domingo, 9 de maio de 2010

CORONEL FRANCICSCO DE ASSIS MANSO DA COSTA REIS

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Nasceu em 4 de fevereiro de 1803 no Arraial de Sete Lagoas, Freguesia do Curral Del Rey.

Era filho do Cap. Valeriano Manso da Costa Reis e de Dona Anna Ricarda Marcelina de Seixas, irmã da célebre “Marília de Dirceu” – Maria Dorothéia de Seixas – ex- noiva e musa do inconfidente Thomaz Antônio Gonzaga. Seu avô era Manoel Manso da Costa Reis, Fidalgo da Casa Real, casado na Bahia em 1711, com Dona Clara Maria de Castro e falecido em Ouro Preto em 1787. Foi o patriarca da família Manso da Costa Reis, de Minas Gerais, da qual procederam quase todos os Costa Reis mineiros.

Seus irmãos eram: Cel. Valeriano Manso da Costa Reis Filho, casado com Dona Margarida Euphrasia Monteiro de Barros; Bernardo Tolentino Manso da Costa Reis; e Cel. José Maria Manso da Costa Reis, casado com Dona Francisca de Assis Monteiro de Barros Galvão de São Martinho.

O Cel. Francisco casou-se no dia 7 de novembro de 1831, em Ouro Preto, na Igreja de Nossa Senhora do Pilar, com Dona Francisca de Paula Monteiro Nogueira da Gama, filha de Matheus Herculano Monteiro da Cunha e de Dona Maria Custódia Nogueira da Gama.

Ficando viúvo, sem descendentes, casou-se com sua sobrinha, Dona Maria do Carmo Manso Monteiro da Costa Reis, bem mais jovem que o marido, nascida em 05 de julho de 1834, filha de seu irmão Valeriano Manso da Costa Reis e de Dona Margarida Euphrasia Monteiro de Barros.

O Coronel Paulo René de Andrade cita em seu livro que o Alferes de Cavalaria de Linha Francisco de Assis Manso da Costa Reis foi o primeiro oficial a ser nomeado e o mais graduado quando comissionado no posto de Capitão. Comandou interinamente, durante sua organização, o Corpo de Permanentes.

Antes de 1840, baldeou-se para os “Sertões do Leste” onde Manuel José já colhia resultados das extensas lavouras de café que abarcaram áreas onde, hoje, situa-se parte de Leopoldina, de Além Paraíba, Angustura, Santo Antônio do Aventureiro, Pirapetinga e Volta Grande.

Em 24 de maio de 1842, através do Governo Provincial chefiado por Bernardo Jacinto da Veiga, foi comunicada à Câmara do Pomba sua nomeação para o lugar de sub-delegado do distrito de Madre Deus do Angú.

Em 1º de dezembro de 1848 assumiu o cargo de vereador municipal de São João de Nepomuceno.
No dia 11 de agosto de 1871, na Fazenda do Morro Alto, pelas duas horas da manhã, faleceu o Cel. Francisco de Assis sendo sepultado no dia seguinte no cemitério público da Freguesia.

O túmulo que se encontra seus restos mortais no distrito de Angustura foi transformado em Mausoléu da Polícia Militar de Minas Gerais, hoje monumento tombado pelo patrimônio histórico do município.
Terreiro de café da Fazenda da Conceição e integrantes da Família Manso Monteiro da Costa Reis

Dona Maria do Carmo casou-se, novamente, com o primo, também viúvo, Bernardo Manso Monteiro da Costa Reis, filho de José Maria Manso da Costa Reis e de Dona Francisca de Assis Monteiro de Barros Galvão de São Martinho, por sua vez, bisneto de Pedro Affonso Galvão de São Martinho, que foi comandante do Regimento de Cavalaria de Vila Rica, em 1792. Desse enlace teve um filho: Brasiel Manso Monteiro da Costa Reis, herdeiro da Fazenda da Conceição, em Angustura.

