domingo, 30 de setembro de 2012

CORONEL JOSÉ TIBURCIO JUNQUEIRA



Por Mauro Luiz Senra Fernandes

Faleceu na cidade, dia 18 do corrente, o Coronel José Tiburcio Junqueira. A infausta notícia repercutiu no sentimento de toda a população, logo tomada de grande pesar, tanto era o apreço, a admiração e a estima que todos se acostumaram a dispensar ao saudoso extinto. È que desaparecia com o seu passamento um varão de qualidades nobilitantes que lhe exornavam o adamantino caráter. Homem apegado a nossa terra, há mais de vinte anos chegou e radicou-se a Além Paraíba, aqui passando a residir procedente de Juiz de Fora. Fazendeiro lá como cá, todavia, jamais lhe faltou tempo para emprestar sua atividade a outros setores da vida em sociedade, e foi assim que o vimos por muito tempo  a serviço de uma das mais tradicionais instituições de beneficência da cidade – o Hospital São Salvador, do qual foi Provedor até o ano p. passado. De algum tempo para cá foi Juiz de Paz da Comarca e em seu desempenho se houve por modo a mais e mais se recomendar ao apreço de seus concidadãos. 

O Coronel Tiburcio, membro de uma das mais respeitáveis famílias de Minas gerais – a família Junqueira – desaparece aos 62 anos de idade, viúvo, deixando os seguintes filhos: senhorita Lucí, solteira; Dona Ivone, casada com o Senhor Pio Villela Pedras Filho; Dona Naiá, casada com o Senhor Renato Souza Meirelles; Dona Ení, casada com o Sr. José Cardoso Marques – todos residentes na cidade; e Dona Ivete, casada com o Dr. Fernando Jordão, residente no Rio de Janeiro.

Durante muitos anos, foi o extinto proprietário da “Granja Três de Outubro”, em São José, de onde recentemente transferiu sua residência para Porto Novo. Enfermo há longo tempo, experimentava, no entanto, consideráveis melhoras, quando, súbita, a morte o arrebatou, causando a maior desolação e contristamento no seio de sua família.

Os seus funerais transportados em trem especial de Porto Novo para o Cemitério do santíssimo, foram ali inhumados e a população local, tributando ao saudoso finado sua derradeira homenagem, compareceu em grande número, verificando-se também a presença das altas autoridades locais, além de inúmeros parentes e amigo de diversas cidades vizinhas.

O “Além Parahyba”, associando-se ao pesar da desolada família atingida pela lutuosa ocorrência, cumprimenta-a com as suas sentidas condolências. 


Fonte: Jornal Alé Parahyba - 27 de Julho de 1947

domingo, 9 de setembro de 2012

EDIÇÃO COMEMORATIVA AO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA 1822/1922 DO JORNAL DO COMÉRCIO

Dom Pedro Primeiro - Imperador do Brasil
Brochura Comemorativa ao Centenário da Independência do Brasil 1822/9122 - Jornal do Comérico
Dona Leopoldina - Imperatiz do Brasil

Interessados nesse acervo: Cel.(32) 8866.0058

terça-feira, 7 de agosto de 2012

HEROIS ALEMPARAIBANOS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Três expedicionários alemparaibanos dentre os quinze que tomaram parte na Campanha da Itália, na ultima grande guerra, não voltaram, e morreram em defesa da pátria, no cumprimento do dever e jamais fugindo do perigo iminente. 

