quarta-feira, 24 de outubro de 2012

FAMÍLIA MARTINS FERREIRA E FRANCISCO MARTINS FERREIRA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Francisco Martins Ferreira nasceu no Distrito de Angustura – Além Paraíba, MG, em 1856 e foi batizado em 15 de janeiro de 1856, era filho do Tenente Coronel Joaquim Martins Ferreira e Maria Esméria Carvalho Leite.

Seu pai Tenente Coronel Joaquim Martins Ferreira, foi grande fazendeiro no Município de Além Paraíba, proprietário de grande fortuna e recusou a receber o Título de Baronato.

Seus avós paternos eram o Capitão Felix Martins Ferreira e Anna Gonçalves Cruz e seus avós maternos eram Antonio Gomes de Carvalho e Maria Josepha de Souza.

Seus irmãos:

Joaquim Martins Ferreira nasceu em 1842 e casou-se com Virgínia Amália Vidal Leite Ribeiro; Carlos Martins Ferreira nasceu em 1844; Custódio Ferreira Martins nasceu em 1846; Maria Martins Ferreira nasceu em 1848; Francisca Bernardina nasceu em 1850 e casou-se com Gabriel Villela de Andrade; Félix Martins Ferreira, proprietário da Fazenda Araribá em Angustura, nasceu em 1852 e casou-se com Heliodora Pinheiro Corrêa Lacerda; Lindolpho Martins Ferreira, nasceu em 1854; Ernestina Martins Ferreira, nasceu em 1858; e Gabriel Martins Ferreira, nasceu em 3 de dezembro de 1859, casou-se Maria Gabriela Villela de Andrade, filha de Casemiro Villela de Andrade e Cândida Cardoso Villela;

A fotografia foi tirada por volta de 1909, Francisco Martins Ferreira em frente a sua casa na Rua Desembargador Izidro – Tijuca – Rio de Janeiro.


Aparecem sua esposa Gabriela Andrade de Botelho, filha de Tomé Inácio Botelho e Ana Ribeiro de Andrade; Francisco Martins Ferreira, os filhos Otília, Décio, no colo Beatriz e Tito junto a Francisco. Acima, Francisco Martins Ferreira Filho, Gabriela, Anna, Maria, Joaquim Martins Ferreira.
 
Carlos Martins Ferreira
 
Francisca Bernardina Martins Ferreira e seu esposo Gabriel Villela de Andrade 
 
Maria Gabriela Villela de Andrade e Gabriel Martins Ferreira

Fonte: Humberto L. Martins Ferreira


sábado, 13 de outubro de 2012

BARÃO DE ALÉM PARAÍBA – JOAQUIM BARBOSA DE CASTRO NA INSTALAÇÃO DE NOSSO MUNICÍPIO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Barão de Além Paraíba
Em 8 de agosto de 1888, pela Princesa Isabel, foi agraciado com o título de Barão de Além Paraíba.

O Município de São José de Além Paraíba foi criado em virtude da lei nº 2.678, sancionada pelo cônego Joaquim José de Santana, então Vice- Presidente da Província de Minas Gerais, em 30 de novembro de 1880, passando, assim, a Freguesia a categoria de Vila.

Vários motivos, entre outros, o da falta de edifícios apropriados para instalação da Câmara e Escola, contribuíram para o governo demorasse a designar o dia que se deveria constituir, de fato, o nosso município.

A instalação deste foi feita, com grande solenidade e regozijo publico, no dia 22 de janeiro de 1882, pelo presidente da Câmara de Mar de Espanha, Dr. Joaquim Barbosa de Castro – Barão de Além Paraíba, que deu posse aos vereadores.

Joaquim Barbosa de Castro – Barão de Além Paraíba nasceu em Mar de Espanha, no dia 3 de abril de 1839,  na Fazenda da Fortaleza, no sopé da serra da Arribada.

Era filho de Joaquim Barbosa de Castro, o Velho e de Ana Paula Leopoldina. Seus avós maternos eram os portugueses Antônio Joaquim da Costa e Domingas Eufrásia de Santa Esmeria, vindo de para o Brasil em 1777, estabeleceram-se em Barbacena, convencidos que suas terras não ofereciam futuro, resolveram ir explorar as matas do Paraíba.