Bernardo Manso Monteiro da Costa Reis, de seu primeiro matrimônio com Dona Maria José Miranda Ribeiro, tiveram os filhos: Américo Miranda Manso, Carlota Miranda Manso Monteiro Nogueira da Gama e o Desembargador João Maria Miranda Manso.

Dona Maria do Carmo Manso Monteiro da Costa faleceu em 17 de julho de 1917, cinqüenta e quatro anos após a morte do primeiro marido. Tinha oitenta e três anos.


Brasiel Manso Monteiro da Costa Reis, herdeiro da Fazenda da Conceição, em Angustura. Foto:acervo de Mauro Senra, oferta da Sra. Mary Marinho Ribeiro.

JOSÉ RODRIGUES DA COSTA - BARÃO DA CONCEIÇÃO

Por Mauro Luiz Senra Fernandes





















José Rodrigues da Costa, o Barão da Conceição, nasceu e foi batizado na Igreja Matriz de Barbacena, província de Minas Gerais. Filho de Antônio José Rodrigues da Costa e de Dona Maria Luiza do Carmo e neto paterno do Cel. Manoel Rodrigues da Costa e de Dona Joana Thereza de Jesus, supõem-se que era irmã do Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes.

Foi casado com Dona Felisbina Cândida de Jesus, a Baronesa da Conceição, nasceu e foi batizada na Igreja do Mello Desterro, província de Minas Gerais, era filha de Francisco Antônio Gomes e de Dona Thereza Maria de Jesus.

Conforme fontes orais, do casamento do Barão com a Baronesa da Conceição, tiveram uma filha que faleceu queimada sendo que, em seu testamento, eles não tiveram filhos, deixando vários sobrinhos como herdeiros.

O Barão da Conceição era proprietário das fazendas de café: Santa Thereza, da Paciência e da Grota do Açude no Distrito de Santo Antônio do Aventureiro, Termo de Mar de Hespanha. Exerceu vários cargos de eleição popular, tendo sido vereador à Câmara Municipal de Mar de Hespanha. O título nobiliárquico de Barão e Baronesa da Conceição foi concedido em 27 de fevereiro de 1886.

O terreno onde está erigida a Igreja Matriz de Santo Antônio do Aventureiro foi doação do Barão da Conceição e sua esposa. A Baronesa Felisbina faleceu em 12 de dezembro de 1889 e o Barão, no dia 23 de setembro de 1898. Seus restos mortais estão depositados na sacristia dessa Igreja.




















Capela na Fazenda Santa Thereza em Santo Antonio do Aventureiro MG

sábado, 8 de maio de 2010

BARÃO DE GUARAREMA - LUIZ JOSÉ DE SOUZA BREVES

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



Barão de Guararema em dois momentos: no auge de sua fortuna e quando ficou pobre.
Agraciado com o título (decreto 15/06/1881) de Barão de Guararema. Integrante de uma família francesa que passou para a Ilha de São Jorge, Portugal, de onde emigrou para o Brasil, fundando uma das mais abastadas famílias de proprietários rurais do Vale do Paraíba, no Estado do Rio de Janeiro, membro da chamada “Aristocracia Rural Fluminense”. O casal patriarca era formado por Antônio de Souza Breves, nascido em 1720, e Maria de São José.

Luiz José de Souza Breves nasceu em 1828, em Arrozal do Piraí, província do Rio de Janeiro. Em 1840 veio para a região de Sapucaia juntamente com sua mãe Dona Maria Pimenta de Almeida Breves e irmãos, para ocupar terras compradas por seu falecido pai Luiz de Souza Breves, onde foi construída a Fazenda Aparecida e, de onde, estenderam os domínios até São José de Além Parahyba, onde Dona Maria Pimenta adquiriu do Alferes Theodoro de Faria Salgado a Fazenda do Aventureiro, sendo depois dividida em cinco outras: Arapoca, Castelo, São Luiz, Remanso e Conceição.

O Barão de Guararema foi, em Além Paraíba, uma personalidade influente e importante, tendo participado em vários setores, como agricultura, pecuária, política e cultura.