CABO CLOWER BASTOS CÔRTES

Clower Bastos Côrtes, filho de Mário Vilas Boas de Figueiredo Côrtes e de Margarida bastos Côrtes, nasceu na Fazenda Serra Bonita, em Além Paraíba, aos 13 de maio de 1916. Era o primeiro de uma numerosa prole, tendo morrido solteiro, após completar 29 anos de idade. Iniciando seus estudos no Ginásio Além Paraíba, transferiu-se em 1931 para Juiz de Fora, onde ingressou na Academia de Comércio, cujo curso ginasial concluiu com brilhantismo, em 1934, tendo também cursado um Tiro de Guerra, distinguindo-se como bom soldado. Em seguida, matriculou-se na Escola Superior de Agronomia de Viçosa.
Regressando à Fazenda Serra Bonita, seu pai já idoso e cansado, resolveu entregar os negócios, o que foi bem pensado, visto que poucos anos depois invalidou-se totalmente em conseqüência de cruel enfermidade.
Foi surpreendido pela convocação militar em 1943 e apresentou-se  imediatamente às autoridades da 4ª Região Militar. Aprovado em todos os exames médicos, foi mandado para São João Del Rei e de lá para o Rio de janeiro, como componente do 11º RI. Incluindo na Força Expedicionária Brasileira, foi promovido a Cabo, pouco antes  de embarcar para Itália e destacado para “chauffeur”, dada a sua especialidade nesse setor. 
Fazendo parte do 2º Escalão da FEB, segui para a Europa, esperançoso de um dia poder tornar à Pátria e ao seio de sua família.
Atravessou incólume todo o período da guerra e todo cruel inverno, sem jamais ter sofrido um só acidente e muito menos uma enfermidade. Prestou, com seu “Jeep”, inestimável auxilio as autoridades militares, na Itália, conduzindo oficiais, munições, etc., durante o período da guerra e mesmo depois desta.
A vitória das forças aliadas foi encontrá-lo na árdua tarefa de servir às tropas destacadas no norte da Itália e, nessa missão, prosseguiu mesmo depois do término da guerra, até que, em 30 de maio, seu “jeep” o traiu lamentavelmente. Nas proximidades de Gênova, quando se achava a serviço, conduzindo dois oficiais e um sargento, o “jeep” que guiava, ao sair de um túnel, chocou-se com um caminhão inglês, trazendo como consequência a sua morte instantânea. 
Rapaz de dotado das mais belas virtudes morais, possuía a particularidade de atrair para si todas as simpatias daqueles que se acercavam de sua pessoa, encantados com as prodigalidades do se boníssimo coração. Foi um herói, porque morreu em defesa da Patria; foi um bravo, porque não se acovardou diante do perigo; foi um caráter retilíneo, porque não usou de meios indignos para fugir ao cumprimento do dever.

EXPEDICIONÁRIO MANOEL DE SOUZA – “CUCA”

Tudo que fez em vida para não ser mais que um alemparaibano. Um conterrâneo nosso, um operário nosso, que todas as manhãs – em meio de tantos e tantos – passava por nossas ruas, alegre, cantando por vezes, sorrindo, na mão direita o serrote, na mão esquerda – sobre o ombro – o martelo, a enxó e a plaina. No bolso da calça, um metro, um lápis. E na alma, e lá bem dentro do coração, a simplicidade, a modéstia, o agradecimento a Deus por ser assim como era. Não queria mais nada: saúde, fé e disposição para o trabalho. 
Vem a guerra. E poucos anos depois, o Brasil, essa terra cujos homens falam a linguagem da sinceridade e cujos espíritos somente dão guarida à hospitalidade, ao amor ao próximo, é violenta e inesperadamente ultrajado em sua honra. O clarim soa. Repicam os tambores. Levanta-se a juventude e parte para os campos de batalha além mar.
Cuca também foi. Era brasileiro. Orgulhoso do torrão onde nascera. Trocou a calça de zuarte pelo uniforme verde oliva. O martelo, a enxó e a plaina desceram para sempre o ombro esquerdo: o fuzil tomou-lhe o lugar. E ao invés de transitar pelas ruas calmas de sua pacata Além Paraíba, Manoel de Souza passou a palmilhar as cidades históricas da velha Itália, batidas e taladas pelo ronco dos aviões e dos carros de assalto, estremecidas pelo troar da artilharia e dos tacões das botas milhares e milhares de soldados.
Mas, lá no fundo, no amargo de seus sentimentos. Cuca continuava indiferente a tudo. Era a coragem. Era a disposição. Era a satisfação. Era a humildade. Era a confiança, que as balas inimigas não assustavam, nem a saudade da Pátria e da família quebrantava, sequer diminuía. Isso lhe dava audácia. Fazia-o zombar dos perigos cumprindo com o dever que tinha de ser cumprido. Porque era um soldado do Brasil.
E os dias foram. E os lances épicos da peleja vieram, um atrás do outro. E Cuca, o nosso Cuca bem amado, sintetizava, no frio, na devoção da causa, por um lado, a ansiedade de tantas mães, cujos filhos, ombreavam com ele na sagrada causa. Por outro lado Cuca espelhava a honra do precinha, herdeiro das virtudes de seus ancestrais, cientes do lema de Barroso.
Veio Monte Castelo. Não viremos esta pagina da história. Nestas linhas, dignas de uma óde de Homero, existe um capitulo escrito com letras de ouro, emoldurado de sangue. Grifada, uma palavra de quatro letras. Entre louros e palmas um nome: Cuca. Manoel de Souza. E o quadro é uma ponte que irá dar passagem aos carros de assaltos aliados. O inimigo esta hora está vigilante. E caem soldados e soldados. É preciso, porém, construir a ponte. Cuca aceita a tarefa. Os superiores, que o admiram, o adverte. Embora. E a ponte vai chegando ao final. Viga após viga. Cada martelada do carpinteiro alemparaibano, é o eco de um projétil alemão. De repente sibilou apenas a bala inimiga. E não houve eco. Porque o modesto, o simples, o pequenino operário de Além Paraíba, jazia por terra. Do peito escorria-lhe um fio de sangue. Na boca um sorriso. Porque os heróis, os grandes heróis não choram nunca, nem mesmo diante da morte. E tombam assim conforme tombou Cuca. Gloriosos. Desconhecidos, não obstante, merecedores do penhor da terra onde nasceram!”

