domingo, 9 de maio de 2010

NOS SOLARES E CASAS-GRANDES, UM INESTIMÁVEL LEGADO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Fazenda do Pouso Alegre - Angustura, que nessa época, pertencia a Família do Cel.Antônio Pereira de Jesus e sua esposa, Dona Bernardina do Carmo de Aguiar Pereira - Dona Sinhá.

Revisitando um dos períodos de maior riqueza de nossa história, o ciclo do café, podemos vivenciar, nas construções de estilo colonial, neoclássico e eclético das casas-grandes que ainda resistem a riqueza e opulência de uma época marcante de nosso município, região e do próprio Vale do Paraíba, o qual fazemos parte.
Inicialmente, as construções eram simples e mesmo rústicas, dadas as dificuldades para aquisição de material e a carência de mão-de-obra especializada.
Com a vinda da família real para o Rio de Janeiro, aqui também chegaram novas idéias, ainda mais naquela época, em que nossa região estava em formação e, entre outros artífices, marceneiros e mestres em cantaria. Deve-se a estes últimos um toque a mais de requinte no acabamento de portas e janelas.
O estilo colonial característico do Brasil do século dezenove é bem evidente e não impediu, entretanto, que se concretizasse uma certa influência gótica. O neoclássico é bem representado na sede da Fazenda da Barra do Peixe, em Além Paraíba, construída pelo Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca. Datam também desse período construções com traços bem diversos como o da Fazenda do Serrote (Hotel-Fazenda) na cidade de Santo Antônio do Aventureiro, cuja sede se assemelha a um chalé europeu e, caso de fato à parte a Fazenda do Lordello, no vizinho distrito de Sapucaia – Jamapará que pertenceu ao Ministro do Império Marquês do Paraná, palacete em estilo mourisco: suas janelas são emolduradas com ladrilhos decorativos e arcos de pedra lavrada, e suas portas internas contam com pinturas originais, trabalhadas com vidros decorados e coloridos. Evidencia-se, nessa edificação, a atração pela diferença. O estilo palaciano e ou de palacete está bem representado na Fazenda do Retiro, construída pelo Cel. Oscar de Figueiredo Teixeira Côrtes, também em Além Paraíba.
Esse apogeu proporcionado pelo café, trouxe muitos benefícios para nossa cidade e região: a ferrovia, construções de igrejas, escolas, energia elétrica, as indústrias, etc.
Mas as terras degradadas, cafezais envelhecidos ou consumidos por freqüentes pragas levaram a quedas sucessivas de produção do café. Os fazendeiros, com seus bens hipotecados aos Bancos, onde constavam valores de cativos teve, por fim, o golpe derradeiro com a abolição e, assim, os grandes donos de terras, cafezais e escravos, deixaram apenas como testemunhos daqueles dias de fastígios seus solares, suas casas-grandes com sua riqueza de arquitetura que jamais terá paralelo na história.

Fonte: Adaptação do texto de Coffe Plantation Houses – Museu do Café.

 Fazenda Castelo - Além Paraíba MG
Fazenda Castelo - Além Paraíba MG

Fazenda Fortaleza - Além Paraíba, MG

Fazenda Ouro Fino - Além Paraíba, MG

MADRE DE DIOS DO RIO ANGU – ANGUSTURA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




 Angustura, recebeu a visita do líder republicano Antônio da Silva Jardim, a convite do Dr. Joaquim José Álvares Santos Silva, Barão de São Geraldo e  um dos fundadores do Partido Republicano Mineiro.

Quando a marcha da civilização alcançou as montanhas da antiga Madre Dios do Rio Angu, as terras do antigo Arraial e das fazendas agrícolas surgiram das sesmarias doadas. O espírito pioneiro desses desbravadores do sertão logo se faz sentir, por ser a região favorável ao plantio do café e de vários cereais. Trouxeram escravos negros e imigrantes: espanhóis, portugueses, alemães e italianos.
Prevaleceram nas terras do futuro arraial e adjacências os imigrantes espanhóis; daí, a razão de seu nome: Madre Dios do Rio Angu. O povoado foi modesto durante anos. O cemitério, a capelinha coberta de sapé, algumas casa humildes.