Como disse uma vez William Sahione: “mencionar Luiz José de Souza Breves – o Barão de Guararema – é vir a público com um espelho de inteligência de caridade, de amor ao próximo e às artes, a tudo que, dependendo dele pudesse empurrar Além Paraíba para frente”.

Foi um grande benemérito, contribuindo na construção da Igreja Matriz de São José juntamente com outros ilustres alemparaibanos, tendo feito a doação do belo lustre daquela igreja (o provedor da obra da matriz foi o Comendador Simplício José Ferreira da Fonseca). Trouxe da Itália para o Brasil, o pintor Eliseu Visconti, autor do pano de boca do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Fundou a mais antiga banda de música da história do município, em sua fazenda – a “Rapioca”, cujos componentes eram escravos alforriados que chegaram a tocar para o Imperador Dom Pedro Segundo no Teatro São Pedro, hoje Teatro João Caetano.
Foi um dos fundadores, juntamente com o médico Dr. Paulo Joaquim da Fonseca e outros alemparaibanos, do Hospital São Salvador.
 
 No Rio de Janeiro foi Comissário de Café e,  em 22 de abril de1882, o Barão de Guararema adquiriu o Solar da Marquesa de Santos situado no bairro de São Cristóvão. O solar ocupava o terreno de duas chácaras compradas por D. Pedro I para Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, que nele residiu de 1827 a 1829. A propriedade foi vendida quando a marquesa voltou para São Paulo, por ocasião do segundo casamento de D. Pedro I com Dona Amélia de Leuchtemberg. A casa passou pelas mãos de vários propietários, sendo tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938. Em 1979 é inaugurado o Museu do Primeiro Reinado.

Casou-se com sua sobrinha Dona Maria Francisca de Souza Monteiro de Barros, filha de sua irmã Dona Eugênia de Souza Monteiro de Barros e do Dr. Miguel Eugênio Monteiro de Barros, falecida em 5 de janeiro de 1899 no Rio de Janeiro.

O Barão de Guararema faleceu em Além Paraíba aos 82 anos de idade, no ano de 1910, sendo sepultado no Cemitério da Irmandade do Santíssimo.


Fontes: Lembranças de Dantes – Mauro Luiz Senra Fernandes e “A Saga dos Breves”-Padre Reynato Breves


 Fazenda Castelo - Além Paraíba MG
Fazenda Castelo - Além Paraíba MG

sexta-feira, 7 de maio de 2010

BARÃO DE SÃO GERALDO - Os Senhores de Boa Renda

Por Mauro Luiz Senra Fernandes



A expansão cafeeira levou muitas famílias a instalarem-se na zona da mata mineira, como posseiros. Com a assinatura da Lei de Terras, em 1850, algumas famílias enriquecidas com café não só legalizaram as terras como expandiram suas propriedades, desalojando posseiros menos afortunados. 

Logo, tudo estava tomado por grandes fazendas, mas ainda faltava obter o prestígio social, facilmente alcançado com um título de nobreza que só o Imperador podia conceder e o fazia em troca de apoio dos novos milionários, que dormiam rudes e acordavam aristocratas. Assim surgiram os barões do café, donos de grandes fortunas resultantes de uma atividade que iria mudar a face do Brasil.


Barão de São Geraldo – Dr. José Joaquim Álvares dos Santos Silva


Barão de São Geraldo, Dr. José Joaquim Álvares dos Santos Silva e sua esposa,Dona Umbelina Teixeira Leite


Importante consolidador do Município foi o Barão de São Geraldo, Dr. José Joaquim Álvares dos Santos Silva, nascido no Arraial de Nossa Senhora das Mercês do Cágado, atual cidade de Mar de Espanha, a 8 de agosto de 1842. Era filho do sesmeiro Cel. Antônio Álvares de Abreu e Silva e de Dona Virgínia Ribeiro de Avelar. Era neto paterno do Tenente Coronel Martinho Álvares da Silva e de Dona Isabel Jacinta de Oliveira Campos. Era bisneto do Capitão Ignácio de Oliveira Campos, descobridor dos sertões entre rios das Velhas, Paraíbuna e Dourados; um dos fundadores da cidade de Patrocínio e de Dona Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castello Branco, conhecida como "Sinhá Braba”, afamada fazendeira de Pitangui – “Uma dessas legendárias matronas de que não é pobre a terra mineira e de que à lareira, sobretudo de nossas fazendas, se contam histórias interessantes” (Zona do Carmo – Padre Raymundo Trindade).