Jazigos dos pais do Barão de Além Paraíba no Cemitério de Capoeirinha - Chiador MG

O Barão de Além Paraíba era Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas, em 1863, pela Faculdade de São Paulo, dedicou grande parte de sua vida à advocacia e a política, merecendo a estima de Dom Pedro II. Na cidade de Mar de Espanha, exerceu a chefia do Partido Conservador.

Em 1873 foi nomeado Coronel-Comandante da Guarda Nacional de Mar de Espanha. Jamais houvesse ambicionado altos postos, recusando sempre o lançamento da sua candidatura, foi nomeado, em 29 de dezembro de 1885, Vice-Presidente da Província, recusando, todavia a elevada honraria que lhe fora conferida, sendo substituído pelo Dr. Antônio Teixeira de Souza Magalhães.

Em 8 de agosto de 1888, pela Princesa Isabel, foi agraciado com o título de Barão de Além Paraíba.

Casou-se me 25 de fevereiro de 1865, com Joana Eugênia Barbosa de Castro, nascida em 16 junho de 1847 e faleceu em 23 julho de 1934, filha de Domingos Eugênio Carlos Pereira e Ana Florentina Augusta, neta materna do pioneiro Major Agostinho José Frederico de Castro e de Joana Batista Rodrigues do Vale.   

Desse matrimônio tiveram os seguintes filhos: Arthur (nasceu em Mar de Espanha no dia 25 de maio de 1886, e faleceu em Rochedo - MG no dia 10 de setembro de 1816) casado com Maria Anna Teixeira de Castro; Alberto ( 1868- 1872); Albertina (nasceu em Mar de Espanha no dia 22 de março de 1870 e faleceu no dia 22 de julho de 1903), casada com Eugênio Agostinho de Mattos; Urbano (nasceu em 1871); Vitalina (1872 - 1874); Francelina (nasceu em 1874); Julieta (nasceu em 1876); Marietta (nasceu em 1877), casada com Norberto Martins do Couto; Orozimbo (nasceu em 1878), casado com Ambrosina Xavier de Castro; Francelino; Romeu (1880 - 1884); Antonieta (faleceu em 1882); Cornélia ( 1883 - 1884); Anna (1885 - 1913); José (1886 - 1889); Maria Mercês (1887 - 1888); e Joaquim (nasceu em 1889), casado com Leila Borges.

Modesto, destituído de vaidade, sem ambição que tanto cegou os ambiciosos políticos na fase que antecedeu a proclamação da república, rejeitou obstinamente, todas as posições de destaque que lhe foram oferecidas.

Com a abolição da escravidão, cresceu no município o Partido Republicano, chefiado pelo Dr. Gonçalves Ramos. E com a transformação operada no regime, o Barão de Além Paraíba, monarquista fiel a causa que abraçara com tanto ardor e devotamento, recolheu-se à vida privada.

Joaquim Barbosa de Castro – Barão de Além Paraíba faleceu 17 de julho de 1918, no Município de Mar de Espanha, ele não foi apenas um nome que enfeitou a nobiliarquia brasileira, foi um exemplo de honradez.

Barão de Além Paraíba e filhas
Arthur Barbosa de Castro e sua esposa Maria Anna Teixeira de Castro
Urbano Barbosa de Castro
Orozimbo Barbosa de Castro
Anna Barbosa de Castro

Netos do Barão de Além Paraíba
Casa onde o Barão de Além Paraíba viveu na velhice.



Fonte: Câmara Municipal de Mar de Espanha – 8 de dezembro de 1991

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

ISABEL HERDY ALVES

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




Sua existência modelar de virtudes encontrava correspondência em seu saudoso esposo Antônio Joaquim Alves, e ambos foram cristãos, almas irmãs no compreender e no sentir.

Aos seus educaram na religião e no ensinamento da caridade, e o seu lar era um tranquilo lar.

Nos últimos dias de sua vida, Isabel Herdy Alves teve formosas visões: Cristo Redentor aproximou-se dela, olhando com muita doçura, e São José lhe abriu os braços, testemunhando a recompensa para o seu espírito. Também seu querido pai lhe apareceu, confortando-a muito. Ela não se orgulhava dessas visões, e sua alegria era imensa, confessava humildemente não merecer tanta bondade de Deus, rezando nesses momentos com grande contrição. 