A fundação do povoado que denominou Madre Dios do Rio Angu se deu em 1827, com o desmatamento de uma das partes do povoado para a construção da escola primária.

Das que tomaram parte neste evento destacamos, dentre as ilustres famílias já radicadas na região, aqueles cujos chefes se tornaram líderes da nova comunidade: Cel. Manuel Gonçalves de Figueiredo Côrtes (natural de Barbacena, filho da viúva Luiza Thereza de Figueiredo Côrtes, radicado na Fazenda Serra Bonita), Cel. Joaquim Martins Ferreira (era filho de Gabriel Martins Ferreira, dono da sesmaria do Degredo e radicado na Fazenda do Macuco) e o Cap. Almindo Ribeiro (era natural do Rio de janeiro, radicado no Sítio da Boa Sorte).

A primeira escola primária do Arraial foi inaugurada em 11 de outubro de 1865, sendo a primeira diretora a professora Laura Olimpia Milliet. Veio a cavalo de São Paulo a Madre Dios, falecendo em 21 de janeiro de 1869, deixando na orfandade um casal de filhos.

Em 1870 outra comissão foi composta para a construção da Matriz: Coronéis Manuel Gonçalves de Figueiredo Côrtes, Joaquim Martins Ferreira, Militão José de Souza Ameno e o Capitão Almindo Ribeiro. Foram, então, escolhidos o engenheiro Francisco Sichierrolli; o mestre de obras Serafim José Pinto Fernandes e, como oficiais, Antônio Viana, Alexandre R. Couto, Fortunato Guimarães, Manuel Couto, José Sertório, Luiz G. da Costa (Minerva), José Rocha, Joaquim G. Lima, Manuel Maurício, entre outros.

Daquela notável comissão, dois membros se afastaram: o Cap. Almindo Ribeiro falecido em 1887, sendo substituído pelo Cel. Casemiro Villela de Andrade; o Cel. Manuel G. de Figueiredo Côrtes que, devido a uma piora em seu estado de saúde, veio a falecer um ano depois da inauguração da Igreja Matriz, em 30 de agosto de 1887.

Conforme se costuma relatar, mas ainda não se pôde ser confirmado, Madre Dios do Rio Angu, passou a chamar-se Mãe de Deus de Angustura porque, durante a Guerra do Paraguai, deste distrito saíram diversos voluntários e escravos em troca de alforria e um destes sobressaiu-se nas batalhas de Tuiuti e Angostura, sabendo-se que ele era filho de Madre Dios do Rio Angu. Por uma questão de semântica, o nome foi mudado para Mãe de Deus de Angustura, em vez de Angostura, em homenagem a esse herói angusturense.
Em 11 de outubro de 1886, ainda inacabada, a Igreja Matriz foi inaugurada com apenas dois membros na comissão: Cel. Joaquim Martins Ferreira e o Cel. Casemiro Villela de Andrade, sendo o vigário o Pe. Eduardo Giebeles, convidado pela comissão em 1884, para organizar a paróquia.
A visita do líder republicano Silva Jardim, em 14 de março de 1889, fez de Angustura um ponto de referência nas lutas progressistas do país. Houve a reação de fazendeiros adeptos do Império, utilizando seus empregados armados na tentativa de coagir o visitante.

Com a chegada do século vinte Angustura ganhou as definitivas feições de um núcleo do progresso. Tornou-se o primeiro distrito do Brasil na produção cafeeira. Até 1930, quando o ciclo começou seu período de decadência, fizeram-se, entre outras coisas, a primeira estrada de rodagem, ligando Angustura a Além Paraíba e Angustura a Leopoldina. Entrou em funcionamento o Grupo Escolar Barão de São Geraldo. A rede telefônica se expandiu e o abastecimento d’água foi criado. Instalou-se a energia elétrica. Os derivados do leite ganharam fábricas. Sem esquecer, também, que o transporte de passageiros, conseguiu sua primeira linha.

