande parte do que possuía aos filhos e genros. Mas ainda figurava em seu nome uma das primeiras sesmarias.
Em Mar de Espanha residia num sobrado, que mais tarde, seria o Hotel Castro.

Formação da Família Rodrigues da Costa - Antônio José da Costa

Esse pioneiro dos Sertões do Leste nasceu em Simão Pereira no ano de 1781 e faleceu em Mar de Espanha após 1858, era filho do português Basílio José da Costa e de Dona Theresa Isabel e irmão do Capitão Antônio Joaquim da Costa, que iniciou, em 1842, a construção da Igreja de Santo Antônio do Chiador e em suas sesmarias surgiram as Fazendas da Arribada, Fortaleza, Pedra Bonita, Capoeirinha, Minerva, Santana, Pilões de Cima e Pilões de Baixo, Barra Mansa, Laje, Flores, Boa União, Bonsucesso ou Fundangá e Passa Tempo.
Antônio José da Costa foi casado em primeiro matrimônio com Dona Maria Luiza Rodrigues do Valle nascida em Prados, filha de Maurício Antônio Cláudio e de Dona Francisca Carlotta Rodrigues, formando assim, a família Rodrigues da Costa. Casou-se em segundo matrimônio, com Dona Anna Josepha do Espírito Santo, filha de Manoel Gonçalves Viana e de Dona Maria Luiza Rosa de Jesus.
Sua sesmaria localizava para os lados de Chiador e se denominou, outrora, na Fazenda Ribeirão de Santo Antônio.
Deixou grande descendência de seu primeiro matrimônio, que se destacaram na região de Mar de Espanha, que se juntou com as importantes famílias pioneiras da região e tornaram-se grandes cafeicultores.
Seus filhos foram:
• Maria Theresa Rodrigues da Costa, foi casada com Joaquim Xavier Ferreira e seus filhos foram: Júlio de Aquino, Marcelino, José, Francisca, Anna Joaquina, Maria Joaquina e Theresa Carolina;
• Pedro Marçal da Costa;
• João Rodrigues da Costa;
• Anna da Costa, casada com Júlio Aurelino Martins do Couto, que recebeu a sesmaria no Ribeirão da Conceição;
• Francisca da Costa, casada com o Capitão Joaquim Carlos Nogueira e teve um filho, Silvestre Carlos Xavier;
• José Antônio da Costa Olandim, casado com Francisca Bernardina de Castro, nascida em 1820;
• José Rodrigues da Costa nasceu em torno de 1820, em Mar de Espanha. Foi fazendeiro em Aventureiro, atual Município de Santo Antônio do Aventureiro. Exerceu vários cargos de eleição popular, tendo sido Vereador na Câmara Municipal de Mar de Espanha. Recebeu o título honorífico de Barão de Conceição em 27 de fevereiro de 1886. Faleceu em 23 de setembro de 1898 e foi sepultado na sacristia da Matriz de Santo Antônio do Aventureiro. Foi casado com a Baronesa da Conceição, Dona Felisbina da Costa, falecida em Santo Antônio do Aventureiro no dia 12 de dezembro de 1889, poucos dias após a Proclamação da República.

Barão da Conceição


• Thereza da Costa, casada com Manoel Carlos Pereira e seus filhos foram: Lucinda, José Bebiano, Francisco Carlos, Manoel Carlos, Thereza, José Carlos, Marcelino e Antônio Carlos;
• Basílio Rodrigues da Costa, casada com Dona Carlotta Agostinha de Castro, filha do pioneiro Major Agostinho José Frederico Castro e seus filhos foram: Maria Carlotta, Cândida Maria – casada com José Hemenegildo da Costa Mattos, Marcelino, Joana, Agostinho Rodrigues da Costa - casado com a prima Dometilde Côrtes de Castro, José Basílio da Costa – casado com a prima Minervina de Castro Costa;
• Aureliano Calixto da Costa, casado com Dona Anna Teixeira Costa;
• Marcelino José Rodrigues da Costa, casado com Dona Maria Cherobina de Castro Mattos, filha de José Antônio de Mattos e de Dona Maria Ignácia Dorcelina de Castro, neta do Major Agostinho José Frederico de Castro.