Isabel Herdy nasceu em 10 de agosto de 1857, em Porto Velho do Cunha, morou no Bairro da Saúde, na rua que hoje leva o seu nome e faleceu em 23 de fevereiro de 1936, no Rio de Janeiro, no Hotel Avenida, onde há muito morava, cercada sempre do afeto de sua filha Olivia e de seu genro Cel. Francisco Cabral Peixoto, e com a assistência espiritual de Dom Mamede Silva Leite, Bispo de Sebaste e Laudicéa. 

Era filha de José Francisco Herdy e de Catarina Boer Herdy, que com seus parentes das famílias Lemgruber, Monerath, Lutherback e Kroff, foram os primeiros colonizadores de Friburgo.

Casou-se com Antônio Joaquim Alves, homem probo, caráter impoluto e chefe de família exemplar, nascendo desse casamento os filhos: Idalina; Antonietta; Isabel; Olivia, casada com o Cel. Francisco Cabral Peixoto, industrial e proprietário do Hotel Avenida no Rio de Janeiro; Cel. Abílio Herdy Alves, casado com Adelaide Pimenta Alves, industrial no Rio de Janeiro; Maria José, esposa de M. J. Carneiro Junior, do comércio carioca; Cap. Alberto Herdy Alves, casado com Olga Magalhães Machado Herdy, proprietário sócio do Rio Hotel e Hotel Vera Cruz; Adolcina, casada com Dr. Leopoldo Duque Estrada, Juiz de Direito no Distrito Federal; Anna Cândida, casada com Raphael Gonçalves, comerciante no Rio de Janeiro.

Pertencia a diversas associações religiosas, era irmã da V. O. Terceira dos Meninos de São Francisco de Paula, Aia da N. S. das Dores da Igreja Candelária, Irmã de Santa Izabel, Irmã do Hospital São Salvador, Irmã Zeladora do Sagrado Coração de Jesus de Além Paraíba, Irmã do Santo Sepulcro (Jerusalém), Irmã do Santíssimo Sacramento de Além Paraíba, Protetora do Asilo Ana Carneiro...

Com o seu falecimento o seu corpo foi levado para a Igreja de São Francisco de Paula, onde se rezou oficio fúnebre, sendo dado à sepultura em jazigo perpétuo, no cemitério de Catumby, com grande acompanhamento e belíssimas coroas com carinhosas dedicatórias.  


Fonte: Almanack Para 1936 do município de Além Parahyba

domingo, 30 de setembro de 2012

CORONEL JOSÉ TIBURCIO JUNQUEIRA



Por Mauro Luiz Senra Fernandes

Faleceu na cidade, dia 18 do corrente, o Coronel José Tiburcio Junqueira. A infausta notícia repercutiu no sentimento de toda a população, logo tomada de grande pesar, tanto era o apreço, a admiração e a estima que todos se acostumaram a dispensar ao saudoso extinto. È que desaparecia com o seu passamento um varão de qualidades nobilitantes que lhe exornavam o adamantino caráter. Homem apegado a nossa terra, há mais de vinte anos chegou e radicou-se a Além Paraíba, aqui passando a residir procedente de Juiz de Fora. Fazendeiro lá como cá, todavia, jamais lhe faltou tempo para emprestar sua atividade a outros setores da vida em sociedade, e foi assim que o vimos por muito tempo  a serviço de uma das mais tradicionais instituições de beneficência da cidade – o Hospital São Salvador, do qual foi Provedor até o ano p. passado. De algum tempo para cá foi Juiz de Paz da Comarca e em seu desempenho se houve por modo a mais e mais se recomendar ao apreço de seus concidadãos. 

O Coronel Tiburcio, membro de uma das mais respeitáveis famílias de Minas gerais – a família Junqueira – desaparece aos 62 anos de idade, viúvo, deixando os seguintes filhos: senhorita Lucí, solteira; Dona Ivone, casada com o Senhor Pio Villela Pedras Filho; Dona Naiá, casada com o Senhor Renato Souza Meirelles; Dona Ení, casada com o Sr. José Cardoso Marques – todos residentes na cidade; e Dona Ivete, casada com o Dr. Fernando Jordão, residente no Rio de Janeiro.