Fonte: Adaptação dos textos de “Madre Dios - 100 Anos”, de João Baptista Vidal e Thales Ribeiro Magalhães e Jornal Agora de 1982.

Prédio do Conselho de Angustura


Foto acervo pessoal de Mauro Luiz Senra Fernandes

Os mais significativos registros da história de Além Paraíba estão contidos na existência do prédio do Conselho Distrital da Vila de Angustura, inaugurado em 14 de setembro de 1896, quando a “Vila” possuía respeitável povoamento e poder de decisão no cenário político de Minas Gerais.

Este marco na historicidade do Município foi idealizado pelo grande empreendedor de Angustura do século dezenove, Cel. Manuel de Figueiredo Côrtes, que incentivou a construção do prédio do Conselho, mas não chegou a vê-lo de pé, pois faleceu no dia 30 de agosto. As obras foram somente em 1889. Cel. Manuel Côrtes transferiu para o vice-presidente da comissão da obra, o Cel. Joaquim Martins Ferreira, e deu explicações sobre a anunciada construção do prédio do Conselho, cujo patrocínio teria assumido anteriormente, sob a promessa de que as obras seriam iniciadas logo após o término da Igreja Matriz. Ainda, pedia ao doador do terreno para o prédio do Conselho a permissão para transferir seu compromisso de execução do empreendimento ao Governante do Município de então, Cel. Luiz de Souza Breves. Por sua vez, Souza Breves nomeou uma comissão de notáveis e bem considerados cidadãos de Angustura, para dar cumprimento à incumbência de levantar o casarão do Conselho.

Inicialmente, era formada pelos seguintes residentes de Angustura: Cel. Alfredo de Andrade Villela, Luiz Gomes da Costa, Cel. Valeriano Manso da Costa Reis, Cel. Leonardo Teixeira Marinho, Cel. Bernardo Manso da Costa Reis, Cel. Otoni Diniz Manso Monteiro, Cel. Brasiel Manso da Costa Reis, Cel. Severino Teixeira de Andrade e o farmacêutico Raimundo Augusto Pereira. Como patrocinador da obra, em substituição ao Cel. Manuel Côrtes, a comissão escolheu o nome do Dr. Joaquim José Álvares dos Santos e Silva, o Barão de São Geraldo.

Os trabalhos de construção do prédio público para abrigar o Conselho começaram a ser executados no ano de 1889 e concluídos em 1896, acontecendo a inauguração no dia 14 de setembro, com uma grande festa.

Em 1901, sendo governante municipal o Cel. Francisco Martins Ferreira, o prédio do Conselho foi cedido, provisoriamente, à Administração da Municipalidade, sendo utilizado pelo Conselho de Intendentes (vereadores). Esta situação foi acarretada pelo fato do prédio da prefeitura, localizado na sede do Município, encontrar-se em obras de melhoria. As reformas só terminaram em 1903, quando então retornaram à cidade as atividades dos intendentes.

Fonte: Adaptação dos textos de João Baptista Vidal

COMENDADOR SIMPLÍCIO JOSÉ FERREIRA DA FONSECA - UM GRANDE PIONEIRO DE ALÉM PARAÍBA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes





Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca e sua segunda esposa Dona Cândida Carolina de Jesus

Simplício José Ferreira da Fonseca nasceu em 1813, na Fazenda Olho D’Água, em Barbacena, e aos seis anos de idade ficou órfão de pai. Começou a trabalhar muito cedo, aos quatorze anos, isto por volta de 1827, acompanhando alguns de seus irmãos mais velhos, como tropeiro. Ficou nesta vida durante uns quinze anos... Depois de um certo tempo teve suas próprias tropas, conseguindo, assim, amealhar algum dinheiro e comprar uma sesmaria para realizar o sonho de plantar café.

Era filho do Cel. João Ferreira da Fonseca e de Dona Josepha Maria de Assumpção. Ela, nascida em 1777 e falecida em 1865, era pertencente à família Ferreira Armond. Está sepultada no Cemitério da Irmandade do Santíssimo de Além Paraíba.