Silvestre Pacheco Frederico de Castro – o filho

Sétimo filho do pioneiro Major Agostinho José Frederico de Castro e de sua esposa Dona Joana Batista Carolina do Vale, nasceu em Mar de Espanha no ano de 1827.
Casou-se com Dona Anna Cândida de Figueiredo Côrtes, nascida em Angustura no dia 20 de setembro de 1832 e era filha do pioneiro Joaquim Cesário de Figueiredo, nascido em 1800 e de Dona Maria Jesuína Côrtes, nascida em 1805.
Os avós paternos de Dona Anna Côrtes foram: José Antônio de Figueiredo e Rosa Rodrigues da Costa, filha de Manoel Rodrigues da Costa e Joana Teresa de Jesus; maternos, Alferes Francisco Gonçalves Couto e Anna Gonçalves Côrtes.
Silvestre Pacheco Frederico de Castro e Dona Anna Cândida de Figueiredo Côrtes, deixaram respeitável descendência:
• Dometilde Côrtes de Castro, casada com o primo Agostinho Rodrigues da Costa, nascido em 1860, filho de Basílio Rodrigues da Costa e Dona Carlotta Agostiniana de Castro. Ambos os netos do pioneiro Major da Guarda Nacional Agostinho José Frederico de Castro.


Dometilde Côrtes de Castro, casada com o primo Agostinho Rodrigues da Costa



Dometilde Côrtes de Castro e filhos


Tiveram os seguintes filhos:
•• Basílio Rodrigues da Costa Netto, casado com a prima Cizigambe Augusta de Castro Costa, filha de José Basílio da Costa e Minervina de Castro Costa;
•• Edina Rodrigues da Costa, casada em primeiro matrimônio com o primo Fidelcino Pacheco de Castro, filho de Serafim Pacheco de Castro e Theresa Paulina Xavier de Mattos, e em segundo matrimônio com Agostinho Lopes de Mattos, filho de Antônio Lopes e Maria Joaquina Xavier de Mattos – viúvo de Lídia Côrtes de Castro, filha de Procópio Pacheco de Castro e Joana Batista de Figueiredo Côrtes;
•• Mercedes Rodrigues da Costa, casada com Antônio José de Mattos;
•• Anna Carlotta Rodrigues da Costa, casada com Alberto de Figueiredo Costa;
•• Ester Rodrigues da Costa, casada com Elpidio de Castro Côrtes;
•• Agostinha Rodrigues da Costa, casada com Agnelo Mafra;
•• Serafim Rodrigues da Costa. Casado Isolina Carvalho;
•• Carlos Rodrigues da Costa, casado Alzira Ferrari;
•• José Agostinho Rodrigues da Costa, casado com Iolanda Cruz;
•• Silvestre Rodrigues da Costa;
•• Antônio Rodrigues da Costa, casado Francisca Manoel Rodrigues;
•• Maria Jesuína Rodrigues da Costa;
•• Alzira Rodrigues da Costa;
• Serafim Pacheco Côrtes de Castro foi casado com Dona Thereza Paulina Xavier de Mattos, filha de Antônio Lopes de Mattos e Maria Joaquina Xavier de Mattos e neta materna de Joaquim Xavier Ferreira e Maria Thereza Rodrigues da Costa.


Thereza Paulina Xavier de Mattos


Tiveram os seguintes filhos:
•• Anna Maria Pacheco de Castro, casada com Augusto Eugênio de Figueiredo Côrtes, filho de Francisco Cesário de Figueiredo Côrtes e de Dona Balbina Amélia Eugênia de Castro e neto materno do Major Agostinho José Frederico de Castro e Dona Joana Batista Rodrigues do Vale;
•• Berilo Pacheco de Castro, casado com Dona Maria Joaquina Xavier de Mattos, filha do Major Antônio Lopes Xavier de Mattos e de Dona Francisca Cândida de Rezende;