Durante muitos anos, foi o extinto proprietário da “Granja Três de Outubro”, em São José, de onde recentemente transferiu sua residência para Porto Novo. Enfermo há longo tempo, experimentava, no entanto, consideráveis melhoras, quando, súbita, a morte o arrebatou, causando a maior desolação e contristamento no seio de sua família.

Os seus funerais transportados em trem especial de Porto Novo para o Cemitério do santíssimo, foram ali inhumados e a população local, tributando ao saudoso finado sua derradeira homenagem, compareceu em grande número, verificando-se também a presença das altas autoridades locais, além de inúmeros parentes e amigo de diversas cidades vizinhas.

O “Além Parahyba”, associando-se ao pesar da desolada família atingida pela lutuosa ocorrência, cumprimenta-a com as suas sentidas condolências. 


Fonte: Jornal Alé Parahyba - 27 de Julho de 1947

domingo, 9 de setembro de 2012

EDIÇÃO COMEMORATIVA AO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA 1822/1922 DO JORNAL DO COMÉRCIO

Dom Pedro Primeiro - Imperador do Brasil
Brochura Comemorativa ao Centenário da Independência do Brasil 1822/9122 - Jornal do Comérico
Dona Leopoldina - Imperatiz do Brasil

Interessados nesse acervo: Cel.(32) 8866.0058

terça-feira, 7 de agosto de 2012

HEROIS ALEMPARAIBANOS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Três expedicionários alemparaibanos dentre os quinze que tomaram parte na Campanha da Itália, na ultima grande guerra, não voltaram, e morreram em defesa da pátria, no cumprimento do dever e jamais fugindo do perigo iminente. 

CABO CLOWER BASTOS CÔRTES

Clower Bastos Côrtes, filho de Mário Vilas Boas de Figueiredo Côrtes e de Margarida bastos Côrtes, nasceu na Fazenda Serra Bonita, em Além Paraíba, aos 13 de maio de 1916. Era o primeiro de uma numerosa prole, tendo morrido solteiro, após completar 29 anos de idade. Iniciando seus estudos no Ginásio Além Paraíba, transferiu-se em 1931 para Juiz de Fora, onde ingressou na Academia de Comércio, cujo curso ginasial concluiu com brilhantismo, em 1934, tendo também cursado um Tiro de Guerra, distinguindo-se como bom soldado. Em seguida, matriculou-se na Escola Superior de Agronomia de Viçosa.
Regressando à Fazenda Serra Bonita, seu pai já idoso e cansado, resolveu entregar os negócios, o que foi bem pensado, visto que poucos anos depois invalidou-se totalmente em conseqüência de cruel enfermidade.
Foi surpreendido pela convocação militar em 1943 e apresentou-se  imediatamente às autoridades da 4ª Região Militar. Aprovado em todos os exames médicos, foi mandado para São João Del Rei e de lá para o Rio de janeiro, como componente do 11º RI. Incluindo na Força Expedicionária Brasileira, foi promovido a Cabo, pouco antes  de embarcar para Itália e destacado para “chauffeur”, dada a sua especialidade nesse setor. 
Fazendo parte do 2º Escalão da FEB, segui para a Europa, esperançoso de um dia poder tornar à Pátria e ao seio de sua família.
Atravessou incólume todo o período da guerra e todo cruel inverno, sem jamais ter sofrido um só acidente e muito menos uma enfermidade. Prestou, com seu “Jeep”, inestimável auxilio as autoridades militares, na Itália, conduzindo oficiais, munições, etc., durante o período da guerra e mesmo depois desta.
A vitória das forças aliadas foi encontrá-lo na árdua tarefa de servir às tropas destacadas no norte da Itália e, nessa missão, prosseguiu mesmo depois do término da guerra, até que, em 30 de maio, seu “jeep” o traiu lamentavelmente. Nas proximidades de Gênova, quando se achava a serviço, conduzindo dois oficiais e um sargento, o “jeep” que guiava, ao sair de um túnel, chocou-se com um caminhão inglês, trazendo como consequência a sua morte instantânea. 
Rapaz de dotado das mais belas virtudes morais, possuía a particularidade de atrair para si todas as simpatias daqueles que se acercavam de sua pessoa, encantados com as prodigalidades do se boníssimo coração. Foi um herói, porque morreu em defesa da Patria; foi um bravo, porque não se acovardou diante do perigo; foi um caráter retilíneo, porque não usou de meios indignos para fugir ao cumprimento do dever.