Com o dinheiro que juntou em mais de dez anos de vida de tropeiro, conseguiu comprar a sesmaria para realizar seu projeto de plantar café e se tornar um rico fazendeiro. Isto se deu nos primeiros anos da década de 1840, fundando a Fazenda Barra do Peixe.

Em 1851, casou-se com sua sobrinha, Maria Leopoldina Campos da Fonseca, nascida em 1834, filha de seu irmão Tomaz Ferreira da Fonseca e de Dona Afra Maria Campos da Fonseca, e tiveram os filhos: André e Galdino que faleceram em criança; Cândida, que era casada com o primo Antônio Ferreira Campos; Maria, que era casada com o primo Marciano Ferreira da Fonseca; e Josephina, que era casada com o Cel. Oscar Teixeira de Figueiredo Côrtes.

Simplício ia aumentando suas áreas de produção do café e, para fazer mais dinheiro, trabalhou durante algum tempo com seu primo Mariano Procópio Ferreira Lage, do ramo dos Ferreira Armond, como empreiteiro na construção da Estrada de Rodagem União Indústria, ligando Juiz de Fora a Petrópolis.

No ano de 1859, o casarão da fazenda fica pronto e, para lá, ele se muda com sua família.

Porém, em 1865, fatos importantes e negativos acontecem na vida de Simplício. Primeiramente sua esposa e sobrinha, Dona Maria Leopoldina, falece em abril; e cinco meses após, sua mãe, Dona Josepha, estando com idade avançada, também vem a falecer.

Simplício casa-se pela segunda vez com outra sobrinha, Dona Cândida Alves Garcia, filha de sua irmã Dona Bernardina Carolina de Jesus e de Manoel Alves Garcia, proprietário da Fazenda Boa Vista, na localidade de Santo Antônio do Aventureiro. Tiveram desse enlace cinco filhos que chegaram à vida adulta: Simplício, casado com Antonina Alves Banho; Elvira, casada com o Dr. Alfredo Martins de Lima Castello Branco; Perciliana, casada com Arthur Baptista de Castro; Ernestina, casada com Antônio de Lima Castello Branco; e Olga, casada com Carlos Teixeira Soares. O filho Cândido Ferreira da Fonseca Sobrinho faleceu na infância.

O Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca aspirou e não conseguiu o título de Barão de Mar de Espanha, que foi concedido à outra pessoa – Francisco Ignácio de Andrade Goulart. Ele foi agraciado com o título de Comendador da Ordem da Rosa.

Em São José de Além Paraíba, seu nome estava ligado em dois momentos importantes do município: o primeiro, como grande parceiro da Igreja Católica, sendo o provedor da obra do maior templo daquela época, a Matriz de São José. Foi um dos fundadores da Irmandade do Santíssimo e construiu em sua propriedade, na Estação da Conceição, a igreja Nossa Senhora de Belém.

O segundo momento importante foi na emancipação do município, quando vendeu seu palacete de residência na vila pela quantia de sete contos de réis para, nele, instalar a Comarca e a primeira escola pública.

Além do palacete vendido a preço baixíssimo para ajudar e acelerar a fundação do município, dos sete contos de réis que recebeu daquela venda, doou dois contos de réis para comprar o palacete onde se instalou a Câmara Municipal. Atualmente, neste prédio é a sede da Prefeitura Municipal de Além Paraíba.

Em 1889, falece sua esposa e sobrinha Dona Cândida Ferreira da Fonseca e casa-se pela terceira vez com Dona Sophia Sobral de Almeida Magalhães.
O Comendador Simplício Ferreira da Fonseca veio a falecer em 11 de outubro de 1894, aos oitenta e um anos de idade, em sua própria Fazenda Barra do Peixe, deixando um grande legado para o Município de Além Paraíba.