Os irmãos Fidelcino, Berilo e Francisco Augusto de Castro


•• Maria Joaquina de Mattos Castro;
•• Fidelcino Pacheco de Castro, casado com Dona Edina Rodrigues da Costa, filha de Agostinho Rodrigues da Costa e de Dona Dometilde Augusta Côrtes de Castro, neta paterna de Basílio Rodrigues da Costa e Dona Carlotta Agostiniana de Castro e neta materna de Silvestre Pacheco Frederico de Castro e Dona Anna Cândida de Figueiredo Côrtes;
•• Licério Pacheco de Castro;
•• Francisco Augusto de Castro, casado com Dona Olívia Olandim de Castro, filha de José Augusto da Costa Olandim e de Dona Maria Eugênia Olandim;
•• Macilia de Castro Xavier, casada com Francisco Augusto de Castro;
•• Dorvina de Castro, casada com Joaquim Sinfrônio Guedes;
• Procópio Côrtes de Castro, casado em primeiro matrimônio com Dona Joana Batista Figueiredo Côrtes, filha de Francisco Cesário de Figueiredo Côrtes e de Dona Balbina Amélia Eugênia de Castro e, em segundo, com Dona Leonídia Figueiredo Côrtes, irmã de sua primeira esposa.
Filhos do primeiro matrimônio:
•• Maria Balbina Côrtes de Castro, casada com Eloy Xavier de Mattos, filho do Major Antônio Lopes Xavier de Mattos de Dona Francisca Cândida de Rezende;
•• Joana Côrtes de Castro, casada com Aristides Henriques Soares;
•• Lídia Côrtes de Castro, casada com Agostinho Lopes de Mattos, filho de Antônio Lopes de Mattos de Dona Maria Joaquina Xavier de Mattos;
•• Eugênio Pacheco de Castro, casado com Dona Maria da Conceição Xavier de Castro.
Filhos do segundo matrimônio:
•• José Côrtes de Castro, casado com Dona Maria José Gribel;
•• Anna Côrtes de Castro, casada com Osvaldo de Castro Costa, filho de José Basílio da Costa e de Dona Minervina de Castro Costa;
•• Acácia de Castro Côrtes, casada com Sebastião Cherem;
•• Ofélia Côrtes de Castro, casada com Oscar Xavier Bastos, filho de Brás Xavier Bastos e de Dona Maria Joana Rodrigues da Costa;
•• Francisco Côrtes de Castro, casado com Dona Antônia Rosa Cinfo;
•• Leônidas Côrtes de Castro, casado com Dona Helena Aparecida Ribeiro;
•• Livio Côrtes de Castro, casado com Dona Maria Aparecida Mascarenhas;
•• Nicio Côrtes de Castro, casado com Dona Otília Côrtes de Castro;
•• Joaquim Côrtes de castro
••Vanor Côrtes de Castro.
• Maria de Figueiredo Côrtes de Castro, casada com o tio Joaquim Cesário de Figueiredo Côrtes, filho do Tenente Joaquim Cesário de Figueiredo e Maria Jesuína Côrtes Couto.
Tiveram os seguintes filhos:
•• Anna Cândida de Figueiredo Côrtes;
•• José Agostinho de Figueiredo Côrtes, casado com Dona Alaíde Amélia Siqueira Côrtes, filha de Luiz Maurício Rodrigues e de Dona Anna Carolina Siqueira Côrtes;
•• Mário Aristóteles de Figueiredo Côrtes, casado com Dona Anna Carolina Siqueira Costa, filha de Luiz Maurício Rodrigues e de Dona Anna Carolina Siqueira Côrtes;
•• Eurico de Figueiredo Côrtes;
•• Augusta de Figueiredo Côrtes, casada com Francisco Ignácio de Oliveira.

Cel. Antônio Augusto Frederico de Castro – o filho

Sexto filho do pioneiro Major Agostinho José Frederico de Castro e de sua esposa Dona Joana Batista Carolina do Vale, nasceu em Mar de Espanha que, mais tarde, transferiu-se para o município de São João Nepomuceno, onde comprou a fazenda Barra Danta.
Casou-se com Dona Augusta Barbosa de Castro, filha de Joaquim Barbosa de Castro e de Dona Anna Paula Leopoldina da Costa – irmã de Joaquim Barbosa de Castro, Barão de Além Paraíba.
Cel. Antônio Augusto Frederico de Castro e Dona Augusta Barbosa de Castro deixaram respeitável descendência:
• Arthur Frederico de Castro, casado em primeiro matrimônio com Dona Júlia Medina de Castro e, em segundo com Dona Theodora de Castro;
• José Augusto Frederico de Castro, casado com Joana Barbosa de Castro;
• Adolpho Frederico de Castro, casado com Dona Anna Pereira de Castro;
• Agostinho Frederico de Castro, casado com Dona Maria Angélica de Castro;
• Minervina de Castro Costa, casada com o primo José Basílio da Costa, filho de Basílio Rodrigues da Costa e de sua tia Dona Carlotta Agostiniana de Castro.
Seus filhos foram: Silvia, Graziela, Osvaldo, José Basílio, Emérito, Messias, Maria da Conceição, Edith, Alice, Cid, Sebastião de Castro Costa, Alayde e Sizimgabe.

Carlotta Agostiniana de Castro Costa – a filha

Primeira filha do pioneiro Major Agostinho José Frederico de Castro e de sua esposa Dona Joana Batista Carolina do Vale e foi casada no ano de 1846, com seu primo materno Basílio Rodrigues da Costa, que nasceu em 1865 e era filho do pioneiro Antônio José da Costa e de sua tia Dona Maria Luiza Rodrigues do Valle, proprietários da Fazenda Ribeirão de Santo Antônio.
Carlotta Agostiniana de Castro Costa e Basílio Rodrigues da Costa, deixaram respeitável descendência:
• Marcelino Rodrigues da Costa, casado com Anna Xavier da Costa;
• Agostinho Basílio Rodrigues da Costa, casado com Dona Dometilde Augusta Côrtes de Castro.
• Maria Carlotta Rodrigues da Costa, casada em primeiro matrimônio com Elizário Francisco de Souza e em segundo, com José Joaquim de Souza;
• Cândida Maria Rodrigues da Costa, casada com o Cel. Hermenegilgo da Costa Mattos;
• Joana Rodrigues da Costa, casada com Francisco Carlos Pereira;
• José Basílio Rodrigues da Costa, casado com a prima Minervina de Castro Costa, filha do Cel. Antônio Augusto Frederico de Castro e de Dona Joana Batista Carolina do Vale.
Seus filhos foram: Silvia, Graziela, Osvaldo, José Basílio, Emérito, Messias, Maria da Conceição, Edith, Alice, Cid, Sebastião de Castro Costa, Alayde e Sizimgabe.