Barão de São Geraldo, título nobiliárquico passado em 15 de junho de 1881, foi casado com Dona Umbelina Teixeira Leite, descendente de uma das mais importantes famílias da “aristocracia rural cafeeira”, estabelecida no Vale do Paraíba do Sul; sendo filha do Comendador Antônio Carlos Teixeira Leite, proprietário da Fazenda do Pântano e um dos principais financiadores da Estrada de Ferro Leopoldina e de Dona Maria Umbelina Teixeira. Era neta paterna do Cap. Francisco José Teixeira – Barão de Itambé e de Dona Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro – Baronesa de Itambé; e neta materna do Cap. José Joaquim Teixeira e de Dona Mariana Osório Teixeira Rios.
O Barão de São Geraldo formou-se em Direito na cidade de São Paulo em 1863, tornando-se Promotor Público e Juiz Municipal da Comarca de Juiz de Fora.

Em 1881, hospedou em sua fazenda a “Família Imperial” – a atual Fazenda São Geraldo, que se localiza na divisa de Além Paraíba e Volta Grande. Nessa ocasião, o Imperador Dom Pedro Segundo e sua esposa, Imperatriz Dona Teresa Cristina, se faziam sua importante e histórica viagem ferroviária pelo território mineiro.

Foi um dos fundadores do “Club da Lavoura de Angustura” em 1887 que, entre os vários objetivos, destacava-se a recepção da mão-de-obra imigrante.

Em São José de Além Parahyba, assumiu o cargo de vereador, tornando-se Presidente da Câmara Municipal – cargo correspondente ao de Prefeito Municipal.

Gozava de grande prestígio na Corte e junto aos seus pares era muito admirado e considerado, chegando a ser Senador da República. Na Monarquia, pertenceu ao Partido Liberal e, na República, ao Partido Republicano Mineiro.

Faleceu em 9 de janeiro de 1901, em Queluz, atual Conselheiro Lafaiete, quando Senador pelo Estado de Minas Gerais.



Fonte: Lembranças de Dantes - Mauro Luiz Senra Fernades

ÁFRICA ALEMPARAIBANA

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Homens e mulheres escravizados na colheita do café no Vale do Paraíba


Na África, as caravanas de escravos capturados marchavam à frente dos condutores para os mercados de Serra Leoa, de São Luiz, da Gâmbia, de Angola, de Luanda e de Benguela. A tirania dos traficantes, visando apenas o lucro dos carregamentos, martirizava os infelizes, atando-lhes ao pulso pesadas correntes e ao pescoço gargalheiras de ferro. O fumo e aguardente, velhas roupas e cacos de espelho, fileiras de miçangas e trapos vermelhos, seduziam os régulos e chefes bárbaros à tradição e à infâmia, isto é, à entrega de seus súditos e das pessoas mais próximas, em troca de embriagues ou de adornos fatais. No caminho até o local dos embarques muitos morriam de fome, de sede, de insolação e de maus tratos. Os depósitos que aguardavam e os porões das galerias que os transportariam à América ficavam mais comumente à beira do mar ou dos rios interioranos da África.