CARLOS CÓCO MUCHINELLI

Carlos Cóco foi também um herói alemparaibano na Itália, no período da Segunda Guerra Mundial, viveu no coração desta cidade entregue ao labor e a colheita, contemporâneo de Clower Bastos Côrtes e Manoel de Souza e faleceu em combate.

Descendentes de imigrantes italianos, nasceu na Fazenda Ponte Nova em 9 de agosto de 1917. Era filho de André Salvador Cóco e Maria Muchinelli, neto paterno de Salvador Cóco e Pascoa Ideli; e neto materno de Maximo Muchinelli e Gissea Cóco.

Fonte: Raul José Côrtes Marques – Jornal A Gazeta - 1958


Final da Segunda Guerra Mundial,combatentes alemparaibanos Waldyr Filgueiras, Fuhad Fadel Sahione, Jairo Faria, Braz Povoleri e o jornalista Imbrahin Tebet (Jornal "A Noite"), setembro de 1945, no vapor "General Meigs"

Monumento em homenagem aos pracinhas alemparaíbanos na praça Coronel Breves


segunda-feira, 30 de julho de 2012

TESTAMENTO DE JOSEPHA MARIA DE ASSUMPÇÃO - 1865


Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Josepha Maria de Assumpção, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena, nascida em 1777 e falecida em 1865, está sepultada no Cemitério da Irmandade do Santíssimo da Cidade de Além Paraíba, MG, filha de Francisco Ribeiro Nunes e Joana Maria da Conceição – pertencente a família Ferreira Armond, moradores na Mata do Quilombo, Barbacena. Foi casada com Coronel João Ferreira da Fonseca, nasceu em Prados por volta de 1767 e falecido em 1819.

 “Em nome de Deos, Trino e Uno, a quem firmemente creio.

Eu Josepha Maria de Assumpção, ainda a que presentemente me acho no estado de perfeita saúde, provem prevendo a morte como uma conseqüência inevitável da vida, senhora de mim e no gozo de meu perfeito juízo e entendimento, com conhecimento do que faço, vou proceder a este meu testamento e derradeira vontade, para ter o seu devido efeito, depois que eu morrer, pela forma e maneira seguintes.
Declaro que sou cidadã brasileira, honra de que muito me prezo, natural e batizada na Freguesia da hoje cidade de Barbacena, filha legítima de Francisco Ribeiro Nunes, e de Joana Maria da Conceição, ambos falecidos. 

Declaro que fui casada na face da Igreja com João Ferreira da Fonseca, de cujo matrimônio tivemos os filhos seguintes: José, Cândido, Thomaz, João, Marcellino, Simplício, Damaso, Maria Victória, Bernardina Carolina e Joana, e destes alguns já faleceras.