Mauro Luiz Senra Fernandes – Historiador e Especialista em Educação. - Maio de 2010
Fontes:
Os Sertões de Leste – Achegas para a História da Zona da Mata - Celso Falabella de Figueiredo Castro
Famílias Tronco Nas Matas do Paraíba – Autor Desconhecido
Entrelaçamento Genealógico – José Côrtes Sigaud e Agostinho Teixeira Côrtes
As Família que Povoaram a Zona da Mata Mineira – Mauro Luiz Senra Fernandes

domingo, 9 de maio de 2010

UMA FONTE HISTÓRIACA DO POVOAMENTO DE ALÉM PARAÍBA: Desembargador Francisco Bernardo Figueira - Além Parahyba

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Assim se chamava a minha cidade, observadas as regras da antiga ortografia.

Minha, porque nela fui criado e nela vivi até os 36 anos, ou mais precisamente, de dezembro de 1912 a junho de 1949.

Da irmandade de sete, todos alemparaibanos, somente eu nasci fora, na fazenda de Turiaçu, em Cataguases, antigo Arraial do “Meia-Pataca” que, em 1828, já contava “38 fogos brasileiros e várias aldeias de índios coroados, coropós e puris”.

Morávamos na casa da Sinhá Velha, viúva do Dr. Chiquinho Marques, perto da estação de São José, na Praça Coronel Breves. Das janelas de frente, nosso posto de observação, víamos as linhas férreas da Leopoldina e dos bondes-a-burro riscando paralelamente de fora a fora as ruas sem calçamento. Um correr de casas, a venda do Juca Alves, a casa do Sebastião Gama (o pai do Oswaldo, do Reynaldo, do Nivaldo e de outros “aldos” cujos nomes não retive, e ainda da Alayde e da Celanira). A casa do Dr. Junqueira era a mais bonita e avançada até o beco do Fórum, velho casarão que se destacava daquele lado da praça. Em seguida, vinha a casa do Sô Beviláqua; depois, era aquela que papai morava com os outros rapazes no seu tempo de solteiro e que mais tarde, muito mais tarde, veio ser a agência do correio, no tempo da Hercília Figueira, do Geny Ramos e do único carteiro, o Manoel Peroba. Outros sobradões completavam a fisionomia da praça, sobressaindo-se o do Colégio Americano, depois, sede do Colégio São José, fundado pelo papai. E tinha a casa do Pascoal Urso, pai do Miguel Urso, a da família do Dr. Jair Cunha, a do Sr. Augusto Jorge, Agente do Correio e o sobrado onde morava o Chiquinho Marques.

Do outro lado da rua destacava-se o sobrado do Carcacena, recentemente demolido.
No alto da ladeira, imponente e sólida, dominando a paisagem, a bela Igreja Matriz de São José, com seus portais de granito, tirado de pedreiras do Estado do Rio, seu altar trabalhado, mas sóbrio, e seu belo lustre de cristal importado, dádiva do Barão de Guararema, Luiz de Souza Breves. Mas, o que enfeitava a Praça Coronel Breves era mesmo o seu jardim (com seus canteiros bem cuidados, suas flores, seu coreto, os oitis e o cedro altaneiro), palco de todas as festas cívicas e religiosas, dos leilões do mês de maio e das retretas.

Os expressos, os mistos e os trens de carga da Leopoldina Railway enchiam de barulho e de fumaça as ruas tortuosas da cidade, desde o distante Porto Velho até o Bairro da Saúde.
Os bondes-a-burro ligavam a “minha cidade ao Porto Novo, centro comercial, passando pela Vila Laroca, depois de contornar um pitoresco coreto”.

Até o “distante” Porto Novo ia o vôo dos meus conhecimentos. Sabia, por ouvir dizer, que havia mais cidades e gentes além do Melo Barreto, rio abaixo e do Porto Novo, no acima, mas tudo ficava muito distante para um menino de cinco anos, filho do Dr. Edelberto e da Dona Placindina.