 Percorrendo o convés, os capitães dos navios negreiros conferiam a carga, presidiam a chamada da equipagem, vigiavam os despenseiros. Amontoados no fundo dos navios devorados pelo calor e pela febre, feridos com correntes ao bulício do mar, os africanos perdiam a sua cor primitiva, a expressão transformava-se, de seu olhar vivo e selvagem acostumado com as águas, a fitar o sol dos desertos, cobria-se de um véu de sangue que lhe amortecia a luz. Por vezes, os porões eram abertos e turmas de escravos subiam ao tombadilho para que outros fizessem a limpeza dos fundos, sempre vigiados de perto pelos marinheiros, endurecidos e insensíveis ao sofrimento. Acocorardos e trêmulos, os negros olhavam o horizonte distante, enquanto outros lançavam ao mar a carga que não poderia ser negociada – os dos que morreriam durante a travessia. O acompanhamento dos tubarões na esteira do brigue, completava o lúgubre quadro do cemitério oceânico.

As primeiras levas de negros africanos chegados ao Brasil foram encaminhadas para o nordeste – Maranhão para suas lavouras de algodão; Pernambuco e Bahia para trabalhar nos canaviais e nas usinas de açúcar.

Quando do surto da mineração de ouro e diamante, em Minas Gerais, muitos escravos dessas lavouras se deslocaram para trabalhar nas minas. Somente no apogeu da mineração, em pleno 1700, subiram pelo Caminho Novo levas de africanos desembarcados no Rio de Janeiro. Este movimento, tão pronto iniciou-se o ciclo do café no Vale do Paraíba, foi aumentando, pois não só a província Fluminense absorvia a volumosa massa de mão-de-obra, como também a colonização do Sertão do Leste (região como era chamada Além Paraíba), ganhava o seu quinhão de recém-chegados e uma parte dos escravos que labutavam nas minas, então decadente.

A parte da zona da mata de Minas, junto à divisa com o Rio de Janeiro, foi uma das últimas áreas próximas ao litoral a serem desbravas durante o período colonial.
Homens e mulheres escravizados no terreiro de café no Vale do Paraíba
 

O CAFÉ – “dá espírito a quem não tem”

Por Mauro Luiz Senra Fernandes




O café é originário da Abissínia, hoje Etiópia, é a baga do cafeeiro (coffea arabica), planta da família das rubiáceas que os árabes levaram para a Índia e os italianos introduziram na Europa.

Além do gosto peculiar, o café logo se popularizou mundialmente por ser um poderoso excitante. Lorde Bacon o definiu como bebida que “dá espírito a quem não tem”.

O mundo descobriu as delícias do café na primeira metade do século dezenove. Só então o Brasil perceberia o quão doce lhe poderia ser o amargo grão. O centro de irradiação da cultura cafeeira foi a Baixada Fluminense, de onde a lavoura subiu a serra, atingindo as matas do rio Paraíba do Sul.

Foi nessa época que começou a marcha da civilização nas alcantiladas montanhas de São José da Parahyba, no Arraial de Madre de Dios do Rio Angu, Mar de Espanha, Monte Verde e Santo Antônio do Aventureiro, sendo distribuídas Sesmarias a senhores de boa renda vindo da Zona da Mineração com o fim do ouro e, também, das ilhas portuguesas, como Açores e Madeira.

Algumas famílias que povoaram essas terras na época: Souza Breves, Teixeira Leite, Figueiredo Côrtes, Villela de Andrade, Martins Ferreira, Martins do Couto, Teixeira Marinho, Ferreira da Fonseca, Alves Garcia, Cerqueira Leite, Mendes Ferreira, Nogueira da Gama, Monteiro da Gama, Costa Reis, Dutra de Moraes, Monteiro de Barros, Vidal Araújo, Diniz Manso, Monteiro de Castro, Teixeira Côrtes, Monteiro Domingues, Pereira de Jesus, Teixeira de Andrade, Villela Pedras, Villela Reis, Moutinho da Rocha, Ribeiro, Alves Pereira, Pereira de Amorim, Meireles de Rezende, Teixeira de Rezende, Tavares, Teixeira de Aguiar, Furtado de Mendonça, Pereira de Castro, Gonçalves Filgueiras, Rodrigues da Costa, Souza Lima, Fernandes de Souza, Souza Guerra, Oliveira Senra, Moraes Sarmento, Oliveira Morais...