 Declaro que depois do falecimento do dito João Ferreira da Fonseca meu prezado marido se fez logo judicialmente inventário de todos os bens do nosso casal, procedeu-se as formal de partilhas, e a proporção, que meus filhos se foram emancipando, eu lhes fui entregando suas respectivas  legítimas paternas ...que em tempo ficarão delas inteirados, pagos e satisfeitos. Outro sim declaro mais ou menos, que eu observando, que não podia mais promover como dantes, os interesses de minha casa, apresentei de fazer o meu inventário e partilhar me em vida, digo, e repartir em vida com meus filhos, vivos e com os legítimos sucessores do que são falecidos, e com efeito ... mencionado tempo convoquei a todos, e eles comparecerão legal e competentemente autorizados para este fim fez se o Inventário de tudo quanto eu possuía então, foi tudo concisamente avaliado, e tirada a minha terra que reservei, e conservo em meu poder tudo mais foi igualmente repartido com meus supra citados filhos e herdeiros, aquém logo entreguei o quinhão que lhe coube, eles ficarão todos satisfeitos, pagarão me quitações, e o Inventário e partilhas foram firmes e valiosas no Juízo competente. Portanto o que vou me dispor neste testamento e do que me coube em terra. Desta dita minha terra pois satisfeitos os legados que eu aqui vou mandar que se façam, o resto que sobrar. Instituo dele por herdeiros, somente os meus filhos e netos  que eu vou indicar, e estes são: meu filho Thomaz, meus netos, filhos de meu filho Marcellino, já falecido, meus filhos Simplício, Damaso, Maria Victória, Bernardina Carolina e Joana, todos estes satisfeitos os meus legados, instituo como disse por herdeiros do resto de minha terra em parte iguais.

Declaro que sou Irmã Terceira da Venerada Ordem da  senhora do Monte do Carmo da Cidade de São João Del Rey, a cuja Ordem nada devo por quanto me vem logo  enviei e professei; o mesmo pratiquei com a irmandade do Senhor  Bom Jesus de Congonhas do Campo, de que igualmente sou Irmã, mas nada devo.
Ordeno que meu cadáver seja envolto no Hábito que ... da mesma ordem, que logo depois de meu falecimento meu testamento   mande dizer por minha Alma uma ou as Missas de corpo presente e poder mandar dizer comodamente, e assim se haverá em tudo mais que dá respeito ao meu funeral, o qual lhe encarrego de em tudo mais a sua disposição e arbítrios.

Ordeno que meu Testamento mande dizer cento e cinqüenta Missas da esmola costumada no Bispado; a saber cinqüenta pelas Almas de meus pais; cinqüenta pela Alma de meu marido; e cinqüenta pelas Almas de meus escravos.

Declaro que atualmente tenho mandado dizer Missas por minha benção, e pelas Almas de meus filhos falecidos, e mesmo pretendo fazer se dias me emprestar a vida pelas Almas de todos os meus parentes e bem feitores.

Meu testamenteiro pagará, se eu não pagar em vida, a quantia em que importar a Imagem da Senhora do Rosário, que mandei vir para a Igreja de Santo Antônio do Aventureiro, afim como também, se eu não pagar em vida, pagará os cem mil réis que eu prometi para as obras da mesma Igreja, que são da Sacristia e Adro.

Deixo a Capela da Senhora do Rosário do Curral Novo cinqüenta mil réis.

Deixo para meus afilhados Romualdo, Carolina Maria, Francisca e Firmina, filhos de Antônio Martins do Couto, a quantia de um conto de réis, digo, a quantia de um conto e seiscentos mil réis para cada um deles. Deixo igualmente a meu afilhado Marcellino, filho de Manoel Netto, um conto de réis. Deixo meu afilhado Cândido, filho de Manoel Alves Garcia, quatrocentos mil réis. Deixo a meu afilhado Carlos, filho de Damaso Ferreira da Fonseca, quatrocentos mil réis. Deixo a meu neto e afilhado Marciano, filho do falecido Marciano Ferreira da Fonseca, quatrocentos mil réis. Deixo a meu filho Damaso Ferreira da Fonseca em remuneração de trabalho e cuidados, que tem tido comigo, os meus escravos Manoel Criolo e sua mulher Florência.

Nomeio por meus testamenteiros em primeiro lugar, o meu filho Damaso Ferreira da Fonseca, em segundo lugar, o meu filho Simplício José Ferreira da Fonseca, e em terceiro lugar, meu filho Thomaz Ferreira da Fonseca, aos quais rogos queiram serem meus testamenteiros, substituindo-se um a cada outro, conforme a ordem de minha nomeação, e as que aceitar deixo ...e espaço de um ano para prestar contas em Juízo, e por este e autorizo para depois de minha morte, dispor de todos os meus bens ou parte deles , quando seja necessário, tanto em Juízo, como em particular para satisfazer a quanto tempo termina.