Só mais tarde, muito tempo depois, é que fui tomar conhecimento das coisas de minha terra, de seus fundadores, dos desbravadores, de suas matas, dos artífices, do seu progresso e de sua grandeza. Por que não registrar, ainda que sumariamente, o que me foi dado conhecer da história de Além Paraíba até a época dos bondes elétricos, em 1925?

Descendo da Bocâina em direção ao sul o Paraíba encontra o obstáculo da serra. Contorna-a em caprichosa curva e segue para o nordeste e vai coletando águas dos tributários paulistas, fluminenses e mineiros. “Rio ruim, acidentado”, na linguagem do gentio, corre em leito de pedras e desce em desnível acentuado na cachoeira de Sapucaia. Daí, segue em estirão abraçando ilhas, forçando passagens, lambendo o pé dos morros. Raivoso na época das chuvas, acalma-se na seca, fazendo remansos sob galhadas dos ingazeiros.

Obstáculo natural para a conquista das terras mineiras aquém Paraíba, exigiu a construção de portos e pontes. Suas margens e seu vale, coberto de opulentas florestas, era pátria de índios, de feras e de febres.

Em 1781, o governador da província, Dom Rodrigo José de Menezes encarregou o Tenente-Coronel Manoel do Vale Amado de construir o “Caminho de Menezes”, obra que, segundo Waldemar de Almeida Barbosa, foi feita pelo Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, cuja “inteligência minerológica” foi proclamada em Portaria do governador Luiz da Cunha Menezes.
Em 1784, o sargento-mór Pedro Afonso de Galvão de São Martinho fundou o “registro” de Porto Novo do Cunha, prestando, com a denominação, uma indisfarçável homenagem ao governador Cunha Menezes. Rio abaixo, à margem direita, na província do Rio de Janeiro, demorava o Porto Velho do Cunha.

Três quilômetros do “registro” (cartório), o alferes Maximiliano escolheu o local nas proximidades do Ribeirão Limoeiro para edificação da Matriz da Freguesia de São José do Parahyba.
Logo o território foi conquistado, abrindo clareira nas matas, rasgando-se caminhos por onde passam as tropas pesadas de mercadorias e mantimentos, construindo casas ao logo dos trilhos e à beira dos rios e córregos.

O porto, servido de barcos e canoas, era a porta de entrada para a província das Minas, para os que vinha da “Côrte”, constituindo-se ponto de partida e de referência para a demarcação das sesmarias.
A primitiva capelinha dos índios, construída em 1811, nas proximidades do ribeirão Limoeiro, foi substituída por uma igreja maior. Finalmente, construiu-se a atual Igreja Matriz, em São José. “A Igreja está ficando bonita”, registrou o Imperador Pedro Segundo, em 31 de abril de 1881, em seu “diário” de viagem pela província de Minas.

Mudou-se o nome do arraial para São José de Além Parahyba, para distingui-lo do São José do Parahyba, lugarejo situado nas nascentes do rio, em São Paulo.
Em 30 de outubro de 1890, pela Lei nº. 132, foi criada a comarca de São José de Além Parahyba, cujo nome passou a ser Além Paraíba, em virtude da Lei de Divisão Administrativa e Judiciária de 1924.
A fertilidade das terras proporcionou a abertura de prósperas fazendas, explorada, a princípio, sob o registro de sesmarias, concedidas pelo Governador da Província, com a área de meia légua em quadra, com reserva das margens dos rios navegáveis, para comodidade pública e da décima parte das matas virgens junto a córregos e rios, como vê-se no do livro de Macedo Soares, “Tratado Jurídico e Prático da Medição e Demarcação de Terras”, edição de 1887.

Derrubadas as matas, cuidou-se da lavoura de café que fez prosperidade de todo o Vale do Paraíba. O braço escravo construiu sedes suntuosas, lavrou a terra, abriu estradas. As fazendas se multiplicaram. Domínio dos nobres e potentados; algumas tinham vida quase independente, produzindo o necessário para o sustento de sua população de donos e servos da gleba. Desenvolveu-se o artesanato e, tirando o sal, que vinha da Corte, nas bruacas das tropas, tudo o mais era feito na própria fazenda, utilizando-se o ferro, a madeira, o couro, o algodão, etc.

A libertação dos escravos abalou a economia da região. Muitas fazendas entraram em decadência por falta de mão-de-obra. Cogitou-se da colonização estrangeira tendo o clube dos lavradores de Angustura conseguido algumas famílias italianas.

Ao contrário do que acontecia em São Paulo, onde a lavoura de café tinha longa duração útil, graças à fertilidade de sua famosa “terra roxa”, cedo tornaram-se improdutivos os cafezais plantados no município. O recurso era derrubar novas matas e assim, em pouco tempo, foram abatidas as florestas virgens, substituídas pelas capoeiras e pelos pastos.