 
 Os primos Comendador Mariano Procópio Ferreira Lage, o Conde de Prados e a 
prima e cunhada Baronesa de Juiz de Fora
 
 Os filhos Simplício José Ferreira da Fonseca Filho "Simplícinho", Josephina Ferreira da Fonseca Côrtes e 
Perciliana Ferreira da Fonseca Castro
 
A filha Olga Ferreira da Fonseca Teixeira Soares e o genro Carlos Teixeira Soares
O sobrinhos Cândido Augusto Ferreira da Fonseca e Coronel Francisco Martins do Couto

A nora Antonina Alves Banho da Fonseca e o genro Coronel Oscar de Figueiredo Teixeira Côrtes



Fazenda Barra do Peixe


Adaptação dos textos de Elisa Porto em “Frondosas Árvores” e de Enéas da Fonseca Castello Branco em “Uma Vida”

CORONEL OSCAR TEIXEIRA DE FIGUEIREDO CÔRTES

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Cel. Oscar Teixeira de Figueiredo Côrtes e sua esposa Dona Josephina Ferreira da Fonseca Côrtes - Dona Fifina - Foto: Mauro Luiz Senra Fernades

É Muito difícil, mesmo para quem tenha o invejável dom de produzir textos, escrever sobre este vulto mineiro que foi o Cel. Oscar Teixeira de Figueiredo Côrtes.
Foi um homem que impressionou tanto na sua época, pelo seu caráter benemérito, exemplo de trabalho e honestidade, coisas tão difíceis de encontrar nas pessoas públicas da atualidade, que em certos momentos podem faltar adjetivos para traçar sua história.

Oscar Teixeira de Figueiredo Côrtes nasceu em 1º de agosto de 1846, e era filho de Antônio Augusto de Figueiredo Côrtes e de Dona Carolina Cândida Teixeira, descendente de uma das mais importantes famílias da “aristocracia rural cafeeira”, estabelecida no Vale do Paraíba do Sul. Neto paterno de Manoel Gonçalves Côrtes e de Dona Luiza Tereza de Figueiredo; e neto materno do Cap. José Joaquim Teixeira – irmão do Barão de Itambé e de Dona Mariana Osório Teixeira Rios. Ainda jovem, estudou Humanidades no tradicional Colégio Caraça, que formava os grandes homens de Minas Gerais e do Brasil, tendo sido uma das grandes referências na política alemparaibana.

Era proprietário da Fazenda Bom Retiro, no município de Além Paraíba. Foi casado com Dona Josephina Ferreira da Fonseca, a “Dona Fifina”, nascida em 1856, na Fazenda Barra do Peixe, filha do Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca e de Dona Maria Leopoldina Campos da Fonseca, e tiveram os filhos: Clotilde, que foi casada por apenas um ano com o engenheiro Accacio de Lima Castello Branco, falecida em 1909, de um parto mal sucedido; Antônio Augusto Teixeira Côrtes, o “Major Dodô”; e Dr. Simplício Ferreira da Fonseca Côrtes, casado com a prima Rinalda Teixeira Côrtes.

O Cel. Oscar Teixeira de Figueiredo Côrtes muito contribuiu para a fundação do Hospital São Salvador, tendo sido membro do Conselho Egrégio da sua primeira diretoria, em 1906.

Faleceu em nove de novembro de 1934, e foi sepultado ao lado de sua amantíssima esposa “Dona Fifina”, no Cemitério da Irmandade do Santíssimo, em dos mais belos mausoléus lá existentes. Seu nome foi perpetuado em 1936, pelo então prefeito Dr. Jarbas Pires de Salles Marques, numa das mais importantes vias públicas da cidade, no bairro de Porto Novo.



Coronel Oscar Côrtes, a menina é a sua cunhada Ernestina Ferreira da Fonseca, Dona Sophia Sobral Ferreira da Fonseca, sua esposa Josephina Ferreira da Fonseca Côrtes, sua filha Clotilde da Fonseca Côrtes Castello Branco e a sua cunhada Elvira Ferreira da Fonseca Castello Branco

Fazenda do Bom Retiro - Além Paraíba MG







Adaptação do texto do Almanack 1936 do Município de Além Paraíba, organizado por: Dr. Aristóteles Lobo, Raul de Carvalho Marques e Francisco de Carvalho Marques.