E nesta forma hei por concluído este meu Testamento e minha vontade e rogo as justiças do Império... seu inteiro vigor e cumprimento, embora lhe falte qualquer clausula, ou clausulas das em  necessário; pois todas ...as jugos , neste meu Testamento, que escrito a meu rogo, pelo Padre Joaquim Flausino Moreira, a qual depois de me haver lido e eu o julgar conforme deixei o assino.
Santana da Boa União, 5 de março de 1857"

Josepha Maria de Assumpção      

O neto e afilhado Cândido Augusto Ferreira da Fonseca - filho do Capitão Cândido e da
 Baronesa de Juiz de Fora
 
  Altar da Igreja do Senhor  Bom Jesus de Congonhas do Campo





sexta-feira, 13 de julho de 2012

BARONESA DE GUARAREMA - FRANCISCA DE SOUZA MONTEIRO DE BARROS E ELISEU VISCONTI




Barão e Baronesa de Guararema
 


Dona Francisca de Souza Monteiro de Barros, Baronesa de Guararema por seu casamento com seu tio materno, Luís de Souza Breves.

Era filha de Miguel Eugenio Monteiro de Barros e Maria Eugenia de Souza Breves. 

De seu casamento, não foi gerado filhos e segundo fonte oral, o Barão de Guararema deixou vários filhos na senzala. 

O Barão de Guararema foi um grande comerciante de café na capital do império, era filho de Luiz de Souza Breves e de Maria Pimenta de Almeida Breves e foi agraciado com o titulo de Barão de Guararema em 15 de junho de 1881.

A Baronesa era amante das artes e é considerada uma das primeiras mecenas da burguesia brasileira.

A Baronesa era uma pessoa muito doente e viajava frequentemente para a Itália para tratamento de saúde, numa de suas viagens, conheceu o futuro pintor Eliseu D’Ângelo Visconti e convenceu a sua família a deixá-lo a estudar desenho e pintura no Brasil.

Visconti nasceu na região italiana da Campânia em 30 de julho de 1866, filho de Gabriele D’Ângelo e Cristina Visconti, foi um pintor, desenhista ítalo-brasileiro e considerado um dos mais importantes artistas brasileiro.

Chegando ao Brasil entre 1873 e 1875, em companhia de sua irmã Marianella Visconti. Seu irmão Afonso e sua irmã Maria Anunciata já viviam no Brasil e seu irmão Tobias falecera de febre amarela, doença contraída aqui. Eliseu Visconti, desejou estudar música e em 1884, trocou a musica pela pintura no Liceu de Artes e Ofícios e na Academia Imperial de Belas Artes. 

Segundo seu filho Tobias, Visconti inicialmente se instalou em Além Paraíba, depois na cidade fluminense de Sapucaia, onde a família Breves possuía muitas propriedades.

 O Barão de Guararema faleceu em Além Paraíba, MG, aos 82 anos, no ano de 1910, sendo sepultado no Cemitério da Irmandade do Santíssimo. A Baronesa faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de janeiro de 1899, sendo sepultada no Cemitério da Ordem do Carmo. 


Fazenda Castelo - Além Paraíba MG
                                                    Fazenda Castelo - Além Paraíba MG

 O menino Eliseu Visconti e sua irmã Marianella - 1880
 A maturidade de Eliseu Visconti - 1930


Réplica do pano de boca do Theatro Municipal do Rio Janeiro pintado por Visconti em Paris

sábado, 19 de maio de 2012

MIGUEL MADEIRA UM PIONEIRO DO TRANSPORTE EM ANGUSTURA


Por Mauro Luiz Senra Fernandes





Triste para toda Angustura e muito mais triste para sua família, foi o alvorecer do dia 18 de janeiro de 1968. As vibrações sonoras e cadenciadas dos sinos da matriz despertaram Angustura e, seus moradores, em sobressaltos, pressurosos acorreram-se às janelas, entreolharam-se, perguntando: quem teria morrido? E os sinos continuavam lugubremente, seus dobres plangentes quando, feriu o espaço, quebrando monotonia cadente dos sinos – a saudação cristã “Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo” pelas ondas sonoras dos alto-falantes da matriz, naquela hora matinal.