EXPEDICIONÁRIO MANOEL DE SOUZA – “CUCA”

Tudo que fez em vida para não ser mais que um alemparaibano. Um conterrâneo nosso, um operário nosso, que todas as manhãs – em meio de tantos e tantos – passava por nossas ruas, alegre, cantando por vezes, sorrindo, na mão direita o serrote, na mão esquerda – sobre o ombro – o martelo, a enxó e a plaina. No bolso da calça, um metro, um lápis. E na alma, e lá bem dentro do coração, a simplicidade, a modéstia, o agradecimento a Deus por ser assim como era. Não queria mais nada: saúde, fé e disposição para o trabalho. 
Vem a guerra. E poucos anos depois, o Brasil, essa terra cujos homens falam a linguagem da sinceridade e cujos espíritos somente dão guarida à hospitalidade, ao amor ao próximo, é violenta e inesperadamente ultrajado em sua honra. O clarim soa. Repicam os tambores. Levanta-se a juventude e parte para os campos de batalha além mar.
Cuca também foi. Era brasileiro. Orgulhoso do torrão onde nascera. Trocou a calça de zuarte pelo uniforme verde oliva. O martelo, a enxó e a plaina desceram para sempre o ombro esquerdo: o fuzil tomou-lhe o lugar. E ao invés de transitar pelas ruas calmas de sua pacata Além Paraíba, Manoel de Souza passou a palmilhar as cidades históricas da velha Itália, batidas e taladas pelo ronco dos aviões e dos carros de assalto, estremecidas pelo troar da artilharia e dos tacões das botas milhares e milhares de soldados.
Mas, lá no fundo, no amargo de seus sentimentos. Cuca continuava indiferente a tudo. Era a coragem. Era a disposição. Era a satisfação. Era a humildade. Era a confiança, que as balas inimigas não assustavam, nem a saudade da Pátria e da família quebrantava, sequer diminuía. Isso lhe dava audácia. Fazia-o zombar dos perigos cumprindo com o dever que tinha de ser cumprido. Porque era um soldado do Brasil.
E os dias foram. E os lances épicos da peleja vieram, um atrás do outro. E Cuca, o nosso Cuca bem amado, sintetizava, no frio, na devoção da causa, por um lado, a ansiedade de tantas mães, cujos filhos, ombreavam com ele na sagrada causa. Por outro lado Cuca espelhava a honra do precinha, herdeiro das virtudes de seus ancestrais, cientes do lema de Barroso.
Veio Monte Castelo. Não viremos esta pagina da história. Nestas linhas, dignas de uma óde de Homero, existe um capitulo escrito com letras de ouro, emoldurado de sangue. Grifada, uma palavra de quatro letras. Entre louros e palmas um nome: Cuca. Manoel de Souza. E o quadro é uma ponte que irá dar passagem aos carros de assaltos aliados. O inimigo esta hora está vigilante. E caem soldados e soldados. É preciso, porém, construir a ponte. Cuca aceita a tarefa. Os superiores, que o admiram, o adverte. Embora. E a ponte vai chegando ao final. Viga após viga. Cada martelada do carpinteiro alemparaibano, é o eco de um projétil alemão. De repente sibilou apenas a bala inimiga. E não houve eco. Porque o modesto, o simples, o pequenino operário de Além Paraíba, jazia por terra. Do peito escorria-lhe um fio de sangue. Na boca um sorriso. Porque os heróis, os grandes heróis não choram nunca, nem mesmo diante da morte. E tombam assim conforme tombou Cuca. Gloriosos. Desconhecidos, não obstante, merecedores do penhor da terra onde nasceram!”