Enquanto isso, a cidade crescia. Com a construção do ponto terminal da Estrada de Ferro Dom Pedro Segundo, em 1872, em Porto Novo, e implantação da Estrada de Ferro Leopoldina, cortando esta a cidade, de ponta a ponta, ganhou a região grande impulso. As oficinas da Leopoldina Railway, as fábricas de tecido e de papel e outros estabelecimentos industriais, fizeram da cidade um importante núcleo operário.

Os lampiões de querosene foram substituídos pela luz elétrica, gerada pelas águas do Aventureiro, Usina do São Luiz, de Adão Pereira de Araújo. Os bondes-a-burro cederam lugar aos elétricos. Rasgaram-se ruas. Construíram-se pontes ligando os dois Estados vizinhos e as ilhas do Paraíba. Pelas estradas empoeiradas ou enlameadas trafegavam os automóveis, os caminhões, as jardineiras.
Centro exportador do café produzido no município e adjacências, a cidade desenvolveu, espichando-se ao longo do rio, no vale, dos confins do Porto Velho, até o “quilometro 4”, para baixo do Bairro da Saúde, conquistando a aba dos morros, subindo pelas encostas.

Aqui se estabeleceram comerciantes, industriais, profissionais liberais.

Liberto o município do vínculo judiciário que o subordinava à Mar de Espanha, com a criação da Comarca, instalada em 31 de outubro de 1890, passou a contar com uma plêiade de advogados de nomeada.

No ano de 1935, Além Paraíba se destacava como centro comercial, industrial e intelectual de relevo, com suas fábricas, suas oficinas, seu comércio ativo, seus estabelecimentos de ensino, seu hospital, etc.

No meu caso, o “ontem” está ainda muito próximo do meu “hoje”. É certo que as imagens não têm a mesma nitidez. Nuvens batidas pela brisa dos dias, seus contornos se esgarçam e se desfazem. Mas o essencial fica e deve ser preservado antes que se perca no horizonte da noite que se aproxima.

Para que?

Para nada...

Fonte: Lembranças de Dantes - Mauro Luiz Senra Fernandes

IGREJA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO E SUAS TRANSFORMAÇÕES


Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Bairro de Porto Novo e alto a singela Igreja de Nossa Senhora da Conceição

A Matriz de São José de Além Paraíba foi uma grande demonstração de fé do povo alemparaibano, de seus idealizadores, da equipe que lutou para que esse sonho fosse realizado, o espírito de liderança do Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca e seus pares.

Outros templos surgiram para dar seguimento, uma maneira de demonstrar a força da religião Católica em nossa cidade.

Como religião pioneira no surgimento de nosso município, seus seguidores demonstraram-se bastante generosos e fiéis, como foi o caso do surgimento da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

A doação do terreno foi uma iniciativa do Coronel Joaquim Luiz de Souza Breves (primeiro Presidente da Câmara Municipal de São José de Além Parahyba) e de sua esposa e sobrinha, Dona Maria Clara de Moraes Breves, para edificação da primeira igreja em Porto Novo. Isso aconteceu no dia 11 de novembro de 1885 – esse terreno ia do alto do morro até às margens do rio Paraíba do Sul.

O lindo templo ficava situado sobre a bela colina em Porto Novo, seu caminho era seguido de altas palmeiras que davam um encanto de nobreza ao local. Nele se venera a encantadora imagem esculpida em madeira de Nossa Senhora da Conceição – a padroeira do lugar.

Consta que, para o início de suas obras no “Almanack” de 1907, aconteceu uma reunião no Clube Musical Portonovense, para levar avante a idéia e a construção. Isso foi no dia 27 de setembro de 1884.

O início das obras foi em março de 1885, tendo sido concluída em 30 de novembro de 1893 e entregue ao culto em 08 de dezembro de 1893; com o custo total de seiscentos contos de réis.
O encarregado da obra foi o português Manoel Francisco de Oliveira, casado com a Sra. Rosalina de Oliveira, proprietários, na época, de uma chácara na atual Rua Quinze de Novembro.

Em 28 de agosto de 1900, aconteceu na Igreja a primeira visita pastoral de Dom Silvério Gomes Pimenta – Bispo da cidade do Rio de Janeiro.

Em 1º de janeiro de 1901 deu-se a fundação do Apostolado da Oração e, em 1904, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição. A mesa administrativa era composta pelos senhores: Capitão José Antônio Varela – provedor, Tenente Álvaro Antunes Pereira Jorge – secretário, Major Francisco José Rabelo Pereira – tesoureiro, Major Luiz Joaquim Nogueira Villas Boas da Gama – procurador, Revmº. Vigário Padre Carloto Fernandes da Silva Távora, Capitão Luiz Gabriel da Silva, Capitão José Medeiros de Rezende, Tenente Joaquim Martins Ferreira, Tenente Manoel Antônio Pereira, Sr. Antônio Joaquim dos Prazeres e Francisco Pinheiro de Faria – mesários.