Dizem alguns historiadores que o povo da Zona da Mata de Minas Gerais é um povo melancólico e triste, pois, com o final do ouro na Zona da Mineração, foram obrigados a tornarem-se fazendeiros e, em seus corações, ficou o desejo de que os velhos tempos voltassem.



O povo africano contribuiu muito para a formação da nossa região, pois, através de seu trabalho escravo, construiu fazendas e derrubou as matas para o plantio do café. As florestas foram implacavelmente derrubadas, escravos foram trazidos da África e do Nordeste, grandes capitais foram investidos nesse momento; novas cidades, novas fortunas e novos latifúndios foram criados quase da noite para o dia. Entre 1821 e 1830, o café respondia apenas 18% do total das exportações brasileiras. De 1831 a 1870, passou a ser responsável por 50%. A partir de 1871, o Brasil começou a colher cerca de cinco milhões de sacas por ano.

O café gerou uma nova classe social e, a seguir, política. Fez o país criar ferrovias e aparelhar os portos do Rio de Janeiro e de Santos. Mais tarde, incentivaria a vinda dos imigrantes – trabalhadores assalariados.
Fazenda do Castelo - pertenceu ao Barão de Guararema





domingo, 4 de abril de 2010

ÍNDIOS PURIS - PRIMITIVOS HABITANTES DA ZONA DA MATA MINEIRA - "Sertões do Leste" e o Contrabando de Riquezas Naturais

Por Mauro Luiz Senra Fernandes


Rio Paraíba do Sul margeando com os Sertões do Leste

























Até o último quartel do século dezoito, as terras do leste de Minas estavam cobertas de densas matas e permaneciam à margem dos avanços do branco. As autoridades da colônia e da capitania proibiam a abertura de caminhos e a vinda de habitantes para os Sertões do Leste que poderia se dar através dessa região, por julgarem que assim evitariam o contrabando de riquezas naturais, especialmente o ouro.

Na metade do século dezoito, comerciantes de plantas medicinais, principalmente de poaia, começaram a burlar as determinações oficiais e a penetrar nas misteriosas florestas virgens desses “Sertões Proibidos”. Iam também aventureiros que ambicionavam eventuais riquezas minerais. A princípio, a ocupação foi cautelosa devido à reação das autoridades e dos índios mas, à medida em que se apercebiam do relativo pacifismo dos mineiríndios dessas florestas, os brancos e associados passaram a aumentar suas incursões pelas terras do Leste. Assim, na metade do século, as autoridades deixaram de ignorar que devassadores já haviam aberto picadas nos sítios dos “Sertões Proibidos” e comercializavam a poaia com indígenas coroados (croatos), coropós (cropós) e puris.

Os indígenas encontrados pelos brancos na Zona da Mata, não eram originários da região, aí chegando em levas sucessivas desde o século dezesseis, provenientes do litoral fluminense, mais exatamente da baixada dos Campos dos Goitacazes, onde foram conhecidos por padre Anchieta, que descreveu como uma “sorte de gente da mais feroz existente por toda a costa”.
A raiz étnica dessas tribos permanecem em discussão; alguns pesquisadores os associam aos Jés, aparentados ao grupo dos Goitacás (Waitaka), outros aos Tupis. Todos, porém, faziam parte das antigas populações da costa brasileira.

Os deslocamentos desses grupos, na época colonial, começaram quando eles fugiram do litoral, logo após à Confederação dos Tamoios (1555-67), uma vez que esses passaram a invadir suas terras. Localizando-se mais ao norte, na região da foz do rio Paraíba do Sul, foram expulsos pelos portugueses por volta de 1630, passando a se internarem nas florestas do Rio de Janeiro.

Nessa migração, tomaram o rumo oeste, seguindo o curso do rio Paraíba do Sul e seus afluentes, principalmente os rios Muriaé, Paraibuna e Pomba, alcançando as fraldas da Mantiqueira no final do século dezessete e início do dezoito, fixando-se próximo ao Caminho Novo, porta dos Sertões do Leste. Pelo Muriaé, atingiram o Carangola, espalhando-se pelas planícies e serras.