CARLOS CÓCO MUCHINELLI

Carlos Cóco foi também um herói alemparaibano na Itália, no período da Segunda Guerra Mundial, viveu no coração desta cidade entregue ao labor e a colheita, contemporâneo de Clower Bastos Côrtes e Manoel de Souza e faleceu em combate.

Descendentes de imigrantes italianos, nasceu na Fazenda Ponte Nova em 9 de agosto de 1917. Era filho de André Salvador Cóco e Maria Muchinelli, neto paterno de Salvador Cóco e Pascoa Ideli; e neto materno de Maximo Muchinelli e Gissea Cóco.

Fonte: Raul José Côrtes Marques – Jornal A Gazeta - 1958


Final da Segunda Guerra Mundial,combatentes alemparaibanos Waldyr Filgueiras, Fuhad Fadel Sahione, Jairo Faria, Braz Povoleri e o jornalista Imbrahin Tebet (Jornal "A Noite"), setembro de 1945, no vapor "General Meigs"

Monumento em homenagem aos pracinhas alemparaíbanos na praça Coronel Breves


segunda-feira, 30 de julho de 2012

TESTAMENTO DE JOSEPHA MARIA DE ASSUMPÇÃO - 1865


Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Josepha Maria de Assumpção, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena, nascida em 1777 e falecida em 1865, está sepultada no Cemitério da Irmandade do Santíssimo da Cidade de Além Paraíba, MG, filha de Francisco Ribeiro Nunes e Joana Maria da Conceição – pertencente a família Ferreira Armond, moradores na Mata do Quilombo, Barbacena. Foi casada com Coronel João Ferreira da Fonseca, nasceu em Prados por volta de 1767 e falecido em 1819.

 “Em nome de Deos, Trino e Uno, a quem firmemente creio.

Eu Josepha Maria de Assumpção, ainda a que presentemente me acho no estado de perfeita saúde, provem prevendo a morte como uma conseqüência inevitável da vida, senhora de mim e no gozo de meu perfeito juízo e entendimento, com conhecimento do que faço, vou proceder a este meu testamento e derradeira vontade, para ter o seu devido efeito, depois que eu morrer, pela forma e maneira seguintes.
Declaro que sou cidadã brasileira, honra de que muito me prezo, natural e batizada na Freguesia da hoje cidade de Barbacena, filha legítima de Francisco Ribeiro Nunes, e de Joana Maria da Conceição, ambos falecidos. 

Declaro que fui casada na face da Igreja com João Ferreira da Fonseca, de cujo matrimônio tivemos os filhos seguintes: José, Cândido, Thomaz, João, Marcellino, Simplício, Damaso, Maria Victória, Bernardina Carolina e Joana, e destes alguns já faleceras.

 Declaro que depois do falecimento do dito João Ferreira da Fonseca meu prezado marido se fez logo judicialmente inventário de todos os bens do nosso casal, procedeu-se as formal de partilhas, e a proporção, que meus filhos se foram emancipando, eu lhes fui entregando suas respectivas  legítimas paternas ...que em tempo ficarão delas inteirados, pagos e satisfeitos. Outro sim declaro mais ou menos, que eu observando, que não podia mais promover como dantes, os interesses de minha casa, apresentei de fazer o meu inventário e partilhar me em vida, digo, e repartir em vida com meus filhos, vivos e com os legítimos sucessores do que são falecidos, e com efeito ... mencionado tempo convoquei a todos, e eles comparecerão legal e competentemente autorizados para este fim fez se o Inventário de tudo quanto eu possuía então, foi tudo concisamente avaliado, e tirada a minha terra que reservei, e conservo em meu poder tudo mais foi igualmente repartido com meus supra citados filhos e herdeiros, aquém logo entreguei o quinhão que lhe coube, eles ficarão todos satisfeitos, pagarão me quitações, e o Inventário e partilhas foram firmes e valiosas no Juízo competente. Portanto o que vou me dispor neste testamento e do que me coube em terra. Desta dita minha terra pois satisfeitos os legados que eu aqui vou mandar que se façam, o resto que sobrar. Instituo dele por herdeiros, somente os meus filhos e netos  que eu vou indicar, e estes são: meu filho Thomaz, meus netos, filhos de meu filho Marcellino, já falecido, meus filhos Simplício, Damaso, Maria Victória, Bernardina Carolina e Joana, todos estes satisfeitos os meus legados, instituo como disse por herdeiros do resto de minha terra em parte iguais.