MARQUÊS DO PARANÁ – HONÓRIO HERMETO CARNEIRO LEÃO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes





A Família Carneiro Leão é de origem portuguesa, da região do Porto, estabeleceu-se no Brasil na metade do século dezoito, principalmente em Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Para Pernambuco veio Manuel Netto Carneiro Leão e para Minas seu irmão Antônio Netto Carneiro Leão, que adquiriu datas de terra no então Arraial de São Luiz e Santana de Paracatu, para exploração de ouro e onde amealhou considerável fortuna. Pelos seus descendentes, doou seu sangue à nobiliarquia brasileira, com marquês e marquesa, viscondes e viscondessas, e barões e baronesas.

Nascido na Vila de Paracatu do Príncipe, em Jacuí, Minas Gerais, em 1801, Honório Hermeto Carneiro Leão era filho do militar Nicolau Antônio Carneiro e de Dona Joana Severina Augusta; neto paterno de Antônio Netto Carneiro Leão. De origem modesta, educou-se com a ajuda de parentes que, com muito custo, conseguiram mandá-lo para Portugal.

Em 1825, diplomado em Coimbra, desembarcou de volta para o Brasil, casando-se no ano seguinte. A esposa era uma prima, Maria Henriqueta Carneiro Leão, e o casamento – segundo o costume da época – havia sido arranjado pela família. Mas, é a partir desse casamento que a vida de Honório começou a mudar de rumo.

Maria Henriqueta deu ao primo e marido quatro filhos – Nicolau Netto Carneiro Leão - Barão de Santa Maria, Honório Hermeto Carneiro Leão Filho, Henrique Hermeto Carneiro Leão - Barão do Paraná, Maria Emília Carneiro Leão - Baronesa de São João de Icaraí e Maria Henriqueta Carneiro Leão - Viscondessa do Cruzeiro. Seu pai, João Neto Carneiro Leme, tio de Honório, era o “parente rico”, casado com Ana Maria Leme, natural do Tijuco, hoje Diamantina, dos Lemes de São Paulo. Antigo proprietário de uma empresa de beneficiamento de arroz no Rio de Janeiro, passou depois para um negócio mais lucrativo na época: comprava escravos negros no Cais de Valongo e ia revendê-los a preços bem mais altos pelo interior da Província do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Com isso, ampliou sua fortuna e, por ocasião do casamento da filha, era um homem riquíssimo.

O filhos -Nicolau Netto Carneiro Leão - Barão de Santa Maria
Henrique Hermeto Carneiro Leão - Barão do Paraná
 

 A filhas - Maria Henriqueta Carneiro Leão – Viscondessa do Cruzeiro, casada com Jerônimo José Teixeira Júnior – Visconde do Cruzeiro e Maria Emília Carneiro Leão - Baronesa de São João de Icaraí.
 O genro -  Visconde do Cruzeiro

Maria Januária Carneiro Leão Nabuco de Araújo e Joaquina Clara Carneiro Leão- netas do Marquês do Paraná,

No mesmo ano do seu casamento, Honório Hermeto foi nomeado Juiz de Direito em São Sebastião, no litoral paulista. Embora contrariado por ficar longe da Corte, seguiu para o posto, levando consigo a esposa e presentes do sogro: oito escravos, rica mobília e uma baixela de prata.

De gênio violento, logo se indispôs com uma autoridade militar em São Sebastião. Dois anos depois, em 1818, foi nomeado Ouvidor e, em 1829, promovido Desembargador da Relação na Bahia (com exercício no cargo na Corte), ocupando, ao mesmo tempo, o cargo de Auditor Geral da Marinha.

Seu prestígio na Corte era muito alto. Pertenceu a diversos gabinetes do Governo, foi Deputado Provincial, Senador e Ministro do Império, no Segundo Reinado, Presidente da província de Pernambuco, tendo sido contratador do casamento do Imperador Dom Pedro Segundo e de suas irmãs.