A Capela Original

Em 27 de dezembro de 1936, o Padre Afonso Daniel Entrieri fundava o primeiro Conselho de Fábrica da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, com os seguintes membros: José Macedo, Sebastião Lobo, Henrique V. da Silva, Alfredo Mattos e Rogério Pereira da Silva.

Em abril de 1939 foram iniciados os trabalhos de reforma da Igreja pelo Padre Quirino e, em 05 de novembro, os belos altares laterais foram retirados, começando assim, a descaracterização da Igreja e os sinos foram reformados nas “Oficinas”.

Em 14 de novembro de 1945, o industrial italiano radicado em Além Paraíba, José Mercadante, fez a doação de trinta e nove bancos feitos em sua serraria para a Igreja.

Mais uma vez a Igreja é descaracterizada. Entre 1948~1951 foi mudado pelo Padre Arthur Horthuis o Altar-mor, todo de madeira, parecido com o da Matriz de São José, alegando que estava infestado de cupins. Foi colocado um Altar em mármore, que já não se encontra mais e, em seguida, fez-se o primeiro aumento lateral.

Em julho de 1951, Padre Arthur com os Liguistas organizou a “Grande Concentração Mariana de Além Paraíba”. Em seguida, veio a idéia de se fazer o “Salão Henrique Beletable” para a Liga Católica. Foi oferecido pelo grande empresário cearense radicado em Além Paraíba, o Sr. Francisco Gomes da Silva, um armazém de sua propriedade na avenida Dr. Antônio Augusto Junqueira.

Mais tarde, foi comprado esse armazém com uma verba votada pelo Deputado alemparaibano Ezequiel Mendes, ferroviário eleito.

Em 1954, os Liguistas, as Filhas de Maria e demais membros da comunidade, começaram a campanha para a construção lateral e a construção dos Altares laterais de Santo Antônio de Nossa Senhora de Fátima que, mais tarde, foi demolido.

Em 1963 chegava o padre Bonifácio, muito alegre, afetivo e amigos das crianças. Quando ele passava em seu fusca pelas ruas do morro, as crianças o gritavam pedindo bênçãos. Lembro-me dele com muito carinho.

No seu período de trabalho, erigiu o muro que faz divisa da Igreja com as casas vizinhas, fechou o pátio com gradil de ferro e fez festividades das Bodas de Prata da Liga Católica.

Trocou o armazém da Liga Católica pelo terreno pertencente à família Borges, na avenida Dr. Antônio Augusto Junqueira. A princípio, a ideia seria construir o “Salão Henrique Beletable”, serviria aos Domingos para celebração da Santa Missa.

Depois aconteceu que a professora Srta. Maria José Araújo (Dona Zezé), neta do empresário Adão Araújo, doou uma bela imagem de Santa Rita de Cássia para a igreja de Nossa Senhora da Conceição e, nesta não tendo local para a mesma, surgiu a idéia de se construir um nicho no terreno e mudar o nome de Henrique Beletable para Santa Rita.

Padre Bonifácio, após reunião com a diretoria da Liga e o Conselho, chegou a conclusão de que se deveria construir uma “Igreja Nova”, a qual seria de Santa Rita de Cássia e junto um salão paroquial.
Em 22 de maio de 1963 fez-se a procissão de Santa Rita para o terreno, deixando Dona Zezé muito feliz, onde foi celebrada a primeira Missa.

Em 28 de agosto de 1966 foi lançada a Pedra Fundamental da Igreja de Santa Rita, pelo Padre Wilson Ghetti, representando Dom Geraldo, Arcebispo da Paróquia.

Após esses anos, a Igreja de Santa Rita tornou-se um belo templo de Deus mas a Igreja Nossa Senhora da Conceição, de onde surgiu a grande idéia, vem sendo descaracterizada e precisando de reformas urgentes.

A doação do terreno foi uma iniciativa do Coronel Joaquim Luiz de Souza Breves (primeiro Presidente da Câmara Municipal de São José de Além Parahyba) e de sua esposa e sobrinha, Dona Maria Clara de Moraes Breves, para edificação da primeira igreja em Porto Novo. Isso aconteceu no dia 11 de novembro de 1885 – esse terreno ia do alto do morro até às margens do rio Paraíba do Sul.