Declaro que sou Irmã Terceira da Venerada Ordem da  senhora do Monte do Carmo da Cidade de São João Del Rey, a cuja Ordem nada devo por quanto me vem logo  enviei e professei; o mesmo pratiquei com a irmandade do Senhor  Bom Jesus de Congonhas do Campo, de que igualmente sou Irmã, mas nada devo.
Ordeno que meu cadáver seja envolto no Hábito que ... da mesma ordem, que logo depois de meu falecimento meu testamento   mande dizer por minha Alma uma ou as Missas de corpo presente e poder mandar dizer comodamente, e assim se haverá em tudo mais que dá respeito ao meu funeral, o qual lhe encarrego de em tudo mais a sua disposição e arbítrios.

Ordeno que meu Testamento mande dizer cento e cinqüenta Missas da esmola costumada no Bispado; a saber cinqüenta pelas Almas de meus pais; cinqüenta pela Alma de meu marido; e cinqüenta pelas Almas de meus escravos.

Declaro que atualmente tenho mandado dizer Missas por minha benção, e pelas Almas de meus filhos falecidos, e mesmo pretendo fazer se dias me emprestar a vida pelas Almas de todos os meus parentes e bem feitores.

Meu testamenteiro pagará, se eu não pagar em vida, a quantia em que importar a Imagem da Senhora do Rosário, que mandei vir para a Igreja de Santo Antônio do Aventureiro, afim como também, se eu não pagar em vida, pagará os cem mil réis que eu prometi para as obras da mesma Igreja, que são da Sacristia e Adro.

Deixo a Capela da Senhora do Rosário do Curral Novo cinqüenta mil réis.

Deixo para meus afilhados Romualdo, Carolina Maria, Francisca e Firmina, filhos de Antônio Martins do Couto, a quantia de um conto de réis, digo, a quantia de um conto e seiscentos mil réis para cada um deles. Deixo igualmente a meu afilhado Marcellino, filho de Manoel Netto, um conto de réis. Deixo meu afilhado Cândido, filho de Manoel Alves Garcia, quatrocentos mil réis. Deixo a meu afilhado Carlos, filho de Damaso Ferreira da Fonseca, quatrocentos mil réis. Deixo a meu neto e afilhado Marciano, filho do falecido Marciano Ferreira da Fonseca, quatrocentos mil réis. Deixo a meu filho Damaso Ferreira da Fonseca em remuneração de trabalho e cuidados, que tem tido comigo, os meus escravos Manoel Criolo e sua mulher Florência.

Nomeio por meus testamenteiros em primeiro lugar, o meu filho Damaso Ferreira da Fonseca, em segundo lugar, o meu filho Simplício José Ferreira da Fonseca, e em terceiro lugar, meu filho Thomaz Ferreira da Fonseca, aos quais rogos queiram serem meus testamenteiros, substituindo-se um a cada outro, conforme a ordem de minha nomeação, e as que aceitar deixo ...e espaço de um ano para prestar contas em Juízo, e por este e autorizo para depois de minha morte, dispor de todos os meus bens ou parte deles , quando seja necessário, tanto em Juízo, como em particular para satisfazer a quanto tempo termina.

E nesta forma hei por concluído este meu Testamento e minha vontade e rogo as justiças do Império... seu inteiro vigor e cumprimento, embora lhe falte qualquer clausula, ou clausulas das em  necessário; pois todas ...as jugos , neste meu Testamento, que escrito a meu rogo, pelo Padre Joaquim Flausino Moreira, a qual depois de me haver lido e eu o julgar conforme deixei o assino.
Santana da Boa União, 5 de março de 1857"

Josepha Maria de Assumpção      

O neto e afilhado Cândido Augusto Ferreira da Fonseca - filho do Capitão Cândido e da
 Baronesa de Juiz de Fora
 
  Altar da Igreja do Senhor  Bom Jesus de Congonhas do Campo