Angustura acorda-te para receberes, mais uma vez infausta notícia; nova que te sangrará como aquelas sete lanças, apunhalaram o Coração de Nossa Senhora das Dores – perdeste mais um dos teus filhos adotivos; Miguel Madeira não viverá mais entre teus irmãos; ele fora um cidadão exemplar, pai amoroso e extremoso avô, deixou mais uma grande ferida no seio da sociedade angusturense a sagrar. Todas as belezas das manhãs que Angustura se orgulha de possuir, se ofuscaram com as lagrimas que correram dos olhos angusturenses – prenuncio de corações feridos com o choque da notícia. 

Cabisbaixos, todos se recolheram ao recesso de seus lares dizendo: anteontem mesmo, vi-o, sentado no banco do Centro Telefônico, conversando com seus amigos e, satisfeito, correspondendo às saudações dos transeuntes – “boa tarde Miguel, que me diz do Porto Novo” – “sempre a mesma coisa – muito quente e tudo no mesmo lugar”.

Era assim que, mais de quarenta anos convivemos o Miguel do ônibus que nos deixou até a eternidade...
Miguel Madeira era natural de São Domingos do Aventureiro, nasceu em 1903 e era filho dos italianos Vicente Madeira e Angelina Lentino Madeira. Em Angustura, passou o resto de sua juventude, sua mocidade e parte de sua velhice; constituiu família casando-se com Maria do Rosário Couto (Niquinha), filha do português Alexandre Rodrigues Couto e de Luzia Lopes do Couto.

De seu casamento nasceram dois filhos: Wilson (Lêle), casado com Cely Vasconcelos Madeira; e Helenice, casada com José Francisco Ghetti.

Chegando a Angustura por volta de 1918, foi contratado pelo fazendeiro e engenheiro Dr. Pio Villela Pedras para trabalhar na construção da estrada que ligava Angustura até Além Paraíba. Logo após, montou uma empresa de ônibus que transportava pessoas e mercadorias juntamente com o seu irmão Antônio Madeira, uma linha que ligava Angustura até Além Paraíba e a outra linha que ligava Santo Antônio do Aventureiro até Além Paraíba. 

Foi contemplado com uma medalha, ao aposentar-se, por ter sido um dos primeiros motorista a carteira profissional do volante e pelas excelsas virtudes de bem servir às coletividades de Além Paraíba e de Angustura.  

  Estrada de Angustura por volta de 1918
Fonte: Adaptação do texto publicado na "A VOZ DE ANGUSTURA" – 30 de março de 1968

ANGUSTURA CENÁRIO DE NOTÁVEIS ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS

Por Mauro Luiz Senra Fernandes 




Ana Margarida, Silva Jardim e o filho mais velho, Antônio
Acervo; Coleção Artur Cerqueira
 
Esta pitoresca Vila, dotada de uma natureza privilegiada, clima salubre, água serrana e cristalina, hospitaleira e sorridente, gente laboriosa, simples e religiosa – é o berço de cidadãos que têm ocupado postos de destaque no Município, no Estado e na Federação, gerou para seu orgulho um dos maiores jurisconsultos do país, cujos tratados de Direito são conhecidos e servem de normas para muitas comarcas das Américas e da Europa.

Os diletos leitores sabem a quem me refiro – Nelson Hungria – Além de seus filhos eminentes Angustura de outrora foi palco de visitantes ilustres. Dentre estes, destaca-se em primeiro plano, a honrosa visita do grande republicano Silva Jardim, em 14 de março de 1889, poucos meses antes da queda do Império.

Antônio da Silva Jardim, o grande republicano fluminense, em 1882, com apenas dezenove anos colava grau em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Além de ser um tribuno de largos recursos retóricos, foi também um primoroso escritor.

Além de brilhantes discursos, pró advento da República, escreveu Silva Jardim: O General Osório, Critica de Escada Abaixo; Memórias e Viagens; Campanha de Um Propagandista; A Gente do Mosteiro; Idéias de Moço, etc.
  
Por ironia do destino, o extraordinário republicano, quando visitou a Itália durante uma erupção do Vesúvio, foi tragado impiedosa e tragicamente pelas larvas vulcânicas – dois anos antes de sua morte prematura ele visitou Angustura. 

Angustura foi no passado cenário de notáveis acontecimentos históricos.

 
Dr. Nelson Hungria


Fonte: A Voz de Angustura - texto adaptado do Professor J.B. Vidal