Honório Hermeto, que desde 1836 era fazendeiro de café no Vale do Paraíba e proprietário da Fazenda do Lordello, conhecida em Além Paraíba como Fazenda do Barão, em Jamapará, única fazenda em estilo mourisco no Brasil, foi grande responsável por uma política de favorecimento da agricultura, principalmente através da abertura e do melhoramento de estradas para o interior. Através de seu prestígio é que foi construída a ponte que liga Jamapará e Porto Novo, o que facilitou o escoamento da produção de café de Duas Barras, Sumidouro, Carmo e da própria Fazenda do Lordello para a Estação Ferroviária de Porto Novo que, até então, era feita através de barcos.

Segundo um dossiê datado de 31/07/1854, feito com o objetivo de historiar a origem de seus bens, o marquês do Paraná informa que, no final do ano de 1836, “realizou um sonho antigo, quando adquiriu terras incultas,à margem do Rio Paraíba do Sul, na fronteira com Minas Gerais, em Sapucaia (na época parte integrante do município de Magé), em lugar ainda pouco frequentado”. Nestas terras fundou a Fazenda de Lordello, que lhe custou na época quatro contos e quinhentos mil réis apenas. Mais tarde comprou novas glebas1, empregando em benfeitorias um total de dez contos de réis.

Honório Hermeto Carneiro Leão foi um dos homens mais influentes no cenário político do Império do Brasil.

Imperial sobre as origens de sua fortuna, o Marquês do Paraná esclareceu a seus pares que o seu segredo consistia na otimização da exploração do trabalho escravo. Assim, impunha metas altas, que determinavam grande carga de trabalho, porém a troco de premiação monetária.

Nos autos do inventário post mortem do Marquês, aberto em 1856, pode-se verificar que a fazenda contava com 190 escravos e uma plantação de 290.000 pés de café.

Após a morte do Marquês, aos 55 anos de idade, em 3 de setembro de 1856, a Fazenda do Lordello ficou para sua esposa, a Marquesa do Paraná, que administrou a fazenda até sua morte em 1887.
Em 1852 recebeu o título de Visconde e, em 1854, o de Marquês do Paraná. Faleceu em 3 de fevereiro de 1856, no Rio de Janeiro. Sua esposa, Dama Honorária de Sua Majestade a Imperatriz, foi com sua influência que terminou a construção da ponte que liga Jamapara e Porto Novo. A Marquesa do Paraná faleceu em 1872.

Em 1875, o Presidente da Província de Minas Gerais indenizou a Província do Rio de Janeiro, passando a referida ponte a pertencer à Província Mineira.

Seu filho, o médico Henrique Hermeto Carneiro Leão, titular do Império como Barão do Paraná, herdeiro da Fazenda do Lordello, foi um dos colaboradores na construção do Hospital São Salvador em Além Paraíba.
A Fazenda Lordello é uma das mais bonitas da região, foi construida na primeira metade do século XIX, em estilo mourisco pelo Marquês do Paraná, que no ano de 1841, adquiriu mais terras que faziam rumo com Lordello. Em 27 de março, o marquês do Paraná comprou do casal Manoel Antônio dos Santos e Maria Bernarda de Jesus mais uma porção; em 30 do mesmo mês, mais um tanto de D. Anna Victoria de Jesus; em 24 de maio, mais outra gleba de D. Constança Maria de Jesus e, finalmente, em 20 de marco de 1848, mais uma porção adquirida de Francisco José Soares e sua mulher D. Anna Umbelina Barbosa, completando assim uma área que correspondia, na época, a pouco mais que duas sesmarias de meia légua em quadra, ou seja, 500 alqueires geométricos de terra.
Mas sua localização perto da divisa fez com que sempre tivesse sua história ligada à Além Paraíba.
Atualmente, a Fazenda do Lordello serviu de cenário para a novela global "Irmãos Coragens" e o filme "Xangô de Baker Street".
 
 
 Jazigo do Marquês do Paraná no Cemitério do São João Batista no Rio de Janeiro