Cecília de Souza Breves, filha do Coronel Joaquim de Souza Breves e Maria Clara de Moraes Breves

  
Altar original

Primeira Comunhão dos Pobres-8 de dezembro de 1938

No casamento de Juca e Lôlô Couto Gomes aparece o Altar original

Casamento de Maria de Lourdes Fernandes e Adilson Agricola

Casamento de Odeth e Sebastião Vasconcellos

Inauguração do novo altar-primeira descaracterização

Fundação da Liga Católica Jesus Maria José-22 de setembro de 1940

Liga Católica

Interior da Igreja N.S. da Conceição, nos dias de hoje

IGREJA MATRIZ DE SÃO JOSÉ E O PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Desde o surgimento de nossa colonização aqui no “Sertões do Leste”, a Igreja Católica esteve presente em todos os momentos. Dentre os pioneiros estava o Padre Miguel Antônio Paiva que recebeu sua sesmaria no “Sítio das Três Barras” e que foi vendida, mais tarde, a Theodoro de Faria Salgado.


Conforme cita Falabella em “Os Sertões do Leste”, Padre Paiva deixou como herdeiro o Cap. Manoel de Almeida, contra quem Faria Salgado, em 1828, ajuizou uma questão judicial após o falecimento de Paiva.

A cidade foi crescendo, paralelamente a Igreja também, desde o surgimento da “Capelinha dos Índios” que Padre Paiva construiu em 1819 às margens do rio Limoeiro (Oficinas), até a finalização da obra da Matriz de São José em 1883, quando foi entregue pelo Comendador Simplicio José Ferreira da Fonseca – provedor da obra, ao Padre João Antônio da Silva Barriga.

Desde sua fundação, a Igreja Matriz vem sofrendo várias alterações que descaracterizou a bela obra original, isto é, tanto no seu interior quanto em sua volta.

Na parte externa, foi construído o “Salão Pio Doze” que não respeitou o estilo da Matriz. Atualmente, ele transformou-se num confortável salão que sufocou mais ainda a beleza da Matriz.
Internamente, por uma necessidade de um prédio maior, “puxados” foram feitos, misturando ainda mais seu estilo (lajes, mudança de pisos, etc.).

O objetivo deste texto é de promover uma discussão tardia sobre o destino do prédio da Matriz de São José, já que ela não é oficialmente reconhecida como “Patrimônio Histórico Municipal”.
É muito complicado levantar este assunto em Além Paraíba, pois nossos cidadãos não dão tanta importância no que se refere à preservação histórica ou parece, até mesmo, um “tabu” tocar em tal assunto e pouco de concreto acontece neste campo.

Mesmo assim, temos que trazer para a sociedade alemparaibana esta questão, buscando um entendimento e um amadurecimento, onde algo a favor possa ser feito.

Em 1922, os paulistas promoveram a Semana da Arte Moderna que buscava novos rumos para a arte brasileira. Ironicamente, foram esses intelectuais paulistas - “modernistas” que descobriram o barroco brasileiro. Mário de Andrade e seus amigos fizeram uma “expedição” a Minas, descobrindo suas riquezas e as raízes de nossa identidade. Não passava antes de uma velharia desprezível o que os paulistas reconheceram como um patrimônio artístico inestimável.

O barroco brasileiro é, no mínimo, tão atraente quanto o melhor similar europeu, criando um extraordinário potencial turístico. É parte do capital que faz rodar a indústria do turismo.
Alguns saíram comprando sofregamente. Era o ciclo das galinhas-mortas, por serem as peças consideradas sem valor ou interesse. Objetos, hoje em museus, estavam abandonados ao relento. E quantos terão ardidos como lenha? Uma senhora quis comprar uma cama que estava servindo de poleiro de galinhas, uma peça comparável às dos melhores museus. Mas, a dona se recusou a cobrar, pois sequer servia para queimar, tão dura era a madeira.

Amorosas igrejas e capelas barrocas eram demolidas e substituídas por monstrengos de cimento. Comunidades e padres ficaram felizes em trocar as velhas imagens de madeira, consideradas grotescas e mal feitas, por novas de gesso – que tem tanto valor artístico quanto bonecas de camelô. Assim, foi salvo nosso patrimônio colonial que, na época, era lixo... ou quase. Hoje, vale uma fortuna incalculável!

A Igreja Matriz de São José não é um estilo barroco, mas faz parte de um período histórico importante para o nosso município. Foi construída no apogeu da economia cafeeira de nossa região e na época de nossa emancipação política e, sendo assim, ela deveria ser considerada patrimônio histórico de Além Paraíba.

Discutir sua preservação é muito importante pois mostra o grau de desenvolvimento, cultura, amadurecimento e sensibilidade histórica de nossas lideranças e de nosso povo.

Interior da Igreja Matriz de São José, nos anos de 1930

Interior da Igreja Matriz de São José, na atualidade.