Na época, a região vizinha ao litoral fluminense encontrava-se coberta por imensa floresta virgem: uma faixa de terra estreita nas proximidades de Mar de Espanha, que ia alargando para o norte, em direção às florestas capixabas. Essas matas formavam uma barreira natural ao povoamento dos brancos e, então, os índios permaneceram por quase dois séculos.

Aproveitando o abrigo natural que as matas ofereciam, os índios aí se estabeleceram, divididos em grupos familiares. Assim, na região do rio Pomba estavam os Croatos, os Cropós e os Puris (ribeirão do Meia-Pataca, áreas de Leopoldina, Serra da Onça; nas nascentes do rio Doce encontravam-se os “famigerados” Botocudos, índios temidos pela violência que empregavam contra os invasores de suas terras. No rio Xopotó, viviam os Caetés e na região do Muriaé, os Guarulhos (tribo de gente barriguda, bons comedores).

Distante dos descampados litorâneos, as tribos foram obrigadas a se adaptarem a novos costumes e meio de vida próprios do interior. Por exemplo: quando viviam no litoral, os índios usavam longos cabelos, os quais tiveram que ser cortados devido a vida nas matas; passaram a adotar um corte em forma de coroa, no alto da cabeça, à maneira dos sacerdotes, o que lhes valeu o apelido de Coroados.
Devido às migrações, os grupos foram se dividindo e se misturando a outros, adquirindo algumas características físicas e culturais diversas daquelas da tribo de origem.

Assim, grandes mudanças eram notadas na língua, sendo difícil identificar os grupos originais, a partir desses dados. Essas observações foram feitas por diversos viajantes estrangeiros que aqui estiveram no século dezenove.

Culturalmente, as tribos viviam no estágio de bandos de coletores e caçadores, com insipiente cultura material. Praticavam a caça, a pesca e a coleta de raízes e frutos. As mulheres faziam uma bebida (o eivir ou viru) com milho, o qual era mastigado para fermentar. Suas choças eram simples, cobertas de folhas, construídas inclinadamente, contra o vento. À época de viagens e caçadas nem construíam cabanas: cavavam suas camas no chão, o qual forravam com palhas. Depois de aldeados pelos brancos, passaram a praticar uma agricultura simples, apenas para subsistência, plantando mandioca, milho, tabaco, batata-doce, bananas, etc.

Igualmente simples era sua organização política, sendo seu líder escolhido pelas capacidades de caça e guerra. Também havia a figura do curandeiro, a quem competia as ligações com o mundo espiritual e artes das curas.

Quanto às guerras dos indígenas, elas podem ser vistas como sua forma de reagir a conquistas de suas áreas de ocupação tradicional. Assim, elas aconteciam contra outras tribos ou contra o branco.
As guerras dos índios contra os brancos visavam a manutenção de sua estrutura cultural e a defesa de seu território. Existem relatos de que povoações brancas foram desmanteladas pelos ataques indígenas.

Numa outra fase, ocorreram alianças entre brancos e índios para combater tribos mais fortes ou negros quilombolas. Algumas tribos eram usadas como “aliadas” ou como escravas.
Assim é que os Sertões do Leste começaram a ser desbravados com a penetração de aventureiros que vinham em busca de plantas medicinais, conhecidas pelos índios, que as colhiam e as trocavam por aguardentes.

Com o passar do tempo, esses índios se transformaram em guias para busca de pedras e metais preciosos e para abertura de picadas na mata, com a finalidade de instalação de novos caminhos. Alguns pesquisadores levantam a hipótese da utilização dos índios como guia para contrabandistas e prisioneiros do governo, que fugiam da vigilância dos “presídios” e das guarnições militares neles sediadas.

Vale ressaltar que, no mundo dos brancos, persiste a idéia de que o índio é inculto e vive mal, ou seja: mal alojado, mal vestido e mal alimentado, que precisa de religião, médicos brancos, etc. Foi com essas idéias que os colonizadores mineiros justificavam sua penetração nas terras indígenas. O resultado disso foi a aquisição de vícios, como o de beber aguardente e de doenças próprias do branco, para as quais não havia resistência.

Junte-se a isso os maltratos, o roubo de crianças para “educação” por fazendeiros e sitiantes e os abusos sexuais, para se entender as razões do quase total desaparecimento do elemento indígena.
Fonte: Adaptação do texto de Irenilda Cavalcante – Bacharel em Biblioteconomia e Licenciada em História

Os Remanescentes dos Antigos Habitantes
(Visão do Colonizador)


Índios em sua cabana – “Rugendas e o Brasil – Um ensaio sobre a Viagem Pitoresca”
Como não há referências que documentem a visita do nosso artista a aldeias Puri - “das mais primitivas do mundo”, acreditamos que este esboço foi feito com base no desenho e na descrição do Príncipe Maximiliano, à qual nosso artista acrescentou mais personagens e objetos, sem perder seu núcleo formador: o índio espera na rede, enquanto a mulher assa num espeto a carne, possivelmente de macaco.


O território em que hoje se ergue o município de Além Paraíba foi primitivamente habitado pelos índios Puris. Debret que esteve no Brasil por quinze anos, a partir de 1816, escreveu que o nome “Puri” tem sua origem na língua dos Coroados e que quer dizer “audaz” ou “bandido”. Assinalou que na época – segunda década do século dezenove – “erravam os selvagens nas solidões que se estendem desde o mar e a margem direita do Paraíba, até o Pomba, na província de Minas Gerais.”

Esses índios plantavam favas de mangalê, caratinga, batata-doce, banana-da-terra, servindo-se de cavadeiras de pau. Pescavam com timbó ou com balaios do feitio pouco mais ou menos dos jequiás, sendo de boca larga, trazendo uma armadilha para disparar e fechar a tampa.

Nadavam como peixes, faziam jangadas para o seu transporte e, montados em pau, atravessavam qualquer rio, exceto nos lugares de cachoeiras. Eram corredores e de sagacidade e esperteza admiráveis e, no mato andavam, sempre agachados. Eram dados ao furto e não eram leais.

Casavam-se por afeição: era toda forma de casamento e a respeitavam severamente. Faziam balaios, redes e panelas (enormes) de barro; as redes eram feitas de corda de embiruçu, tucum e de imbaúba branca. Conheciam raízes medicinais. Usavam cabelo comprido, andavam nus; as mulheres, porém, usavam um saco atado na cintura. Temiam o trovão. Os que faleciam eram enrolados ou atados com cordas e depositados com suas flechas, bodoques e demais objetos dentro de uma grande panela de barro e assim enterrados e, de tempos em tempos, voltavam os que sobreviviam àquele lugar para chorar o falecido.

Concorreu para o desaparecimento rápido dos remanescentes Puris uma epidemia de sarampo que apareceu alguns anos depois que os índios fizeram seu estabelecimento nas imediações de Feijão Cru (atual cidade de Leopoldina), provavelmente na terceira década do século dezenove. Sendo um mal novo, a epidemia tomou caráter e como a febre apareceu violenta, logo se atiraram à água fria. A mortandade foi grande. Tais eram os Puris – os índios que habitavam às margens do Cágado, do Novo, do Pirapetinga, do Aventureiro, do Angu.

O Puri deixou poucos vestígios onde foi soberano, no livro numero 01 de Batizados de Além Paraíba, que foi iniciado em 1818 pelo Padre Miguel Antônio de Paiva, primeiro pároco do Curato que abrangeu vasta região de mata, consta o batismo de índios, todos Puris, à exceção de um feito a 30 de dezembro de 1820, de Josefa Maria, da “Nação Gentia Coroada”. O mesmo ocorreu com o registro de óbitos do Arraial de Nossa Senhora das Mercês do Cágado (atual cidade de Mar de Espanha), iniciado em 1818, onde as anotações de indígenas se referem exclusivamente aos Puris.

Adaptação do texto de Celso Falabella de Figueiredo Castro – Os Sertões do Leste – 2ª Edição – 2001